Topo

MMA

Aos 9 meses de gravidez, mulher de lutador pode ter bebê na hora do UFC

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Adriano Wilkson

Do UOL, em São Paulo

08/04/2017 04h00

Talita de Oliveira conheceu Charles do Bronx no colégio quando os dois eram adolescentes. No começo ela não gostou dele. Mas eles acabaram indo treinar na mesma academia, e Talita deu a Charles uma segunda chance. Nove anos depois, ela está grávida de nove meses da primeira filha do casal, Tayla.

Durante a gravidez, Charles, um peso pena do Guarujá (SP) conhecido por sempre aceitar enfrentar caras mais fortes, se revelou um pai babão.

Às vezes é difícil imaginar um lutador de MMA chegando em casa todos os dias, deitando-se na cama para brincar e cantar para sua filha ainda na barriga da mãe. Mas foi exatamente isso que Charles fez durante os nove meses da gravidez.

“É só ele chegar perto e tocar a minha barriga que ela fica toda agitadinha, se mexendo, chutando”, disse Talita. “Vai ser bagunceira que nem o pai.”

“Ter um filho ou uma filha era o grande sonho da minha vida, que graças a Deus eu estou realizando agora”, disse Charles.

Mas em uma manhã recente em São Paulo, o lutador descansava de um treino pesado com sua equipe enquanto comentava sobre um golpe certeiro que recebeu do destino. A reta final da gravidez coincidiu com o UFC 210, em Buffalo (EUA), e ele havia sido escalado para a luta.

William Lucas/Inovafoto
Imagem: William Lucas/Inovafoto

Na noite deste sábado (8), quando Charles estiver entrando no octógono para enfrentar o americano Will Brooks, Talita estará em casa no Guarujá, com exatamente 9 meses de gravidez e na iminência de entrar em trabalho de parto.

Talita já combinou tudo com sua médica obstetra: “Falei para ela colocar um telão no centro cirúrgico pra gente ver a luta lá”. Ela quer ter um parto normal, mas “na hora a coragem pode não aparecer e posso optar por uma cirurgia.”

O casal acredita serem altas as chances das contrações começarem exatamente no momento da luta, porque Talita sempre fica muito nervosa ao ver o marido em combate.

Por isso ela já decidiu: pela primeira vez desde que Charles começou a competir (ele está no UFC há sete anos), Talita não verá uma luta sua. Quando sua família se reunir para torcer, ela promete se esconder no quarto e se ajoelhar para rezar pelo sucesso do marido. “Quero só ouvir o grito da vitória.”

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

O destino é incontrolável, mas ela vai fazer o possível para não trazer Tayla ao mundo enquanto Charles estiver longe. Charles, como um bom pai babão, quer estar bem perto quando a filha nascer. Sua volta ao Brasil, perdendo ou ganhando a luta, está marcada para segunda-feira. Talita também já prometeu que, caso tenha o bebê antes, não avisará ao marido. “Ele vai ter que chegar ao Brasil para saber”, disse ela.

Charles e Talita, que começaram a se gostar dentro de uma academia e hoje são proprietários de outra, esperam que a filha tenha uma vida ligada ao esporte, mas não querem que ela se torne lutadora de MMA. “É uma vida muito sofrida”, comentou a mãe. Ela disse que vai apoiar de todo o coração, porém, se Tayla quiser treinar e lutar jiu jitsu, um esporte conhecido como “a arte suave”.

Tayla ainda não nasceu, mas já ganhou um presente muito natural para a filha de um casal tão envolvido com esportes de luta: um quimono cor de rosa com seu nome gravado na frente.

UFC 210 Cormier x Johnson
Em Buffalo, no estado de Nova York
Card principal a partir das 23h (de Brasília)

Facebook Messenger

Receba as principais notícias do dia. É de graça!