MMA

Lutador supera perda do filho, chega ao UFC e ganha fãs no Youtube

Arquivo pessoal
Vitor Miranda com a filha Nina, que nasceu após a morte de Igor Imagem: Arquivo pessoal

Adriano Wilkson

Do UOL, em São Paulo

05/09/2017 04h00

Vitor Miranda jamais esquecerá daquele verão. Ele tinha ido aos Estados Unidos em busca do sonho de ter uma carreira no MMA. Sua mulher Paula e o filho Igor tinham ido com ele. A família morava na casa de um amigo enquanto Vitor tentava se estabilizar no país. Igor saiu de casa para buscar um biscoito no quartinho dos fundos e acabou caindo na piscina. Vitor estava treinando. Paula só o encontrou minutos depois e correu para o hospital.

O garoto ficou quatro dias em coma. Morreu no dia 24 de junho de 2011, no mesmo dia em que completou quatro anos de idade. A tragédia fez Vitor, um antigo campeão de kickboxing, cogitar o fim da carreira. Foram três meses de dor e agonia que lhe deixariam cicatrizes para sempre.

A família foi acolhida por Antônio Pezão, um lutador brasileiro do UFC. Sem poder renovar seu visto, Paula e Vitor voltaram ao Brasil.

“Eu ficava me perguntando: ‘O que eu vou fazer da minha vida agora?’”, disse Vitor Miranda, em uma conversa por telefone em Joinville, Santa Catarina, sua cidade natal. “Eu tinha ido aos EUA tentar essa profissão muito louca que nos trouxe essa tragédia. Teve a pressão da família pra eu parar, mas decidi continuar. Eu seria um cara frustrado se tivesse feito diferente. Cada vitória agora é dedicada a meu filho.”

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Quando o ex-lutador Rodrigo Minotauro descobriu a história de Vitor, ofereceu a ele a oportunidade de treinar de graça em sua academia no Rio. Vitor e Paula, uma empresária dona de um estúdio de estética, foram morar na capital carioca. Com o tempo, o lutador foi melhorando nos treinos, chegou na final de um reality show para lutadores, até que em 2014 recebeu um contrato do UFC.

Hoje, recuperado do luto, se prepara para sua sétima luta no maior torneio de MMA do mundo. Aos 38 anos, o catarinense tem ganhado bastante notoriedade e angariado uma legião de fãs graças a vídeos que vem postando em seu canal do Youtube. Hoje ele se considera “o lutador youtuber mais famoso do Brasil”. Começou gravando com o próprio celular, depois comprou uma câmera mais rebuscada e até um drone e aprendeu edição com tutoriais na internet.

Dono de uma linguagem muito parecida com a dos youtubers mais famosos (pede likes, faz sorteios entre os seguidores, interage com eles nos comentários...), Vitor tem dividido seu tempo entre os treinos e a produção, gravação e edição dos vídeos, que tratam basicamente de tudo o que acontece em seu dia: as viagens, os bastidores do UFC, o corte de peso, a depressão pós-derrota...

“Na minha última luta pensei em fazer um relatório semanal de como estava sendo minha preparação, comecei a pegar referências na internet e comecei a fazer. De repente cresceu demais.”

Daniel Ramalho/Inovafoto/UFC
Imagem: Daniel Ramalho/Inovafoto/UFC

Desde o começo do ano o canal já conseguiu 100 mil inscritos. Ele costuma publicar um vídeo a cada dois dias. Sua intenção é que sua história e seus valores sirvam de inspiração a outras pessoas que o assistem.

Nos comentários de um vídeo recente, um rapaz de Portugal disse que os vídeos de Vitor o ajudaram a superar um momento difícil na vida. “A gente faz uma coisa que acha óbvia, mas pra muita gente ela não é tão óbvia assim”, disse o lutador. “O cara tira uma coisa positiva e você nem imagina. Isso pra mim não tem preço. Não quero ser guru de ninguém, não quero ser um cara chato que fica falando de motivação na internet. Mas quando vejo esse tipo de comentário, me sinto muito recompensado.”

Como atletas têm uma carreira curta, quando parar de lutar Vitor pretende dar palestras contando sua história e mostrando seus valores. O índice de visualizações de seus vídeos (um deles já foi visto mais de 2 milhões de vezes) já garantiram cerca de 200 dólares, verba que ele espera que cresça no futuro próximo.

Ele ainda não contou a seus seguidores sobre a perda de Igor. Diz estar ensaiando o que falará ao tratar do assunto. Quem o assiste em momentos de intimidade já se acostumou a ver outra criança pulando pela casa.

“Paula queria outro filho, mas eu dizia: ‘Deus me livre passar por isso de novo”, lembra o lutador. “Ela ficou em depressão, e eu percebi que não bastava ela ser amada por mim, pela família dela... Ela precisava ter o amor de um filho. Foi quando decidimos. E veio a Nina, hoje a nossa razão de viver.”

O catarinense, que foi jogador de basquete na adolescência, chegou a ser gerente de uma locadora de DVDs e ganhou o apelido de Lex Luthor pela semelhança com o arquirrival do Superman, tem luta marcada para dezembro no UFC.  

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