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18/09/2006 - 16h51

Quase aposentado, Baloubet continua insubstituível para Pessoa

Bruno Doro*
Em São Paulo
Campeão Olímpico em Atenas, o brasileiro Rodrigo Pessoa está em um momento delicado na carreira. Pela primeira vez, ele não sabe qual cavalo irá montar para se manter entre os melhores do mundo.

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A presença de Rodrigo Pessoa nos Jogos Pan-Americanos é incerta. O campeão olímpico afirma que "adoraria disputar uma competição importante" em seu país, mas condicionou a presença a uma chance de título no Rio 2007. "Só vou considerar essa hipótese se tiver chance de brigar pelo título, seja individual ou por equipes".
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O motivo é a aposentadoria de Baloubet du Rouet. O cavalo de 17 anos, que Pessoa montou nos Jogos de Sydney-2000 e Atenas, está perto da aposentadoria. Duas montarias já estão sendo preparadas para a substituição: Cantate Z, égua de cinco anos, e Oásis, de dois.

O brasileiro, porém, não está otimista. "O Baloubet é um cavalo insubstituível e somente ele, nove anos mais novo, manteria o mesmo nível. Os dois que estamos preparando são novos e têm um bom potencial, mas não a mesma capacidade do Baloubet. Nunca devem chegar a esse nível", lamenta o cavaleiro.

Esta é a segunda transição de cavalos que Rodrigo Pessoa enfrenta desde que se tornou um dos melhores do mundo e a primeira traumática. Suas primeiras vitórias foram com Special Envoy, cavalo que seu pai, Nelson Pessoa, montou durante anos. Foi com ele que Rodrigo foi aos Jogos Olímpicos de Barcelona.

Em 1998, foi a vez de assumir as rédeas de Baloubet, que também foi preparado pelo pai. Com o cavalo francês, Pessoa conquistou a Copa do Mundo por três anos consecutivos, em 1998, 1999 e 2000, além do bronze por equipes nas Olimpíadas de Sydney-2000 e o ouro individual em Atenas-2004.

Enquanto montou Baloubet, porém, Rodrigo sempre teve um segundo cavalo de bom nível à disposição. Em 1998, ganhou o Campeonato Mundial, em Roma, na Itália, com Lianos, hoje aposentado.

Contando com dois cavalos campeões mundias, na época Pessoa cogitou a possibilidade de usar Lianos e aposentar Baloubet. O motivo foram as três refugadas de Baloubet na final da prova individual das Olimpíadas de Sydney, em 2000, que acabou com as chances de ouro do conjunto. O cavalo, porém, se recuperou e continuou como a montaria principal do cavaleiro.

Rodrigo Pessoa não confirmou o favoritismo e, nesta segunda-feira, ficou em segundo lugar na prova de 1,50 m no campeonato Indoor de São Paulo. O campeão foi Eric Zorzetto.
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Desta vez, porém, Rodrigo tem apenas cavalos jovens, como Cantate e Oásis, e intermediários. Esse é o caso de Harry Potter, que está no Brasil para o Campeonato Indoor de São Paulo, na Sociedade Hípica Paulista. "O Harry Potter tem um nível bom para competir no Brasil, mas é intermediário para a Europa. Ele é ideal para descansar o cavalo principal em competições mais longas", explica.

O adeus de Baloubet às pistas, aliás, já deveria ter acontecido. Sua última competição seria Mundial de Aachen, na Alemanha. Uma semana antes, porém, o cavalo contundiu a pata traseira esquerda. "É uma lesão delicada e ele vai precisar ser operado. Como ele já está com 17 anos, o tempo de recuperação vai ser longo, com no mínimo seis meses", diz Pessoa.

Por isso, o cavaleiro planeja ainda mais uma competição para o cavalo. "O Baloubet já é como um membro da família. Ele é um dos maiores cavalos da história e não pode deixar as pistas assim, machucado. Ele merece uma saída gloriosa. Quando se recuperar, vamos preparar essa saída".

Baloubet deve estar recuperado da cirurgia no meio de 2007. Apesar de ter tempo para disputar o Pan, Rodrigo Pessoa praticamente descarta a vinda do animal para o Brasil. "O Pan é uma competição longa e o cavalo tem que estar muito bem fisicamente. Após a cirurgia, dificilmente o Baloubet voltará a ser o mesmo. Acho que os dois cavalos que estou preparando são o suficiente para o Pan", disse.

*atualizada às 20h18

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