MMA

Time de MMA do Corinthians faz sucesso em octógono dentro de igreja

Adriano Wilkson/UOL
Inaildo Gojeba, lutador do Corinthians, celebra vitória no torneio de MMA gospel Imagem: Adriano Wilkson/UOL

Adriano Wilkson

Do UOL, em São Paulo

15/09/2017 04h00

Em bairro da zona leste de São Paulo, um pastor abençoa os torcedores do Ultimate Reborn Fight, o autointitulado maior evento de MMA cristão do mundo, realizado dentro de uma igreja evangélica. Entre uma luta e outra, um bispo da igreja Renascer sobe no octógono montado na frente do altar para dizer que Jesus Cristo foi o maior lutador de todos e que seus fiéis não podiam se deixar “finalizar” pelos problemas da vida.

Alheio a esses esforços de evangelização, o atleta Augusto Sparta, de 23 anos, se aquece em uma das salas no interior da igreja. Cristão, ele saiu do litoral do Pará para tentar a vida de lutador na capital paulista e agora se prepara para enfrentar o 11º adversário oficial de sua carreira.

Ele faz parte da Corinthians MMA, a única equipe de artes marciais mistas do país mantida por um clube de futebol. Cerca de 30 atletas treinam diariamente em uma academia no Parque São Jorge, sede do time de futebol. Alguns também vivem lá. Outros recebem uma ajuda de R$ 700 para se manter em São Paulo.

Augusto está há oito lutas sem perder. Três delas ele venceu por finalização ou nocaute.

Adriano Wilkson/UOL
Augusto Sparta está há um ano e meio em São Paulo Imagem: Adriano Wilkson/UOL

Quando ele é anunciado, caminha em direção ao octógono ladeado por um séquito de corintianos uniformizados com a camiseta do time. Um garoto o abraça. Um grito ecoa nas paredes altas da igreja: “Vai Corinthians!”

E então, o grito se repete, transformando por alguns segundos a igreja-octógono em um arremedo de arquibancada de estádio: “Vai Corinthians!”

E Augusto Sparta, corintiano de infância, vai. Tão concentrado nos movimentos que precisa fazer para derrotar seu adversário, ele escuta os gritos de incentivo apenas no caminho ao octógono. Dentro dele, o lutador fica surdo à plateia. Em um esporte de anônimos, os atletas do Corinthians são uns dos únicos que levantam a torcida onde quer que vão. Empurrado pelo público, Augusto encaixa uma sequência de socos e chutes que derruba seu rival. Nocaute em menos de um minuto.

Divulgação
Imagem: Divulgação

Ele sobe no gradil do octógono para delírio da torcida corintiana e de uma tia que veio do Rio de Janeiro especialmente para vê-lo lutar. Na entrevista à TV depois da luta, dedica a vitória a Deus e lembra que hoje é dia 1º de setembro de 2017, dia do aniversário de 107 do Corinthians.

Time de MMA é uma herança de Anderson Silva

Em 2011, quando o Brasil vivia uma febre de MMA, o Corinthians contratou Anderson Silva, na época ao lutador mais famoso do país. Como parte do contrato, Anderson montou uma academia de artes marciais no Parque São Jorge e começou a prospectar treinadores para formar uma equipe profissional.

Junior Cigano dos Santos, outro campeão do UFC, também foi contratado pelos alvinegros. Hoje, sem Cigano ou Anderson, o clube tem apenas um lutador no UFC, o paraense Douglas Silva, que em agosto conheceu sua primeira derrota no maior torneio do mundo.

Os trinta corintianos que lutam MMA profissionalmente pelo clube disputam torneios nacionais e se misturam à multidão de atletas desconhecidos que sonham em um dia alçar voos mais altos. Eles têm uma estrutura não oferecida à maioria de seus adversários, porém.

Adriano Wilkson/UOL
Imagem: Adriano Wilkson/UOL

Além de alojamento, alimentação e uma verba própria, Augusto Sparta comemora a oportunidade de ter exames médicos bancados pelo Corinthians. A maioria dos atletas de equipes menores precisa tirar dinheiro do próprio bolso para fazer exames pré-luta, já que não é costume dos promotores dos torneios oferecê-los.

“No Pará, eu fazia bicos de segurança para ter dinheiro para lutar”, disse Augusto Sparta. “Aqui posso fazer exame de tórax, cabeça, coração, sangue, tudo no departamento médico do Corinthians.”

Inaildo Gojeba, irmão de Augusto, também lutou no torneio gospel, também defendendo as cores do Corinthians. Após três rounds de um combate equilibrado, Gojeba conseguiu a vitória de acordo com a avaliação dos juízes. Os irmãos e os outros membros do time corintiano comemoraram as duas vitórias como uma rodinha e gritos de guerra em homenagem ao “time do povo”.

Em uma época em que a equipe de futebol passa por uma fase turbulenta no Campeonato Brasileiro, o MMA corintiano vem conseguindo manter o clube nos trilhos da vitória, ao menos dentro do octógono.

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