MMA

Belfort ainda tem mais uma luta no contrato com UFC, mas futuro é incerto

Heuler Andrey/UOL
Vitor Belfort fica no chão após ser nocauteado por Ronaldo Jacaré no UFC 198 Imagem: Heuler Andrey/UOL

Guilherme Dorini

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

31/05/2017 18h16

Qual será o futuro de Vitor Belfort? Essa é a grande questão dentro do mundo do MMA nos últimos dias. O Fenômeno anunciou sua luta no UFC 212, sábado (3), no Rio de Janeiro, como a última de sua carreira, mas depois voltou atrás, disse que seria apenas sua derradeira na organização e, agora, muda o discurso novamente, declarando vontade de seguir ao lado de Dana White. O que irá acontecer, ninguém sabe. O fato é que, ao contrário do que a grande maioria pensa, esse não é o último compromisso do contrato do brasileiro com o Ultimate.

Segundo apurou o UOL Esporte, Belfort tem, além do combate contra Nate Marquardt, mais uma luta em seu contrato com o UFC. Agora, você deve estar se perguntando: “se não é a última, por que todo esse mistério criado?”. Nós explicamos.

A grande questão é que Belfort não vive mais seu melhor momento na organização. Sua bolsa, no entanto, continua alta. Como é um dos mais experientes do atual elenco de lutadores do UFC, e também já foi campeão, seu salário é alto, o que estaria incomodando a entidade – apesar de o brasileiro frequentemente reclamar dos valores e da forma como o pagamento é distribuído por Dana White e companhia.

Para exemplificar a situação, pegamos números do UFC Fortaleza – última vez que Belfort subiu no octógono mais famoso do mundo. Apesar da derrota (que depois virou sem resultado) para Kelvin Gastelum, o brasileiro teve o maior pagamento do evento. O Fenômeno embolsou 300 mil dólares do evento, mais US$ 15 mil do patrocínio da Reebok, fornecedora de material oficial da organização – essa ainda é a quinta vez seguida que Vitor fatura pelo menos esse valor.

Para comparação, Gastelum, que nocauteou o brasileiro, mas acabou pego no doping semanas depois, embolsou um total de US$ 134 mil, sendo US$ 37 mil do evento, US$ 37 mil de bônus pela vitória, US$ 50 mil pelo “desempenho da noite” e mais US$ 10 mil da Reebok.

A partir da situação apresentada, são três os cenários possíveis para a carreira do brasileiro. Aposentar-se dos cages, sem dúvida, é o menos provável neste momento. É verdade que seria a opção mais fácil no momento, mas não parece essa a vontade do seu estafe e, principalmente, do ex-campeão.

A segunda opção seria continuar na organização e fazer sua última luta no contrato. Essa alternativa também é considerada fácil e agrada Belfort, que sempre se considerou um parceiro do UFC, mas possui um porém. Vitor já declarou (várias vezes) abertamente que deseja a criação de uma “Liga das Lendas” para que ele possa continuar lutando, mas com adversários veteranos e com algumas adaptações de regras. Dana White, no entanto, não se anima muito com a ideia, o que dificultaria uma negociação. Outra opção neste mesmo cenário, é que ele continue na entidade, mas com algum cargo executivo – como, por exemplo, Rodrigo Minotauro, embaixador da marca.

Uma última, e mais complicada, escolha, é a de Belfort deixar o UFC para competir em outra organização. Por um lado, isso seria bom para o UFC, que se livraria do alto salário de um lutador que já não agrega tanto na parte esportiva. Por outro, no entanto, é arriscado. Apesar de estar em baixa, Vitor possui um potencial considerável de audiência, ou seja, aumentaria a concorrência do Ultimate, principalmente se a escolha for o Bellator - onde foram Wanderlei Silva, Chael Sonnen e Fedor Emilianenko. Segundo apurou a reportagem, essa decisão só seria tomada se a entidade comandada por Dana White aceitasse de maneira amigável a saída do Fenômeno.

"Vitor vai de luta em luta, o público não quer que ele pare, tenho provas disso. Tenho meu patrão, que é o UFC, pedindo para não parar (de lutar) porque diz que ele traz gente para a arena, tenho várias outras ofertas do mercado. Por mim, ele não pararia, ainda está bem na parte física, técnica e tem muito apelo com os fãs, mas depende dele, ele tem muita lenha para queimar”, disse Gustavo Lacerda ao UOL Esporte, empresário de Belfort ao lado da esposa do lutador.

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