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Faixa preta, irmã de Jair Ventura quer voltar a lutar e se anima com novela

Reprodução/Instagram
Janaina Ventura, irmã de Jair Ventura, é lutadora de jiu jitsu Imagem: Reprodução/Instagram

Luiza Oliveira

Do UOL, em São Paulo

11/10/2017 04h00

O esporte está no DNA da família Ventura. Jairzinho foi um dos craques da seleção da Copa de 70. O filho Jair Ventura é uma das revelações da nova geração de técnicos e brilha no comando do Botafogo. E não acaba por aí. Jana Ventura, filha do craque e irmã do treinador, também seguiu os passos da família, se tornou faixa preta no jiu jitsu e soma diversos títulos na carreira.

Jana começou no jiu jitsu quando ainda era raro encontrar mulheres nos tatames. Chegou a treinar com homens e superou o machismo com golpes de mata leão. Foi terceira colocada em um campeonato Mundial em 1998. Mas, alguns anos depois, acabou deixando o esporte pela dificuldade de obter patrocínio.

Hoje, aos 41 anos, ainda sonha em voltar aos tatames. Ela gostaria de se preparar fisicamente para lutar na categoria máster ou, quem sabe, na categoria peso livre. Também cogita dar aulas em uma academia para incentivar tantas meninas que hoje se enveredam pelo esporte.

Uma das motivações de Jana é a novela Força do Querer, trama das 21 h da TV Globo, que traz Paolla Oliveira no papel de uma policial e lutadora de MMA. Jana confessa que todo dia que vê a novela tem vontade de vestir seu quimono.

“Com certeza. O papel dela me inspira. Eu vejo ela, já acho legal o papel como policial, meu sonho era ser policial federal e lutadora. E ao mesmo tempo ela é muito feminina, não deixa de ser feminina. Mas ela faz MMA, não faz muito meu gênero, prefiro jiu jitsu. Quando assisto fico toda empolgada: ‘amanhã vou botar meu quimono e voltar para a academia’. Meus professores falam: ‘Volta, não pode parar’. Realmente não posso parar”, conta.

Janaína conta até um episódio interessante em que sua mãe encontrou a atriz Paolla Oliveira na rua e comentou: ‘minha filha é faixa preta’. “Ela falou: ‘sua filha deve ser boa porque eu passo perrengue para aprender, fazer preparação física, aguentar as lutas. Parabéns pela sua filha, ser faixa preta não é mole não’. E é isso mesmo, eu amava o esporte. Quando você não gosta muito, deixa de lado. Eu queria ser profissional, ganhar dinheiro e ser famosa”, disse.

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Imagem: Reprodução/Instagram

A vida de Janaína hoje é bem diferente. Ela tem um filho, o pequeno Jair ventura Neto, de oito anos, trabalha como empresária de uma marca de roupas e cuida de duas lojas. Uma na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e outra que é um quiosque em Botafogo. Hoje, precisaria de estrutura e patrocínio para deixar a marca e o filho para se dedicar ao esporte.

"A novela está incentivando mais as lutas para mulheres, nos Estados Unidos e na Europa já está mais difundido. Vai demorar um pouco para virar olímpico, mas creio que vai acontecer. Eu poderia entrar no máster ou na categoria de peso livre, mas tenho que estar muito preparada porque as meninas de hoje em dia têm patrocinadores, apoio. Eu estou há quase 20 anos parada, elas estão muito à frente, não da técnica, mas de preparação".

Início no esporte foi com "olhares tortos"

Desde criança, Janaína sempre praticou esporte. Fez vôlei, basquete, handebol, mas acabou se apaixonando pelas lutas. Com o apoio do pai e de toda a família, treinou jiu jitsu, muay thai e judô. Chegou a ser faixa verde de judô, mas se encantou pelos ataques e imobilizações do jiu jitsu, um esporte que considera super complexo.

Em casa, brincava com o irmão Jair, que mais novo de idade perdia a maior parte das lutas. Nas academias não era diferente. Com poucas mulheres no esporte, muitas vezes tinha que medir forças com os meninos que olhavam torto para ela.

“Na minha academia, os professores mostravam que nós éramos capazes de ganhar deles. Se eu tinha 20 anos, enfrentava um garoto de 15. Muitos respeitavam, outros não: ‘Ah aquela ali é mulher. Não vai acontecer nada. Aí eu finalizava, ganhava na pontuação’. Eles ficavam loucos: ‘como assim perdi dela?’ Mas aí a gente mostrava e começavam a me respeitar, depois ficavam até com medo. ‘Não posso dar mole, senão vou perder braço na finalização ou levar um mata leão’. Nunca tive medo de lutar com meninos".

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Imagem: Reprodução/Instagram

Jana se lembra de algumas lutas marcantes e resultados memoráveis que teve. Foi pentacampeã brasileira, pentacampeã estadual e ficou em terceiro lugar no Mundial de 1998 depois de vencer Leka Vieira em uma luta super disputada.

Hoje, ela considera que ajudou a abrir portas para mulheres. “Acho que eu e minhas colegas na época abrimos portas. O esporte foi crescendo e mostrando que é legal. Recentemente postaram uma luta minha e vi muitos comentários das meninas atuais, dizendo que era uma inspiração, que vão treinar para ficar assim, para ser faixa preta”.

Jana se destacou e, indicada por um professor, chegou a receber um convite para participar de um campeonato de Vale Tudo no Japão. Mas o pai vetou a empreitada por considerar muito agressivo. Na época, o MMA não era difundido como nos tempos atuais. Não havia a exposição em televisão, sites de internet ou redes sociais. Mas hoje ela se arrepende.

“Hoje eu até me arrependo por não ter insistido mais um pouco, estaria bem melhor hoje em dia na parte de patrocínio, financeiro, dinheiro. Na minha época, eu praticamente pagava para lutar, pagava alimentação e deslocamento. Eu tinha a inscrição, tinha patrocínio de quimono, academia para malhar, alguns lugares me davam comida, uma churrascaria na Barra e uma lanchonete. Mas tinha limite, eu não podia comer a hora que eu quisesse. Era um sanduíche ou um suco por mês”, disse. “Fiquei mais de 15 anos parada. Na época fiquei decepcionada com os retornos financeiros, patrocínio, parei de treinar”, relembra, sem perder a esperança de voltar.

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