MMA

Promessa brasileira do MMA usou as lutas para superar tentativa de estupro

Rodrigo Garcia

Do UOL, em São Paulo

13/02/2016 06h01

Desde sexta-feira (12), o Brasil tem mais uma representante no cenário mundial do MMA. A mineira Kenya Miranda assinou contrato com o Bellator e começará ainda este ano sua caminhada em busca do cinturão peso mosca da organização. No entanto, antes de superar as adversárias no octógono, a lutadora precisou superar um problema pessoal: uma tentativa de estupro.

Natural de Belo Horizonte, a lutadora de 27 anos começou sua trajetória no mundo das lutas aos 13 anos, quando a mãe a inscreveu em uma escola de taekwondo. A partir daí, o amor pelo esporte foi crescendo e as competições foram aumentando: seletivas estaduais, nacionais e até a disputa de um Pan-Americano infantil, que lhe rendeu uma medalha de bronze.

E foi voltando de um treino, já com 18 anos, que a lutadora passou por um dos episódios mais traumatizantes de sua vida. Kenya foi atacada por um homem enquanto voltava para casa e, por pouco, não se tornou mais uma mulher vítima de abuso sexual.

“Eu estava treinando até à noite e estava indo embora para casa quando um cara me agarrou pelo pescoço. Ele foi me arrastando para um posto de gasolina desativado. Eu não tinha para ele roubar, então percebi que ele ia tentar me estuprar. Acho que foi o reflexo e o tempo praticando luta que fez eu me ligar. Consegui tirar a mão dele, que estava me enforcando, e comecei a trocar porrada com ele. Apanhei bastante, mas consegui derrubá-lo e então corri. Fiquei com um certo trauma, mas consegui superar isso com meus treinamentos. Eu tive que extravasar, e isso aconteceu pelo esporte, treinando”, disse Kenya em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

De acordo com dados do 9º Anuário Brasileiro do Fórum de Segurança Pública, foram registrados 47.643 casos de estupro no Brasil, o que dá uma média de um caso a cada 11 minutos. Após quase fazer parte desta estatística, Kenya disse que o esporte foi fundamental para superar o que aconteceu.

“É uma situação que, se eu não tivesse a luta na minha vida, eu estava ferrada. Se fosse qualquer outra menina que não tivesse noção de nada, teria acontecido o estupro. Eu já tinha maldade, mexia com luta e então ele não conseguiu concretizar. Fiquei com um trauma certo tempo, mas consegui superar isso com meus treinamentos e lutas. Hoje é um assunto superado, mas a gente não esquece”, ressaltou Kenya.

Carreira no MMA começou por acaso

Reprodução/Instagram
Kenya Miranda começou a carreira no MMA por acaso após fazer um treino a convite de um amigo Imagem: Reprodução/Instagram

Apesar da base sólida conquistada no taekwondo, Kenya não tinha planos de entrar para o MMA até 2012. A atleta tinha planos de estudar e trabalhar, tanto que começou a cursar administração. No entanto, Kenya ainda não estava feliz e mudou para um curso de direito. Novamente Kenya não se encontrou e então partiu para outra atividade: árbitra de futebol.

“Eu fui pro lado do futebol e achei que fosse voltar mais. Mas, a convite de um amigo, eu fui fazer um treino de MMA. Na ocasião eu disse que não era pra mim, que era coisa de homem, um esporte muito agressivo. Mas acabei indo e foi amor à primeira vista”, relatou Kenya.

Já pensando em seguir carreira, a atleta largou tudo que fazia e começou a treinar disposta a atingir o nível necessário para viver do esporte. Entretanto, a lutadora precisou abrir mão de viver ao lado dos familiares, que se mudaram para os Estados Unidos, para continuar treinando na BH Rhinos, equipe que a moldou como atleta de MMA.

“Eu larguei tudo. Minha família foi embora, abri mão de viver com eles e hoje moro sozinha. Minha família sempre me apoiou, eles eram acostumados comigo viajando o tempo todo para disputar campeonatos. Quando mudei para o MMA, não sofri resistência da parte deles, mas abri mão de ter uma vida melhor ao lado deles para poder treinar”, salientou Kenya.

E após realizar quatro lutas no MMA, com duas vitórias e duas derrotas, Kenya recebeu a proposta para ser contratada por um dos maiores eventos de MMA do mundo. Para a atleta, é a realização de um sonho, já que viver do esporte no país ainda não é tão fácil.

“Não é fácil para poder viver, você não consegue patrocínios, a não ser estando em um grande evento, e olhe lá. Para viver disso, se dar bem e poder chegar lá, você tem que se dedicar e persistir. Tem muito mais coisa fazendo com que você desista do que consiga continuar. Eu não esperava ser tão rápida essa chegada no Bellator, mas eu não desisti e as coisas aconteceram”, comentou a lutadora. 

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