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Locutor norte-americano Bruce Buffer é a voz do UFC desde o fim dos anos 90

10/01/2011 - 07h00

Voz do UFC divide estrelato fora do octógono com seriados e pôquer profissional

Rodrigo Farah
Em São Paulo

O locutor Bruce Buffer se tornou um dos rostos mais conhecidos do UFC mundo afora. Marcado pelo estilo vibrante e pelos berros de “It’s time!" (Chegou a hora!), o apresentador de MMA mais famoso do mundo ganhou uma legião de fãs e virou sinônimo de empolgação dentro do octógono.

Mas existe um lado de Bruce Buffer que poucos conhecem. Além de comandar a apresentação dos combates do UFC, ele passa boa parte de seu tempo como jogador profissional de pôquer. Na verdade, ele é tão bem sucedido no carteado, que já chegou à mesa final do World Poker Tour.

Em entrevista ao UOL Esporte, o locutor comentou sobre a carreira no UFC e também sobre a participação de gala em seriados como Friends e Entourage. Bruce Buffer ainda falou sobre o relacionamento com o irmão Michael (famoso apresentador de boxe) e sobre seu passado nas artes marciais. Confira os principais trechos da conversa:

UOL Esporte – Como você se tornou um locutor? E como foi parar no UFC?
Bruce Buffer -
Em 1991, fui apresentado oficialmente ao Royce Gracie para realizar um treino de jiu-jitsu em seu dojo. Ele me chamou para uma luta sem luvas e eu concordei. Mas ele desviou meus socos e veio pra cima de mim. Cerca de 25 segundos depois, eu estava sendo estrangulado no chão. Virei um fã do esporte no mesmo instante.

Dois anos depois, era empresário do meu irmão*. Só que ele não poderia continuar no UFC por problemas contratuais e eu decidi entrar em seu lugar. Minha primeira vez foi no UFC 8, em Porto Rico. Era uma oportunidade que eu não poderia perder e estou lá até agora.

*Michael Buffer, famoso locutor de lutas e considerado um dos maiores nomes da profissão

UOL Esporte – Você também tem um passado ligado ao mundo das lutas. Já praticou qual arte marcial?
Bruce Buffer –
Comecei a lutar judô com 12 anos e cheguei até a faixa verde. Depois, passei por uma série de lutas, como o caratê, o kempo e o taekwondo. Gostava muito do Bruce Lee e do Chuck Norris. Mas depois de um tempo, queria sair do dojo e lutar de verdade. Pratiquei kickboxing e juntei com tudo o que eu treinava antes para ir lutar. Mas nunca me tornei profissional, pois sempre queria nocautear. Não me importava com os pontos, ia com tudo para derrubar o outro cara. E nem sempre isso dá certo (risos).

SUCESSO NO PÔQUER PROFISSIONAL

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    Bruce Buffer diz que joga pôquer online todos os dias e ainda disputa torneios nos Estados Unidos

UOL Esporte – Você anunciou as lutas de todos os eventos do UFC desde a oitava edição?
Bruce Buffer –
Quase todos. Só dei uma pequena pausa e voltei no UFC 13, quando participei de um episódio do Friends. Depois que eu fiz o episódio, falei para os donos: “Agora que eu participei do programa, vocês terão que me contratar fixamente”. Desde então, não sai mais.

UOL Esporte – Além de atuar em Friends, você foi convidado para participar da série Entourage. Como foram essas experiências?
Bruce Buffer –
É algo fantástico, como se fossem sonhos de crianças que se realizaram. Quando era menino, queria ser ator. Não consegui, mas participar dessas séries me deu gostinho bem legal.

UOL Esporte – E como ficou o relacionamento com seu irmão quando começou a abrir as lutas do UFC? Ele passou muitas dicas e coisas assim?
Bruce Buffer –
Sempre nos demos muito bem, mas não falamos muito sobre o trabalho do outro. Para mim, ele é o maior anunciador de todos os tempos, é uma pessoa insuperável. Mas é por causa disso que eu sempre quis ter um estilo próprio. Não queria ficar conhecido como um Frank Sinatra Jr. (Filho do cantor homônimo, que sempre viveu à custa do sucesso do pai).

UOL Esporte – Falando sobre o seu estilo, você consolidou algumas frases bem conhecidas que viraram sua marca registrada, como “It’s Time!”. Como criou essas frases e seu estilo agressivo na hora dos anúncios?
Bruce Buffer –
Quando comecei na profissão fui atrás de coisas novas. Queria chamar a atenção de todos sem me prolongar, mas de uma forma forte e excitante. Você tem de pensar que os lutadores deram seu máximo, no mínimo, por oito semanas para chegar ali. E a hora do evento principal é a hora que todos estão esperando. Pensei comigo mesmo, “Chegou a hora!”. Por isso gritei “It’s time!”. Sempre de uma maneira forte e animadora, pois é algo que cativa as pessoas.

VEJA BRUCE BUFFER NO SERIADO FRIENDS

UOL Esporte – Você já errou o nome de alguém em cima do octógono?
Bruce Buffer –
Sou apenas humano. Já tive alguns erros que dá para contar na mão. Mas o mais engraçado deles aconteceu há cerca de dois anos, quando estava anunciando o juiz. Olhei no olho do Mário Yamazaki e não sei porque disse Herb Dean [nome de outro juiz]. Depois até ri com isso. Mas todo mundo comete erros, o segredo é saber dar a volta por cima.

UOL Esporte – Você também esteve presente no único UFC no Brasil até o momento, em 1998. Está animado para voltar ao país neste ano?
Bruce Buffer –
Estou muito excitado. Não vou desde um evento Heroes, organizado pelos Gracies. Já fui quatro vezes ao Brasil e gosto demais daí. Todo mundo parece que é seu amigo, o clima é o melhor possível. O Brasil também tem muitos fãs de MMA e as mulheres mais lindas. É claro que também adoro as praias, o surfe e a comida. O “Churrasco” [pronunciado em português] é realmente muito bom. Não vejo a hora de voltar.

UOL Esporte – Além da carreira no UFC, você também é um jogador de pôquer profissional, não é? Como isso começou?
Bruce Buffer –
Desde pequeno meu pai me ensinou a jogar cartas. Brincava com Black Jack, pôquer... Aí comecei a jogar em um nível semi-profissional. Até que consegui chegar na mesa final do World Tour [equivalente ao Mundial de pôquer] em 2007. Foi bem bacana. Hoje em dia, jogo online quase todos os dias. Estou contente também, pois estou com sorte nesses últimos dias. Ganhei 27 mil dólares recentemente.

CURTAS DE BRUCE BUFFER

Nome mais difícil de pronunciar: Não lembro de um especificamente, mas com certeza não são os de americanos ou brasileiros. Tenho dificuldades com os russos e alguns japoneses.

Nome favorito para anunciar: Randy Couture, por tudo o que ele fez pelo esporte. Além dele, gosto de chamar lutadores como BJ Penn e Chuck Liddell, que são verdadeiros guerreiros.

Lutador favorito de MMA: O Randy é um dos meus favoritos, mas também gosto muito do Anderson Silva e do Lyoto Machida. O estilo dos brasileiros me atrai muito. Também gosto do Shogun e do [José] Aldo.

Combate que mais tem vontade de assistir: Quero ver Lyoto x Shogun III. Na minha opinião, o Lyoto ganhou a primeira luta apesar da polêmica. O Shogun ganhou a segunda. Então nada mais justo do que uma Rubber Match, como falamos aqui, para ver o que acontece. [Rubber Match é um termo utilizado para definir uma luta com resultados anteriores diferentes ou controversos].
 

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