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Como Trump ameaçou e manteve tradicional torneio de golfe em seu campo

Luis Alvarez/AP
Donald Trump é fã de golfe e tem um clube em Nova Jersey Imagem: Luis Alvarez/AP

Do UOL, em São Paulo

13/07/2017 04h00

Donald Trump conseguiu deixar as principais jogadoras de golfe do mundo em uma posição desconfortável. Devido a uma ameaça do presidente norte-americano, o mais tradicional Major feminino de golfe será disputado em seu clube de campo particular, o que causa uma situação embaraçosa: jogadoras que lutam para provar o poder feminino no esporte terão que atuar na “casa” de um político conhecido por suas atitudes sexistas.

O Trump National Golf Club, em Bedminster, Nova Jersey, foi escolhido para receber o US Women’s Open em 2012. Mas foi só em 2015, quando Trump iniciou sua corrida para se tornar presidente dos Estados Unidos, que a associação norte-americana de golfe (USGA) começou a sofrer pressão e estudar maneiras de mudar de sede.

Mas aí, segundo fonte ouvida pelo "USA Today", Trump agiu, ameaçando os organizadores com um processo na Justiça. “Não podemos sair dessa. Ele vai nos processar”, alertou Mike Davis, diretor-executivo da associação, em uma reunião em que essa fonte estava presente.

Comprar briga com um poderoso empresário fã de golfe já não seria fácil, mas se tornou ainda mais complicada para os dirigentes diante da possibilidade de Trump ser eleito presidente. Por outro lado, ativistas em prol da igualdade de direitos das mulheres cobravam cada vez mais a USGA.

A pressão aumentou ainda mais em 2016, quando foi revelado um vídeo em que Donald Trump fazia comentários sexistas e ofensivos sobre sua relação com as mulheres. Neste ponto, três senadores norte-americanos enviaram uma carta à USGA pedindo que o US Open não fosse mais realizado no campo de Trump.

Oficialmente, a associação não admite a ameaça de processo por parte de Trump e diz que suas decisões são totalmente esportivas, sem ligação política. “A USGA, desde sua fundação, em 1894, nunca se envolveu com política. Nosso foco é apenas no jogo de golfe”, declarou Mike Davis neste ano.

Se a ameaça de Trump existiu e deu resultado, não se sabe, mas o fato é que o tradicional Major começa nesta quinta-feira. E algumas jogadoras terão que lidar com esse cenário, no mínimo, constrangedor.

É o caso de Lizette Salas, americana de origem mexicana. Crítica ao governo Trump e suas políticas contra estrangeiros, ela cogitou não participar do torneio, assim como aconteceu com outras jogadoras. No fim das contas, no entanto, Salas decidiu que desistir seria pior.

“O golfe feminino está em uma posição tão crítica agora que, para fazer a diferença, temos que continuar jogando. Fui colocada em uma posição em que estou presa no meio de duas opções: pegar a estrada e ir embora ou ficar e falar honestamente. A única vitória para mim é que jogar golfe”, concluiu Salas ao “The New York Times”.
 

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