UOL Esporte Lutas
 
27/03/2010 - 07h00

Após doping e cirurgias, pugilista invicto tenta volta por cima e desafia 'tops'

Maurício Dehò
Em São Paulo

A história de Pedro Otas é cheia de altos e baixos, em uma trajetória que inclui doping e lesões, mas também um cartel invicto como pugilista profissional. No início deste mês, o pugilista paulistano retornou após quase um ano e meio afastado dos ringues por cirurgias e, apesar de estar com 31 anos, ainda sonha com um cinturão ou ao menos conseguir viver do boxe como atleta. Para isso, ele faz planos e planeja desafiar os melhores de sua categoria para mostrar seu valor.

Otas começou no boxe amador e fez carreira na seleção brasileira lutando entre os pesos pesado e superpesado. Foi logo antes dos Jogos de Atenas, no entanto, que viveu seu maior drama. Ele não pôde ir para as Olimpíadas ao ser flagrado em exame antidoping, por apresentar alteração hormonal e presença de nandrolona nos testes de urina.

“Eu tive vários incidentes na minha carreira, mas busquei um equilíbrio. Sou forte espiritualmente e isso era o que faltava para mim. Esta foi uma passagem muito triste que tive na minha vida. De lá para cá me perdi um pouco emocionalmente, e aí sofri as consequências até me reencontrar”, explicou Otas.

O reencontro custou a acontecer e foi apenas com o prosseguimento de sua carreira como profissional, já na categoria cruzador - mais leve do que lutava no amador e no início de sua jornada por cinturões. O segundo grande obstáculo foi com uma grave lesão na mão, que gerou a necessidade de duas cirurgias, retardando muito seu retorno aos ringues.

“Já vinha de problemas, tinha um histórico agravado na mão direita, que estava bem debilitada. A primeira cirurgia não ficou boa, tive problemas na recuperação e precisei operar de novo”, conta Otas. Ele voltou com luta no Baby Barione em 2 de março, vencendo, mas admitiu que ainda precisa adquirir confiança para superar o “trauma” e usar a mão com mais vigor ao passar das lutas.

LUTA TEVE FINAL POLÊMICO

Divulgação
O último combate de Otas, o primeiro desde o retorno das cirurgias, teve final polêmico no Baby Barioni, em São Paulo. O rival, Ruy da Glória, reclamou ter recebido um golpe baixo e acabou desclassificado por simulação, dividindo a torcida no local. Foi a 13ª derrota em 28 lutas de Rui.

Hoje, o lutador apresenta um total de 19 combates, todos com vitória - 16 nocautes -, o que possibilita encontrar adversários de nível. O problema é que os melhores do Brasil nem sempre se encontram, por medo de uma derrota prejudicar a carreira e “manchar” seus cartéis.

“Existem hoje bons adversários dentro do Brasil. O problema é conseguir acerto financeiro de bolsas para enfrentá-los, até porque muitos ficam com medo de colocar dois bons lutadores e arriscar a carreira de um deles”, analisou o lutador. “Para a evolução do nosso boxe, precisamos ter estas lutas entre os 'tops'.”

Otas estuda um combate contra Edson Foreman, um dos mais fortes em sua categoria. Antes disso, lutará em Santos, em 13 de abril, contra rival ainda indefinido, mas provavelmente um argentino.

CATEGORIA ‘LEVE’ AINDA DIFICULTA

Depois de ter lutado como pesado e até superpesado no amador, Pedro Otas ainda tem alguma dificuldade na categoria em que resolveu trilhar como profissional. Como cruzador, ele pode pesar, no máximo 90,7 kg.

“Passei a cruzador por uma questão da equipe e dos lutadores que tínhamos. Determinamos que seria melhor lutar abaixo. Mas eu via facilidade aqui na América do Sul para lutar porque eu era mais baixo (1,84 m) e mais leve que meus oponentes, mas tinha vantagem do reflexo e da rapidez, que aliado à técnica me fazia conseguir vencer”, explicou ele, que agora luta com adversários em que sua velocidade tem a importância diminuída, exigindo uma adaptação diferente.

Enquanto tenta viver das bolsas de suas lutas, algo muito difícil no boxe brasileiro, Otas usa seu conhecimento para ensinar a modalidade. Ele administra o boxe de uma academia em São Paulo, dividindo o tempo com os próprios treinos.

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