MMA

Rival de Lyoto já usou lentes no cage e teve que corrigir miopia para lutar

UFC/Divulgação
Imagem: UFC/Divulgação

Adriano Wilkson

Do UOL, em São Paulo

26/10/2017 12h00

Derek Brunson vive no estado americano da Carolina do Norte, mas virá ao Brasil no fim de outubro para enfrentar Lyoto Machida, na volta do “Dragão” após um ano e meio afastado do UFC por doping. Aos 33 anos, Brunson tem um cartel positivo no UFC (oito vitórias e três derrotas). Em visita a São Paulo, o americano contou uma curiosidade sobre sua carreira.

Em 2012, quando estava perto de enfrentar o brasileiro Ronaldo Jacaré pelo torneio Strikeforce, Brunson precisou se retirar da luta por conta de seus quatro graus de miopia. Assim como cerca de 1,45 bilhão de pessoas ao redor do mundo (27% da população do planeta), ele tinha dificuldade pra ver de longe. “Minha vista era muito ruim mesmo”, disse o lutador em visita ao UOL Esporte na semana passada.

Até então, Brunson havia feito muitas lutas com lentes de contato. Quando levava um golpe na região dos olhos, as lentes frequentemente saiam do lugar, o que o obrigava a tentar reposicioná-las no meio do combate: “Eu ficava blink-blink”, disse ele, piscando os olhos para mostrar como fazia no meio do combate.

Mas para a lutar contra Jacaré, a comissão atlética o impediu de subir no cage porque, caso suas lentes caíssem no meio da luta, sua acuidade visual não seria suficiente para ele permanecer no octógono com segurança. “Eu não diria que é perigoso lutar de lentes”, disse Bruson. “É mais perigoso lutar sem elas. Quando elas caíam, a vista ficava embaçada, mas eu conseguia enxergar bem se o adversário estivesse dentro do alcance, embora minha visão [para longe] fosse horrível.”

Depois da luta cancelada, Brunson passou por uma cirurgia que corrigiu sua miopia. Hoje, diz enxergar bem. Mas no ano passado ele teve outro problema de visão que o tirou da luta contra Gegard Mousasi, já pelo UFC (que comprou o Strikeforce e contratou seus lutadores).

Wander Roberto/Divulgação UFC
Imagem: Wander Roberto/Divulgação UFC

Durante os treinos, sua vista ficou embaçada novamente, a ponto de ele ter que pedir para sair do evento. Segundo Brunson, a culpada dessa vez foi a pequena tela de seu celular.

“Eu estava em Albuquerque treinando muito intensamente para a luta, fazendo muito exercício de cardio, correndo”, disse ele. “Entre um treino e outro, eu volto pro meu quarto e fico só deitado lá, sem querer me mexer muito até o próximo treino. Então eu começo a jogar no meu celular. Eu tenho esse celular bem pequeno que eu gostava de segurar bem perto do meu rosto, e isso estraga com sua vista também.”

“Eu não sabia o que era na época, mas fui no médico e era isso. Com o tempo, a minha vista voltou ao normal e eu também baixei a luz da tela do celular. Você não deve ficar olhando para uma tela pequena especialmente quando está escuro e por um longo período.”

UFC/Divulgação
Imagem: UFC/Divulgação

Procurada pela reportagem, a médica oftalmologista Luciane Moreira, chefe do serviço de lentes de contato do Hospital de Olhos do Paraná, disse que, dependendo do tipo de lente, usá-la durante uma luta de MMA não é necessariamente perigoso.

Lentes do tipo gelatinoso não representariam um risco grande, pois são flácidas e se moldam à superfície do olho. “O problema maior é se ocorrer um edema na pálpebra por causa de um golpe mais forte e inchar de uma forma que fique difícil tirar a lente lá de dentro”, disse ela.

A médica também apontou o tipo de lente ideal para quem pratica esporte de contato, a ortho-k (ortoceratologia), uma lente noturna que molda os olhos durante a noite de maneira que o usuário não precise usá-la durante o dia (ou durante a luta) e ainda assim possa enxergar bem.

Derrota para Anderson Silva foi "roubo"

Recuperado da miopia e após baixar a luz da tela de seu celular, Derek Brunson chegou a enfrentar o brasileiro Anderson Silva, em uma luta cujo resultado gerou controvérsia entre fãs e jornalistas especializados. Os juízes deram vitória ao brasileiro, decisão com a qual Brunson não concorda até hoje. Ele afirmou ter se sentido roubado na ocasião:

“Ele não me bateu muito. Me acertou talvez umas 40 vezes e eu acertei ele umas 120 vezes. Eu o derrubei duas vezes. Quando se trata de coisas assim, os números não mentem. Eu o derrubei e definitivamente ganhei aquela luta, mas ele é um grande nome, uma lenda do esporte, então quando a luta acaba os juízes talvez tendam a ir pro lado dele.”

Em sua passagem de apenas dois dias por São Paulo, o americano aproveitou o pouco que deu. Foi ao Museu do Futebol no Pacaembu, onde arriscou chutes em uma bola (ele disse que é um bom jogador de futebol), e comparou a maior cidade brasileira a Nova York. “Tem um trânsito bem intenso e prédios legais. Estou empolgado para voltar e ver mais coisas.”

Anthony Geathers/Getty Images/AFP
Imagem: Anthony Geathers/Getty Images/AFP

Quando venceu Uriah Hall no ano passado, ouviu vaias de uma torcida que não concordou com a decisão do árbitro de interromper o combate dando nocaute técnico a seu favor. Na ocasião, ele pegou o microfone e pediu “mais amor e menos ódio”. Ele sabe que enfrentará muitos gritos ameaçadores da torcida brasileira quando enfrentar Lyoto em outubro. Mas diz não se importar.

“Eu não me importo muito com que as pessoas estarão cantando porque no fim das contas sou eu dentro do octógono”, disse ele. “Eu ainda não vi o público pulando lá dentro para ajudar alguém. Sou apenas eu e meu oponente. Mas tem uma coisa que eu digo sobre a torcida brasileira. Eles são muito apaixonados e apoiam demais o atleta deles, enquanto nos EUA há tantos atletas que o público tende a não ser tão caloroso. Então eu sei onde vou estar lutando.”

A luta entre Derek Brunson e Lyoto Machida será no dia 28 de outubro, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo. 

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