Esporte

Ela defendeu a seleção de handebol, mas deixou o esporte para ser doula

Arquivo pessoal
Fabiana Gripa com um bebê em hospital de Blumenau Imagem: Arquivo pessoal

Fábio Aleixo

Do UOL, em São Paulo

19/03/2015 06h00

Ela já foi campeã pan-americana, disputou Olimpíada e rodou o mundo defendendo a camisa da seleção brasileira de handebol. Em mais de 15 anos de carreira como atleta profissional, Fabiana Gripa viveu momentos marcantes e emocionantes em quadras do Brasil e do mundo. Hoje, com 33 anos e aposentada, sua felicidade está bem longe das quatro linhas. Mais precisamente ajudando mulheres grávidas.

Há cerca de um ano, Fabiana se dedica ao trabalho de doula em Blumenau (SC). Sua missão? Orientar, ajudar e acompanhar gestantes antes, durante e após o parto. Visitas frequentes, conversas, massagens e banhos nas grávidas são algumas das atividades desenvolvidas pela ex-jogadora no momento mais importante da vida de qualquer mulher.

Ver a gestante dar à luz se equipara ao sentimento de marcar um gol, ganhar uma partida e até mesmo conquistar uma medalha.

"Cada nascimento é um marco, cada momento ao lado da família é inexplicável. A única certeza que tenho em relação aos meus sentimentos é ' caramba, é bom demais estar aqui'. Cada parto é um parto", diz Fabiana.

"Os olhares das mulheres após terem o filho é  algo marcante. É  um agradecimento tão puro e tão real que dá para sentir, mesmo estando alguns metros dela, do seu bebê e do seu marido  ou acompanhante", conta a ex-atleta, que faz questão de manter contato com as mães e acompanhar o crescimento das crianças.

"Mantenho uma  relação de muito carinho, cuidado e respeito por toda a vida. Nem sempre consigo manter contato pessoal. Mas cada reencontro sempre é muito bom", afirma.

Fabiana se apaixonou pelo trabalho de doula quando ficou grávida pela primeira vez, em 2009. Ela contou com a assistência de duas dessas profissionais para dar à luz Augusto, em fevereiro de 2010. À época, ainda era jogadora de handebol.

“Tinha duas doulas ao meu lado e mais uma equipe médica me acompanhando quando pari o Augusto em casa. Elas me ajudaram demais durante toda a gravidez. Foi quando me encantei demais por este trabalho das doulas. É a coisa mais linda do mundo. A partir daí, comecei a estudar bastante sobre o assunto, mas ainda não podia atuar como uma pois não tinha o curso da Associação Nacional de Doulas (Ando) e também estava jogando”, contou a ex-jogadora.

Arquivo pessoal
Fabiana felicita mãe após parto em hospital de Blumenau Imagem: Arquivo pessoal

Fabiana só conseguiu dedicar-se à sua nova paixão em 2014, meses depois do nascimento de sua segunda filha, Helena, e de sua aposentadoria do esporte. “Depois da primeira gravidez, continuei jogando e o Augusto me acompanhava para todos os lados, mas veio a Helena e decidi parar. Abracei esta nova paixão e comecei a me dedicar exclusivamente a ela. Sou muito feliz neste trabalho, que é prazeroso e gratificante. Estou ali para trazer um conforto para a gestante, seja no aspecto físico ou psicológico. Sei o quanto isso é importante para a mulher”, disse.

Além de fazer atendimentos particulares, Fabiana também trabalha uma vez por mês como voluntária no Hospital Santo Antônio, na cidade catarinense. “Não consigo me manter (financeiramente) só como doula. Faço mais por paixão ao movimento e à causa do que por dinheiro. E os meus princípios também não permitem pegar mais de duas gestantes do mês para trabalhar”, contou a ex-jogadora.

Fabiana agora está em fase final de implantação de um projeto na academia Academia Bio Gym Fitnes Club de Blumenau que envolve a realização de atividades físicas para gestantes e para mães e bebês. As primeiras aulas ocorrerão no dia 6 de abril.

Corte foi uma das maiores frustrações da carreira
Fabiana se diz realizada por tudo o que obteve em sua carreira como profissional, mas o que aconteceu antes da Olimpíada de Pequim, em 2008, a incomodou bastante. Na reta final de preparação da seleção para os Jogos, a ex-armadora central foi cortada pelo técnico espanhol Juan Oliver Coronado.

“Na época muita gente não entendeu o porquê do corte e foi algo que me fez muito mal, fiquei muito chateada. Ali foi um corte por motivos políticos, um problema interno com a auxiliar técnica. Depois daquilo, nunca mais quis jogar pela seleção”, disse a jogadora que foi campeã do Pan de 2007 no Rio de Janeiro, jogou a Olimpíada de Atenas-2004 e disputou inúmeras edições da Liga Nacional.

Após o corte, Fabiana ainda teve de lidar com uma séria lesão no joelho que a afastou por um longo tempo das quadras. Foi nesta época que teve o primeiro filho e viu surgir no horizonte a possibilidade de fazer o que faz hoje: se dedicar à vida de doula.

 

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