UOL Esporte Hipismo
 
05/11/2004 - 15h15

Sumiço não acaba com chances de Pessoa, diz advogado

Leopoldo Godoy
Em São Paulo
O desaparecimento da amostra B de urina do cavalo Waterford Crystal, montado pelo irlandês Cian O'Connor nas Olimpíadas de Atenas, vai atrapalhar, mas não acabar com as chances do brasileiro Rodrigo Pessoa herdar a medalha de ouro da prova de saltos.

Arquivo 
O irlandês Cian O´Connor monta Waterford Crystal, pego em exame
A avaliação é do advogado Thomaz Mattos de Paiva, especialista em direito desportivo. Segundo Paiva, a falta da contra-prova deve ser explorada pela defesa de O'Connor, mas o irlandês só vai se livrar do "tapetão" se conseguir provar que houve algum erro na análise da primeira amostra.

"Ao contrário do que se pensa, a falta da amostra B não invalida o resultado da A", afirmou Mattos em entrevista ao UOL Esporte.

"As chances do Rodrigo Pessoa diminuem, porque agora não será possível tirar alguma dúvida do exame, mas a primeira amostra só pode ser contestada se forem apresentados argumentos que provem que a análise é inválida", diz.

Na última segunda-feira, a FEI (Federação Eqüestre Internacional) anunciou que a segunda amostra de urina colhida do cavalo Waterford Crystal, ouro em Atenas, teria sumido no transporte de Paris para a Inglaterra, onde os exames seriam realizados.

No primeiro exame, foi constatada a presença de substâncias proibidas na urina, que poderiam ter sido utilizadas para acalmar o animal durante a competição.

Mattos, que defendeu o velocista Sanderlei Parrela, acusado de doping às vésperas das Olimpíadas de 2000, afirma que o entendimento atual das federações internacionais e do CAS (Corte de Arbitragem do Esporte, na sigla em inglês) é de que a contra-prova é apenas necessária se houver uma avaliação posterior necessária para a condenação do atleta.

Esse foi o caso do ciclista norte-americano Tyler Hamilton, que, segundo o primeiro exame, recebeu uma transfusão de sangue irregular antes das Olimpíadas. A contra-prova, no entanto, foi processada erroneamente e Hamilton pode manter a medalha de ouro na prova contra o relógio.

"Não é o caso com o doping do Waterford Crystal", afirma. De acordo com o advogado, a diferença entre o exame do cavalo e do ciclista é que, no primeiro, trata-se de um doping "qualitativo", enquanto no segundo, a irregularidade é "quantitativa".

"O Tyler Hamilton foi pego pela contagem dos glóbulos vermelhos. Esse exame, no entanto, é sujeito a alterações, então a contra-prova é importante", diz Paiva. "Já o cavalo é uma questão simples: foram encontradas substâncias exógenas, que não podem ter sido produzidas pelo próprio cavalo. Não há necessidade para contagem".

Arquivo 
Pessoa monta Baloubet du Rouet durante prova nos Jogos Olímpicos de Atenas
O veterinário de Waterford Crystal, no entanto, discorda da avaliação de Paiva. Em entrevista ao jornal Irish Times, James Sheeran disse que a amostra B é necessária para demonstrar que o cavalo utilizou o medicamento muito antes das Olimpíadas, e que já não havia mais efeito durante a competição.

"Não é possível que tenham encontrado mais do que pequenos resíduos do medicamento", afirmou Sheeran. "A nova amostra provaria que as drogas não tinham mais efeito terapêutico sobre o cavalo, e acredito que seríamos considerados inocentes", completou.

No aguardo
O cavaleiro Rodrigo Pessoa, que deve herdar a medalha de ouro em caso de desclassificação de Cian O'Connor, tenta não comentar o assunto. "Vamos aguardar, pois não sei o que pode acontecer agora. Prefiro não falar muito, antes de tomar qualquer decisão é preciso saber o que a FEI vai decidir", disse, em entrevista ao UOL Esporte.

De acordo com o cavaleiro, a FEI não o informou sobre o caso desde segunda-feira, quando anunciou o sumiço da amostra. "Tudo o que sei é o que a imprensa divulgou. Mas não posso ficar pensando nisso, pois as Olimpíadas já passaram e ainda estou competindo", diz.

O cavaleiro, que montou Baloubet du Rouet nos Jogos, adianta que, se a FEI não tomar nenhuma atitude, o caminho é levar o caso ao CAS. "É possível. Não entendo como essa confusão toda pode não dar em nada", afirma Pessoa.

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