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Mayweather pode superar lenda que inspirou Rocky. E Stallone torcerá contra

Divulgação
O ator Sylvester Stallone durante cena do filme "Rocky Balboa" Imagem: Divulgação

Leandro Miranda

Do UOL, em São Paulo

25/06/2017 04h00

Quando Floyd Mayweather subir no ringue em 26 de agosto para enfrentar a estrela do UFC Conor McGregor em uma luta de boxe, estará em jogo não apenas um show midiático para vender uma fortuna em pay-per-view e engordar a conta bancária de ambos os atletas em alguns milhões de dólares. Se vencer a luta, o boxeador americano chegará ao incrível cartel de 50 vitórias em 50 combates, superando uma das maiores lendas do esporte, Rocky Marciano.

Com 49 vitórias e nenhuma derrota em uma carreira profissional que durou de 1947 a 1955, Marciano – cujo verdadeiro nome era Rocco Marchegiano –, além de um dos grandes da história do boxe, foi também uma das inspirações para o pugilista ficcional mais famoso de todos os tempos: Rocky Balboa.

Não foi de se espantar, portanto, quando Sylvester Stallone, criador e intérprete do personagem no cinema, declarou torcida para McGregor no embate com Mayweather. Afinal, o campeão dos leves do UFC, sem nunca ter feito uma luta de boxe profissional na vida, enfrenta diante do favoritíssimo Mayweather uma situação que guarda semelhanças com a que Balboa encarou no primeiro filme, quando ele, um pugilista desconhecido e com cartel mediano, foi escolhido pelo supercampeão Apollo Creed para ser seu adversário pelo cinturão, por motivos midiáticos.

"Torço sempre pelo azarão. Ele [McGregor] é o Rocky da vida real. Mas, se formos analisar direito, eu vivo em um mundo de fantasia. É algo que nunca aconteceu, então é difícil saber o que poderá acontecer na luta", disse Stallone ao site "TMZ", dias depois de a superluta ser confirmada.

Reprodução
Luta entre Rocky Marciano e Joe Walcott em 1953, em Nova York Imagem: Reprodução

Ídolo de Stallone (e de Rocky)

O personagem criado por Stallone, que estreou no cinema com "Rocky" em 1976 (vencedor do Oscar de melhor filme) e estrelou nada menos que seis sequências (a última delas, "Creed", de 2015), teve duas grandes inspirações na vida real. A primeira foi Chuck Wepner, que em 1975 contrariou todas as expectativas ao durar 15 rounds contra o campeão Muhammad Ali – assim como Balboa perde por decisão dos juizes para Creed no primeiro filme, Wepner acabou nocauteado por Ali a 19 segundos do final.

Já Marciano emprestou a Balboa não só o nome e a ascendência italiana, mas também o estilo de luta. Os dois Rockys chegaram ao título mundial dos pesados compensando a pouca envergadura e a falta de técnica apurada com poder de nocaute, queixo de aço e muita determinação. Nos dois primeiros filmes, antes de ser treinado por seu ex-rival Apollo e refinar aspectos como jogo de pernas, agilidade e esquiva, o personagem de Stallone era temido por colocar pressão constante em seus adversários e ser quase impossível de ser nocauteado – uma descrição que caberia bem em Marciano.

Outros aspectos da vida de Marciano também foram traduzidos para a carreira de Balboa. O Rocky real se aposentou abruptamente após sua 49ª vitória, e um dos motivos cogitados foi que seu estilo bruto de luta, que envolvia sofrer muitos golpes até derrubar o adversário, encurtou sua carreira. O Rocky fictício passa por situação parecida no quinto filme, abandonando o boxe profissional depois de reconquistar o título mundial e com a saúde debilitada por causa das surras que levou de Apollo, Ivan Drago e outros oponentes.

O campeão da vida real também tem presença forte na franquia por ser o ídolo de infância de Balboa. O personagem tem em seu quarto um pôster de Rocky Marciano nos primeiros filmes e sonha em repetir seus passos. Já no quinto filme, ele lembra de quando seu treinador, Mickey Goldmill, o presenteou com um cordão de ouro decorado com uma pequena luva de boxe, dizendo que aquele era seu pertence mais valioso. O dono anterior, que dera o cordão a Mickey? Ele mesmo: Rocky Marciano.

Ezra Shaw/Getty Images/AFP
Floyd Mayweather em luta contra Andre Berto Imagem: Ezra Shaw/Getty Images/AFP

Os legados de Marciano e Mayweather

Apesar de Rocky Marciano ter sido uma clara inspiração para Rocky Balboa, e de Stallone ter classificado McGregor como o "Rocky da vida real", curiosamente o ex-boxeador, morto em 1969 em um desastre aéreo, guarda também fortes semelhanças com Floyd Mayweather. Os dois pugilistas, apesar do cartel perfeito e de serem inegavelmente considerados grandes lutadores, são também alvos de críticas parecidas, que têm a ver com o legado que deixam ao esporte.

Os dois invictos são acusados de não terem enfrentado adversários de primeiríssimo nível quando eles estavam em sua melhor forma. Marciano bateu lendas como Joe Louis e Archie Moore quando eles já estavam perto dos 40 anos, enquanto Mayweather só enfrentou nomes do calibre de Oscar De La Hoya e Manny Pacquiao depois dos auges de seus oponentes terem passado.

Quando veículos de mídia especializados fazem listas dos 50 maiores boxeadores de todos os tempos, é praticamente certo que Marciano e Mayweather estejam presentes. Mas Rocky nem sempre figura no top 10, e Floyd pode até ficar fora do top 20. Um cartel invicto não basta para ser considerado o maior da história. E se atingir a impressionante marca de 50-0 contra um iniciante como McGregor, certamente não é isso que fará o legado de "Money" Mayweather crescer sob os olhares dos fãs.?

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