MMA

Caratê, cinturão e doping: 10 anos de Lyoto Machida no UFC

Alex Trautwig/Getty Images
Lyoto Machida completa 10 anos como lutador do UFC Imagem: Alex Trautwig/Getty Images

Guilherme Dorini

Do UOL, em São Paulo

03/02/2017 04h00

Lyoto Machida já garantiu seu lugar na história do UFC. Responsável por apresentar o Karate Machida dentro do octógono, o lutador brasileiro marcou seu nome na organização com vitórias inesquecíveis e a conquista do cinturão dos meio-pesados. Mas nem tudo são flores. Na reta final de sua carreira, ele acumula derrotas frustrantes e uma suspensão por ter sido flagrado em um exame antidoping.

Nesta sexta-feira (3), Machida completa dez anos de UFC, e o UOL Esporte bateu um papo com o brasileiro para relembrar os principais momentos de sua trajetória e os planos para o futuro do lutador que completa 39 anos em 2017.

CHEGADA AO UFC

Josh Hedges/Zuffa LLC via Getty Images
Lyoto estreou no UFC contra Sam Hoger Imagem: Josh Hedges/Zuffa LLC via Getty Images

Lyoto chegou ao UFC com oito vitórias e nenhuma derrota em sua carreira. Antes de ingressar no que se tornaria o maior evento de artes marciais mistas, o brasileiro lutou no Jungle Fight, K-1, Inoki e, por último, o World Fighting Alliance (WFA), vencendo nomes que se consagriam no futuro, como Stephan Bonnar, Rich Franklin e BJ Penn.

"Eu fazia um parte de um outro evento, o WFA, que tinha tudo para ser grande, o Rampage (Jackson) já tinha lutado lá também... Mas, infelizmente, o evento quebrou. Então, o UFC acabou 'comprando' os contratos do WFA. Eles escolherem alguns lutadores que interessavam e eu fui junto", explicou como foi sua chegada ao UFC.

KARATE MACHIDA E SEQUÊNCIA INVICTA

Alex Trautwig/Getty Images
Lyoto é considerado um dos melhores caratecas que já passaram pelo MMA Imagem: Alex Trautwig/Getty Images

Lyoto não demorou para se destacar dentro do UFC. Nos meio-pesados (até 93 kg), estreou com vitória sobre Sam Hoger e emendou mais cinco vitórias consecutivas, vencendo nomes como Tito Ortiz e Thiago Silva, que o levaram a outro patamar da organização.

Além das vitórias, Lyoto ganhou destaque pela forma que lutava dentro do octógono. O brasileiro foi responsável por aprensentar um estilo de luta que ficou conhecido como Karate Machida, uma variação do estilo Shotokan, voltado para o uso nas artes marciais mistas.

“Depois da minha chegada, o caratê realmente começou a chamar mais atenção mesmo, já que não é uma arte muito comum para as pessoas praticarem e utilizarem nas lutas. Todo mundo ganhou com isso. O caratê ganhou, eu ganhei, foi bom para todo mundo”, acrescentou.

MAIOR VITÓRIA E CINTURÃO

Josh Hedges/Zuffa LLC via Getty Image
Machida conquistou o cinturão em 2009 Imagem: Josh Hedges/Zuffa LLC via Getty Image

Depois das seis primeiras vitórias, Lyoto teve a oportunidade de disputar o cinturão da categoria contra Rashad Evans, fazendo, assim, um duelo de invictos da organização. E não decepcionou. Com muita velocidade e movimentação, surpreendeu o norte-americano, que praticamente não o encontrou dentro do octógono, e se tornou campeão com um nocaute histórico.

Quando perguntado, Lyoto não hesitou em dizer que aquela deve ter sido sua maior vitória na organização. “Acho que foi sim. Não só pela vitória em si, mas também pela maneira como foi e por representar uma etapa cumprida da minha carreira. Conquistar o cinturão, me tornar campeão do UFC, era um objetivo que tracei e alcancei”.

RIVALIDADE COM SHOGUN

Jon Kopaloff/Getty Images
Lyoto e Shogun fizeram duas lutas seguidas no UFC Imagem: Jon Kopaloff/Getty Images

Depois de conquistar o tão sonhado título, Lyoto fez duas lutas contra Maurício Shogun, um dos seus maiores rivais no UFC, segundo ele mesmo classificou. Na primeira defesa de cinturão, Machida venceu por decisão unânime, mas um resultado que levantou muita polêmica na época (2009). No ano seguinte, os dois fizeram uma revanche, dessa vez, com vitória do rival por nocaute no primeiro round.

“Difícil falar se ele foi o maior rival. Nós fizemos duas lutas, uma seguida da outra... Ganhei a primeira defesa de cinturão, perdi na sequência... Mas tive outras lutas, com outros lutadores, que também foram difíceis, desafiadoras... Dá para dizer que ele (Shogun) foi um dos (maiores rivais)...”

LUTA PARA SE ESQUECER

Josh Hedges/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images
Se pudesse, Lyoto apagaria luta contra Rampage de seu cartel Imagem: Josh Hedges/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images

Após a derrota para Shogun, Lyoto teve pela frente Quinton Rampage Jackson, no que ele considerava uma luta decisiva para se manter no topo da categoria. O resultado, no entanto, não veio. O brasileiro perdeu por decisão dividida e, se dependesse dele, essa seria uma luta apagada de seu cartel.

“Acho que a do Rampage seria uma que eu tiraria do meu cartel. Tinha acabado de vir de uma derrota para o Shogun, um nocaute daquela forma... Era uma luta que eu me testaria, testaria meu psicológico para ver como eu voltaria... Não foi como eu esperava”, contou.

CARREIRA NOS PESOS-MÉDIOS

Josh Hedges/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images
Lyoto disputou o cinturão dos médios, mas perdeu para Chris Weidman Imagem: Josh Hedges/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images

Lyoto ainda viveu alguns bons momentos nos meio-pesados, aposentou Randy Couture com um lindo nocaute, mas não conseguiu tirar o cinturão de Jon Jones, sendo finalizado no segundo round. Depois, até embalou duas vitórias sobre Ryan Bader e Dan Henderson, mas perdeu para Phil Davis e decidiu descer de categoria.

“Depois da luta contra Davis, o UFC me perguntou se eu não queria fazer uma luta na categoria de baixo... Falei que toparia, que queria me testar. Lutei e me senti bem, me senti forte naquele peso”.

O começo de Lyoto entre os lutadores até 84 kg foi bom, com vitórias sólidas sobre Mark Muñoz (nocaute no primeiro round) e Gegard Mousasi (decisão unânime). Então, já teve a chance de disputar o cinturão dos médios, mas não conseguiu superar Weidman. Em uma luta eletrizante, o brasileiro acabou derrotado por decisão unânime no UFC 175, em 2014.

PIOR MOMENTO?

Josh Hedges/Zuffa LLC UFC
Romero (dir.) foi o responsável pela última derrota de Lyoto Imagem: Josh Hedges/Zuffa LLC UFC

Após a frustração de não conseguir se tornar campeão dos médios, Lyoto venceu CB Dolloway e dava indícios de que ainda poderia brigar no topo da divisão. No entanto, derrotas seguidas para Luke Rockhold e Yoel Romero, ambas em 2015, jogaram um balde de água fria no brasileiro.

Para piorar a situação, Lyoto foi pego em um exame antidoping no começo do ano passado. Em abril de 2016, o brasileiro tinha confronto agendado contra Dan Henderson para o UFC Tampa. Após receber uma notificação da USADA (Agência Norte-Americana Antidoping), o brasileiro admitiu ter tomado uma substância proibida fora do período de competições e precisou ser retirado do card. Ele até tentou explicar o que havia acontecido, mas acabou pegando um gancho de 18 meses e só pode voltar a partir de 8 de outubro de 2017.

Lyoto admitiu viver o pior momento de seus dez ano de UFC. “Peguei duas lutas duras... A luta contra o Romero, na verdade, eu não iria aceitar, já que eu tinha acabado de operar minha mão, mas eu também quis ajudar o evento, que precisava de uma luta. A luta aconteceu e, infelizmente, não saiu como planejado... Assim como aconteceu com o Rockhold. Acho que faz parte. Todo lutador passa por um momento difícil na carreira e acho que esse, talvez, é o mais difícil para mim”.

FUTURO NO UFC

Josh Hedges/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images
Qual será o futuro de Lyoto Machida no UFC? Imagem: Josh Hedges/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images

Mesmo faltando um bom tempo para voltar ao octógono, Lyoto só pensa em voltar a lutar. Treinando desde sua última derrota, ele planeja voltar no final deste ano e, mesmo perto dos 39 anos, ainda sonha com o topo dos pesos-médios.

“Estou treinando. Continuando treinando todos os dias para tentar voltar ao topo da categoria. Sempre tive uma vida muito regrada. Essa coisa de idade... Acho que é uma coisa que as pessoas criam... Nós vemos jogadores jogando até uma idade mais avançada... Acho que é uma coisa que a cabeça fala mais alto”, acrescentou.

Quando perguntado sobre uma possível mudança de categoria, talvez até uma volta ao meio-pesados, Lyoto despistou.

“Não tenho pensado muito nisso, acho que não é o momento, ainda tenho um tempo grande para pensar. Tenho que me concentrar no que estou vivendo agora. Até pode ser uma coisa que aconteça, mas não vou dizer que será uma coisa que eu tenha planejado”.

Questionado ainda se achava os meio-pesados um categoria mais fácil para se chegar ao topo, já que não apresenta uma renovação de lutadores, o brasileiro negou. “Não acho que é uma categoria mais fácil, acho que é um momento que a divisão passa, por não aparecer tanta gente nova”, finalizou.

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