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Jiu-jitsu e outras lutas não são bem-vindas no judô. Atletas não gostaram

IJF Media by G. Sabau and Zahonyi
Imagem: IJF Media by G. Sabau and Zahonyi

Bruno Doro

Do UOL, em São Paulo

26/11/2014 06h00

O judô e o jiu-jitsu são irmãos, originados do mesmo ramo das artes marciais japonesas. O problema é que o primeiro quer ver seus atletas bem longe do segundo. Ou melhor: quer ver seus praticantes bem longe de todos os outros esportes de combate.

Desde o dia 17, a autoridade máxima do judô abriu guerra aberta a outros tipos de luta. Em uma carta enviada para atletas e dirigentes de todo o mundo, a Federação Internacional proibiu que atletas que aparecem em seus rankings disputem torneios de outras modalidades.

“Qualquer judoca classificado no ranking da FIJ não está autorizado a participar em competições internacionais de qualquer esporte de combate diferente do judô, a não ser que seja autorizado pela FIJ”, dizia o texto.

A notícia não agradou aos envolvidos com o judô. Jimmy Pedro, duas vezes medalhista de bronze em Olimpíadas, campeão mundial em 1999 e treinador da campeã olímpica norte-americana Kayla Harrison, reclamou da decisão. “Eu acabei de saber do veto. A questão é que os atletas não são empregados pela FIJ. Então, a entidade não tem nenhuma autoridade sobre eles”, disse o treinador.

Pelo Twitter, Ronda Rousey, medalhista olímpica em Pequim-2008, foi muito mais contundente em suas críticas – além de não ter papas na língua, a campeã do UFC deixou o judô em 2010. “É esse tipo de baboseira política que está destruindo o judô. Eu fico muito feliz por não ter de lidar mais com esses bastardos”.

Também pelas redes sociais, o agora lutador de MMA Leonardo Leite, que, enquanto era membro da seleção brasileira, nunca deixou de competir em eventos de jiu-jitsu, disse que “se fosse verdade, isso seria um retrocesso para o esporte”. O UOL Esporte tentou falar com alguns atletas ainda em atividade no judô, que poderiam ser afetados pelo veto. Nenhum deles retornou o contato.

Essa não é a primeira vez que o judô caminha em direção ao isolamento de lutas irmãs. Desde que o romeno Marius Vizer chegou ao poder na Federação Internacional, as regras da modalidade vem mudando, claramente para afastar a influência de outras modalidades. Em 2008, veio o veto às pegadas de perna, que eram usadas por atletas com ligação ao wrestling.

Neste ano, as novas regras pareciam ir em caminho cntrário: quando os juízes passaram a aceitar maior movimentação da luta no solo, muitos perceberam como o chão do judô tem elementos similares ao jiu-jitsu. O veto, porém, acaba com esse movimento.

A decisão também vai contra a estratégia que outras modalidades, principalmente o jiu-jitsu, usaram para ganhar popularidade. A arte aperfeiçoada pela família Gracie apostou em torneios de combate abertos para provar sua eficiência. No Brasil, foram promovidos duelos que ficaram famosos contra atletas do judô e do wrestling.

O UFC, aliás, é um fruto disso: criado em 1993 por Rorion Gracie, ele era uma competição entre diferentes estilos de luta, com o objetivo de estabelecer qual era a mais eficiente. As primeiras vitórias de Royce Gracie no torneio mostraram a força do jiu-jitsu brasileiro, que virou essencial no treinamento de atletas de MMA.

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