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Ele foi derrotado em "Falcão", de Stallone, mas é a lenda do braço de ferro

Daniel Lisboa

Do UOL, em São Paulo

15/06/2015 12h43

Entre os vários filmes de ação feitos nos anos 80, e que se tornaram "cults", está “Falcão – O Campeão dos Campeões”. Aquele, que tem o ícone Sylvester Stallone como um motorista de caminhão cuja única chance de ficar com o filho é ganhar uma bolada vencendo um campeonato de...braço de ferro.

Apesar do filme ter se tornado bastante conhecido, o que pouca gente sabe é que nem tudo nele é ficção. Seu nome original em inglês, “Over the Top”, é o mesmo de um dos maiores campeonatos de braço de ferro já realizados. A competição começou em agosto de 1985 e durou onze meses. O seu verdadeiro campeão, porém, não foi o caminhoneiro introvertido que virava uma máquina quando girava o boné para trás. O grande monstro entortador de braços atendia pelo nome de John Brzenk e é uma lenda entre os profissionais do braço de ferro até hoje.

Se neste exato momento você está pensando “que exagero” e “nunca ouvi falar nesse cara”, então atenção: desde 1983, quando levou seu primeiro título mundial com apenas 18 anos de idade, Brzenk saiu faturando praticamente tudo o que disputou. São dezenas de títulos, que foram lhe rendendo a fama de invencível e levaram o Guiness (o livro dos recordes) a chamá-lo de “o maior lutador de braço de ferro da história”.

Diferente do protagonista de “Falcão – O Campeão dos Campeões”, Brzenk não é caminhoneiro, mas piloto de avião. A profissão o ajudou a chegar de maneira mais prática e econômica aos locais onde as competições eram realizadas. Toda a questão envolvendo o filho também nada tem a ver com a vida pessoal do lutador. Porém, se você assistiu ao filme, você já viu John Brzenk: ele aparece como figurante durante alguns poucos segundos: vencendo um oponente no braço de ferro e incentivando outro lutador. 

“Eu não tive muito tempo para conversar ou conhecer o Stallone, mas ele pareceu bem interessado em braço de ferro”, diz Brzenk. O lutador acredita que o filme, lançado em 1987, ou seja, logo depois do campeonato com o mesmo nome, “influenciou positivamente para que as pessoas se envolvessem com o esporte”. E, como se vê nas imagens que ilustram essa matéria, apesar do pouco tempo ao lado de Stallone, Brzenk conseguiu registrar momentos históricos ao lado do astro.

O outro filme citado por Brzenk como importante para a divulgação da queda de braço é “Pulling John”, documentário de 2009 sobre ele mesmo. Para ser mais exato, o filme acompanha a trajetória de dois jovens expoentes do braço de ferro, o americano Travis Bagent e o russo Alexey Voevoda, revela como eles idolatram Brzenk e sabem que, por melhores que sejam, só serão considerados os melhores do mundo após enfrentarem Brzenk, o que acaba acontecendo no final.

“Quando o visitamos na casa dele em Utah, John disse para não perdermos tempo fazendo o filme. Ele explicou que havia dedicado grande parte da vida dele ao braço de ferro e que talvez não haveria um público interessado no assunto”, diz a diretora de “Pulling John”, Vassiliki Khonsari. “Felizmente, ele estava errado”, brinca a cineasta. “É a firmeza e a humildade de John que o fazem tão maravilhoso”, completa Vassiliki (confira no vídeo abaixo alguns dos grandes momentos da carreira de  Brzenk). 

Sobre o filme, a revista Playboy escreveu simplesmente que “John Brzenk é melhor em braço de ferro do que Michael Jordan jamais pensou em ser no basquete”.

Brzenk acredita que, apesar da maior exposição dos esportes na mídia hoje, o braço de ferro não mudou muito desde que começou a carreira. “Acho que tem altos e baixos. A grande diferença que eu vejo é o maior envolvimento de países de fora da América do Norte. Há muito mais talentos hoje”, diz o lutador, que também cita a exposição dos competidores na internet como uma mudança.

John hoje é mecânico da Delta Airlines em Phoenix, no Arizona, e continua competindo apesar da idade – vai completar 51 anos em breve. Em sua longa e inigualável carreira no braço de ferro profissional, ele enumera alguns grandes momentos. “Lá no início, foi ganhar do invencível Johnny Walker”.

Em certo momento de “Pulling John”, Brzenk diz “eu sabia que, para ser o melhor, tinha que vencer Johnny Walker. Ele era uma lenda, tinha nascido para o braço de ferro”. Após várias derrotas, Brzenk finalmente desenvolve uma técnica para bater seu então mais duro oponente e abre, definitivamente, as portas para ele próprio se tornar uma lenda.

Brzenk cita também a vitória sobre outro adversário supostamente invencível, Denis Cyplenkov, em duelo que durou seis rounds. “Eu adoro vencer quando sou considerado o azarão”, confessa a lenda do braço de ferro.

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