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Anderson admite doping, culpa remédio contaminado e pega 1 ano de suspensão

Diego Ribas / AG.Fight/UOL
Anderson Silva aguarda para ser ouvido na audiência da Comissão Atlética de Nevada Imagem: Diego Ribas / AG.Fight/UOL

Do UOL, em São Paulo

13/08/2015 16h11Atualizada em 14/08/2015 08h36

Anderson Silva assumiu o uso de doping para a luta contra Nick Diaz, no UFC 183. A defesa do brasileiro, no entanto, afirmou que isso aconteceu porque um dos suplementos utilizados pelo lutador estava contaminado. Ele explicou, mais exatamente, que tomou um medicamento para melhora de desempenho sexual dado por um amigo que trouxe da Tailândia.

A Comissão Atlética de Nevada não acreditou em suas explicações e decidiu punir o lutador com suspensão de um ano a contar do dia da luta, 31 de janeiro. Além disso, Anderson Silva foi multado em 30% da bolsa de US$ 600 mil (US$ 180 mil) e perdeu o bônus de US$ 200 mil pela vitória, em uma multa de cerca de R$ 1,3 milhão, e ainda terá que pagar os custos com advogados e com a investigação. Para voltar a lutar, o brasileiro terá que apresentar um teste negativo antes do próximo combate.

O brasileiro, ex-campeão dos médios, foi considerado réu primário e pegou a pena máxima de acordo com a antiga lei, que é de um ano de suspensão a contar do dia do combate. Além disso, o resultado da luta contra Nick Diaz foi alterada para "No Contest" (sem resultado).

Durante o anúncio de sua posição, a comissária Pat Lundval afirmou que Anderson teve a intenção de falsificar o questionário e disse não ter acreditado que o brasileiro tenha demonstrado qualquer remorso por ter ingerido uma substância proibida.

Já o comissário Anthony Marnell disse achar que a defesa de Anderson Silva não disse a verdade e que sente que houve a intenção de utilizar algum produto para voltar da lesão que Spider sofreu.

A audiência

Questionado pela Comissão sobre o motivo de ter ingerido ciális, um suplemento para aumentar a performance sexual, Anderson Silva se mostrou incomodado. "Primeiro, é um assunto pessoal meu. Não tenho que falar para ele porque eu tomei isso", afirmou o lutador, que completou dizendo que não quis ir ao médico pedir prescrição para esse tipo de medicamento.

De acordo com Anderson Silva, o suplemento teria sido dado por um amigo dele, que mora na Tailândia e se chama Marcos Fernandes. Segundo o lutador, os dois se conheceram há cerca de um ano, quando Fernandes veio para o Brasil junto com um dos treinadores do ex-campeão.

“Eu estou falando agora (do uso da substância), porque o negócio estava contaminado. Se não estivesse, ninguém ia saber”, afirmou Anderson durante a audiência.

Anderson Silva afirmou que o medicamento foi utilizado por ele cerca de três meses antes de sua luta contra Nick Diaz. Além disso, teria ingerido a substância mais duas vezes em janeiro: no dia 8, ao chegar em Los Angeles, e na semana em que viajou para Las Vegas para o combate.

A segunda data só foi informada por Anderson Silva depois que o médico Daniel Eichner, por telefone, afirmou à Comissão que a substância fica no corpo por cerca de uma semana, de maneira que não seria possível ele ter tomado apenas no dia 8 e ter aparecido no exame antidoping do dia 31.

De maneira independente, Anderson Silva fez um teste dos suplementos no laboratório "Quest", o mesmo utilizado pelo UFC. Nessa amostra, foi identificado um suplemento contaminado. Ele, no entanto, não foi apresentado pelo procurador geral de Nevada, apesar do pedido da defesa do lutador brasileiro.

Diretor de relacionamento do laboratório em que Anderson Silva fez o teste independente, Paul Scott disse ter recebido uma lista com todos os suplementos ingeridos pelo lutador. Entre eles, estava o utilizado para aumentar a performance sexual, que estaria contaminado com drostanolona, um esteroide anabolizante. 

Em sua fala, a defesa de Anderson Silva negou que ele tenha feito uso de esteroides anabolizantes, como uma das amostras apontou. No entanto, afirmou que se o fez, foi sem ter ciência do que estava ingerindo. Além disso, o brasileiro não contestou o teste realizado em 9 de janeiro, que apontou o uso de ansiolíticos. De acordo com a defesa do lutador, ele usou a substância na noite anterior da luta por causa de ansiedade e insônia.

“Quando eu estava no Brasil, tive uma crise no (nervo) ciático e fiquei uma noite no hospital. Ele foi um dos medicamentos que o médico prescreveu. Se eu sentisse dor, era para eu tomar”, justificou Anderson.

O caso

Anderson foi suspenso preventivamente por ter sido flagrado no exame antidoping em duas oportunidades, uma antes da luta e outra no UFC 183, quando venceu Nick Diaz.

O primeiro resultado do exame saiu alguns dias após o combate que marcou seu retorno ao octógono. A demora na divulgação, de acordo com a Comissão Atlética de Nevada, foi por um atraso do laboratório. Ele foi flagrado com dois tipos de anabolizantes: drostanolona e androsterona.

Já no exame feito no dia da luta, em 31 de janeiro, ele testou positivo novamente para drostanolona na coleta de urina e também foi flagrado pelo uso de dois ansiolíticos (Oxazepam e Temazepam), que são liberados pela Agência Mundial Antidoping, mas proibido pela Comissão Atlética de Nevada.

Por causa do caso, Anderson Silva foi suspenso preventivamente e retirado do TUF Brasil 3, onde era técnico junto com Maurício Shogun. Para seu lugar, os irmãos Minotauro e Minotouro foram chamados.