UOL Esporte Handebol
 
29/10/2009 - 07h00

Seleção feminina apela para psicóloga para acabar com histórico ruim no Mundial

Felipe Munhoz
Em São Paulo
A seleção brasileira feminina de handebol não apresenta um bom retrospecto no Mundial da modalidade. De 1997 para cá, o máximo que o time conseguiu foi um sétimo lugar em 2005, na Rússia. Para acabar com a sequência negativa, na 19ª edição da competição, em dezembro, na China, o time comandado pelo técnico dinamarquês Morten Soubak terá o auxílio de uma psicóloga.

BRASIL FEZ MELHOR MUNDIAL EM 2005

  • Reuters/Arquivo

    Seleção brasileira ficou na sétima colocação no Mundial de 2005, que foi disputado na Rússia

    MUNDIAL DE 1997: 23ª colocação
    MUNDIAL DE 1999: 16ª colocação
    MUNDIAL DE 2001: 12ª colocação
    MUNDIAL DE 2003: 20ª colocação
    MUNDIAL DE 2005: 7ª colocação
    MUNDIAL DE 2007: 14ª colocação

O trabalho de Alessandra Dutra, que também é psicóloga do time masculino de handebol do Esporte Clube Pinheiros, começou neste mês, quando a seleção esteve na Dinamarca e na Noruega para um série de amistosos. "Ainda estamos bem no início do trabalho, estou conhecendo as meninas, as características do grupo. Mas dá para perceber que existe uma abertura dentro da confederação, dentro da comissão técnica e das próprias atletas e isso nos ajuda bastante. A gente trabalha como algo a mais, o técnico já tem uma identidade com o time, já sabe o que ele quer passar, a gente vai apenas dar um suporte", afirmou a psicóloga.

Além do retrospecto ruim do time nos Mundiais anteriores, jogadoras e o próprio técnico da seleção não negam que a equipe sofre com uma inconstância em seus jogos. No Pan do Rio de Janeiro, em 2007, o Brasil levou o ouro e sonhava com uma medalha nas Olimpíadas de Pequim. No entanto, ganhou uma partida contra a Coreia do Sul, vice-campeã olímpica na época, mas perdeu o jogo seguinte contra a Suécia e foi eliminada já na fase de grupos.

Na série de amistosos contra Noruega e Dinamarca, a instabilidade voltou a aparecer. O time perdeu os dois jogos para as dinamarquesas, ganhou um e perdeu outro das norueguesas. "A gente teve uma psicóloga ao nosso lado e foi um trabalho muito interessante. Ela conseguiu unir as pessoas e conseguiu manter uma linha de trabalho extraquadra. Para mim valeu muito a pena", opinou a pivô Fabiana Diniz "Dara".

PROBLEMAS COMUNS EM ATLETAS

- Pessoas que não conseguem trabalhar coletivamente, que pensam no jogo sozinhas
- Falta de concentração durante os jogos
- Respeito excessivo ao adversário ou ao jogo
- Medo de ganhar. Não saber o que fazer com um triunfo na mão
Segundo a psicóloga, que já trabalhou com a seleção masculina no Pan de Santo Domingo e na preparação para as Olimpíadas de Atenas, essa instabilidade acontece em todas as equipes. "Existe uma inconstância natural nas pessoas e numa equipe não é diferente. Por isso é preciso treinar as habilidades mentais, a concentração, para você ir polindo a equipe. Toda equipe passa por esta inconstância. Quanto mais cedo o atleta tem contato com a psicologia esportiva, mais fácil fica de trabalhar com ele depois. Isso mostra o quanto é importante o trabalho de base", explicou Alessandra Dutra.

De acordo com o técnico Morten Soubak, ainda não se sabe até quando vai o trabalho da psicóloga. "Essa foi a primeira vez, e a ideia é que este trabalho seja implementado para criar e construir um bom desenvolvimento com o grupo. A intenção é que ela faça parte do grupo para o Mundial e depois veremos como vai ser", disse.

Alessandra Dutra afirmou que, por enquanto, o trabalho vai ficar apenas com o time feminino. "Ainda não conversaram comigo sobre o masculino. Só ficou certo sobre o feminino mesmo", ressaltou a psicóloga.

Compartilhe:

    Placar UOL no iPhone

    Hospedagem: UOL Host