UOL Esporte Hipismo
 
04/08/2007 - 09h00

Pessoa desabafa e critica processo de classificação para o Pan

Mariana Lajolo
Da Folhapress
Em São Paulo
A medalha de ouro por equipes no Pan foi um cala-boca a quem transformaram a disputa pelas vagas em uma briga sem escrúpulos e de baixo nível.

Ricardo Nogueira/Folha Imagem
Ouro do Rio, Rodrigo Pessoa desabafa e critica processo de classificação para o Pan
O melhor ginete do país desabafou. E, sem papas na língua, criticou o conturbado processo de classificação para os Jogos do Rio.

O recado de Rodrigo Pessoa tinha ao menos um endereço direto: Vítor Alves Teixeira, cavaleiro que entrou na Justiça contra os critérios usados na seletiva realizada no Brasil.

Sinal do mal-estar criado pela disputa, dizem pessoas envolvidas no evento, o ginete nem sequer foi convidado para o Concurso de Saltos Athina Onassis, em São Paulo.

A principal prova da competição acontece neste sábado, às 12h45, e distribuirá 300 mil euros (cerca de R$ 800 mil) em prêmios.

"Problemas políticos acontecem em todas as seletivas, cada um quer puxar para seu lado. Mas tem de puxar com juízo. E, neste ano, o juízo arrebentou, não existiu", afirmou Pessoa.

"Queria ter me envolvido menos, ter tido um verão mais tranqüilo, mas não pude me omitir. Usei esse processo de aporrinhação para transformar tudo em energia positiva e calar a boca de todo mundo que estava contra a nossa vontade."

A vontade era contar com uma equipe formada basicamente por cavaleiros radicados no exterior. Na avaliação do campeão olímpico, só assim o Brasil poderia buscar o pódio.

Pessoa, que se autodenominou "líder da tropa européia", decidiu interferir no processo de seleção quando a confederação de hipismo anunciou que faria só uma seletiva no Brasil.

Ele e Bernardo Alves, mais bem colocados do ranking mundial, já tinham vagas asseguradas. Mesmo assim, ameaçaram não disputar o Pan. Pedro Veniss era um dos europeus que Pessoa queria ver saltar na arena de Deodoro.

Na seletiva realizada entre os "brasileiros", apenas César Almeida atingiu o índice mínimo.

Teixeira, então, entrou na Justiça contra os critérios adotados na prova nacional. O cavaleiro perdeu a ação, e Veniss levou a outra vaga por decisão da comissão técnica. Karina Johannpeter viajou como reserva. O grupo foi ouro e levou a vaga para a Olimpíada-2008.

"Tem de dar chance para quem pode fazer algo. O César [Almeida] provou isso. Todos querem participar, mas tem que ter condições. Cada um tem a sua hora", disse Pessoa.

Segundo ele, já existe uma seleção permanente de hipismo há 50 anos, na Europa. Por causa do baixo nível das competições e até dos cavalos nacionais, acredita Pessoa, um cavaleiro só consegue atingir a elite se viver longe do Brasil.

"Temos de ter mais humildade e respeitar quem vive fora. Morar na Bélgica não é tão agradável. Essas pessoas estão longe da comodidade de suas casas, da família, para representar nosso país", disse ele.

O presidente da confederação de hipismo, Maurício Manfredi, lamentou o desgaste e disse que só cinco conjuntos poderiam obter vaga no Pan -a seletiva teve cerca de 60 inscritos. "Cada um tinha um pouco de razão. Não quero repetir esse desgaste para a Olimpíada."

Na classificação para os Jogos de Pequim-2008, a entidade deve fazer uma seletiva no país e enviar os melhores conjuntos para a Europa. Eles terão a chance de competir contra os brasileiros no exterior e, então, será definida a equipe.

A reportagem tentou contato com Vítor Alves Teixeira, mas ele não ligou de volta.

Na TV - Concurso de Saltos Athina Onassis - Sportv, ao vivo, às 14h30

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