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Vida no Japão e ascensão meteórica. Quem é a nova aposta do judô do Brasil

Gabriela Sabau/FIJ
Imagem: Gabriela Sabau/FIJ

Demétrio Vecchioli

Colaboração para o UOL

15/04/2017 04h00

Mal chegou ao Brasil, Stefannie Koyama já "sentou na janelinha" da seleção de judô. Ela só não entende o que isso quer dizer. Com um vocabulário ainda restrito a poucas palavras em português, a judoca de 21 anos cresceu nos arredores de Tóquio e se formou na fortíssima escola japonesa de judô. Desde o mês passado, defende o Brasil. Em três torneios internacionais, ganhou duas medalhas de ouro, aparecendo já na 11ª colocação da categoria até 48kg, favorita a substituir a campeã olímpica de 2012 Sarah Menezes.

A piauiense, que vinha tendo dificuldades em se manter nesse limite de peso, passou para a categoria até 52kg este ano e deixou aberta uma lacuna na seleção brasileira. Seria natural que o posto ficasse com Nathália Brígida, que inclusive ameaçou a presença de Sarah nos Jogos do Rio. O que ninguém esperava era a chegada de Koyama, uma completa desconhecida no judô brasileiro até a virada do ano, quando a jovem japonesa de 21 anos chegou a São Paulo para treinar no Pinheiros, já convocada para a seletiva da seleção.

Filha de um casal de brasileiros radicados no Japão, Stefannie cresceu em Gunma, nos arredores de Tóquio. E foi lá que ela aprendeu o judô, tendo como espelho a bicampeã olímpica Ryoko Tani. Como ela, também foi estudar letras na Teikyo University, onde treina. Mas os planos não param por aí.

“Quero ser campeã mundial esse ano”, sonha Koyama, que dificilmente chegaria tão cedo à seleção japonesa. Para tanto, teria que vencer a campeã mundial Ami Kondo, que é apenas alguns dias mais velha que ela. As duas já se enfrentaram seis vezes em torneios no Japão, com Kondo vencendo sempre, inclusive no ginásio que receberá as competições de judô dos Jogos Olímpicos de Tóquio, onde costumam ocorrer os torneios universitários locais.

Gabriela Sabau/FIJ
Stefannie venceu Grand Slam de Baku, no Azerbaijão, e Grand Prix de Tbilisi, na Geórgia Imagem: Gabriela Sabau/FIJ

Vir lutar pelo Brasil acabou sendo a saída para Koyama, que procurou a CBJ. A confederação mantém uma seleção nacional com três atletas por categoria, escolhidas por meio de uma seletiva, na qual a CBJ tinha a prerrogativa de inscrever atletas convidados. Foi o caso de Stefannie, que venceu suas duas companheiras de treinos no Pinheiros: Larissa Pimenta e Gabriela Chibana, que também acabaram entrando na equipe.

O sucesso foi quase instantâneo. Após derrota na estreia do Open de Praga, na República Checa, Stefannie venceu o Grand Slam de Baku, no Azerbaijão, e o Grand Prix de Tbilisi, na Geórgia, acumulando pontos suficientes para já aparecer no número 11 do ranking mundial. Ela inclusive já está convocada para o Campeonato Pan-Americano, no fim do mês.

Encerrado o torneio, ela vai voltar ao Japão, onde pretende concluir a graduação em letras até março do ano que vem. Até lá, só voltará ao Brasil se convocada pela seleção – precisa desse documento para conseguir a liberação da universidade. Mas seu grande sonho, empatado com o título mundial, é vencer o Grand Slam de Tóquio. “Eu sempre fui lá assistir. É muuuuuito legaaaal”, diz Koyama, estendendo as palavras e já pensando em outra vitória em casa, desta vez em 2020.

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