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Jackelyne queria ajudar família pela ginástica, mas lesão a atrapalhou

Demétrio Vecchioli e Karla Torralba

Do UOL, em São Paulo

18/01/2019 04h00

O mundo da ginástica artística está em luto pela morte inesperada da jovem Jackelyne Silva, a Jack, como era conhecida por todos. A ginasta de 17 anos sonhava em ajudar a família por meio do esporte, mas teve a carreira atrapalhada por uma lesão na coxa justamente quando teve a chance de chegar à seleção brasileira. 

Aos 15 anos Jackelyne Silva viveu o auge sendo campeã sul-americana juvenil de ginástica artística no aparelho que mais gostava, as barras assimétricas. O feito a credenciou a passar período na seleção brasileira adulta. 

A alegria de Jack não foi completa por causa de lesão na coxa durante um teste na seleção brasileira adulta. A ginasta se destacava nas apresentações de solo e nas barras assimétricas. No juvenil também foi vice-campeã brasileira nas barras assimétricas pelo Pinheiros em 2016.

"Era uma menina que chamava a atenção no esporte. Ela e a Isabel impulsionavam o clube até ano passado, quando treinou. O ano não foi muito bom para ela, porque se machucou e não teve tempo para competir, mas sempre teve muita dedicação no ginásio, era feliz, educada. Tinha um carinho muito grande por ela. Estamos sem chão", relatou Danilo Bornea, que treinou a atleta durante 9 anos no Esporte Clube Pinheiros.  

Jackelyne vivia com os pais e cinco irmãos no bairro de Itaquera, em São Paulo. O pai trabalha em um estacionamento e a mãe é dona de casa. "Ela sempre ajudou muito em casa e morou bastante com as amigas porque o ginásio ficava mais próximo. Ela tinha um sonho, sempre falou em Olimpíada. Ela queria ter bons resultados para melhorar a situação da família", contou o técnico. 

 "Quando chega a certo momento fica difícil de conciliar em alto rendimento. Ela sempre se dedicou, ela foi até o alto nível, elite, pegou seleção na categoria juvenil, acabou se lesionando, era uma menina na vitrine pronta para ser chamada", analisou o técnico. 

Jackelyne parou de treinar no final de 2018 para ajudar nos cuidados da mãe, que passou por cirurgia. Ela pensava em se aposentar do esporte, mas voltaria a conversar com os responsáveis do clube em 2019 para falar qual seria sua decisão. 

Não deu tempo. Jackelyne morreu na tarde de quarta (16) na UPA de Itaquera, onde foi internada. A causa oficial da morte não foi revelada. "O pai dela me mandou mensagem falando que ela tinha sofrido parada cardíaca. Estou sem chão, difícil entender ainda. Estou no Rio trabalhando para conseguir vaga em uma coisa, em um evento, e ao mesmo tempo vem uma bomba assim. Foi difícil lidar, porque tinha ainda que dar treino para outra atleta, que é muito próxima da Jack também. Uma pena, ela era muito jovem", lamentou o treinador. 

Reprodução/Instagram
Ângelo Assumpção e Jack eram amigos próximos Imagem: Reprodução/Instagram
Jackelyne tinha Daiane dos Santos como espelho 

Daiane dos Santos, a primeira brasileira a conquistar uma medalha de ouro no Mundial de Ginástica artística era o modelo de Jack. "Ela queria ser atleta olímpica, admirava a Daiane, que treinou com ela. Bem fã, próxima, amiga, tinha um carinho muito grande. A Daiane era um espelho para ela", disse Danilo. 

Ângelo Assumpção se declarou à amiga Jack

O ginasta da seleção brasileira Ângelo Assumpção passou a noite da última quarta com a difícil tarefa de ajudar a família de sua amiga, que faleceu precocemente. Ele deixou uma mensagem em seu Instagram lembrando a amiga. 

"26 dezembro de 2018, foi quando tiramos nossa última foto e que nos abraçamos... Estou em estado de choque, é algo inacreditável. Meu coração está em pedaços, pelo fato dele não bater mais com o seu e isso me deixa impotente. Os momentos de privilégios ao seu lado foram mágicos, felizes e inesquecíveis. Eu amei o jeito que você me tratava, amei o jeito que me olhava e eu vou te amar para todo o sempre", escreveu.
 

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