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Adrenalina e olhos bem abertos: xodó do MMA se prepara para estreia no UFC

Divulgação/Invicta FC
Mackenzie Dern castiga Kaline Medeiros durante luta no Invicta FC Imagem: Divulgação/Invicta FC

Brunno Carvalho

Do UOL, em São Paulo

02/03/2018 04h00

Mackenzie Dern caminhou em direção ao cage posicionado em uma pequena cidade nos Estados Unidos. No percurso, reencontrou a adrenalina perdida nos tempos de jiu-jitsu. Naquele momento, percebeu que havia feito a escolha certa. O MMA seria a nova casa da lutadora multicampeã na arte suave.

“Quando comecei a andar em direção ao cage, com a música tocando... precisava dessa adrenalina. Pensei que se estava me sentindo como no jiu-jitsu, então teria muito sucesso no MMA também”, relembrou.

Mackenzie é uma estadunidense de sangue brasileiro. Nascida em Phoenix, a lutadora é filha de Wellington “Megaton” Dias, uma lenda viva do jiu-jitsu tupiniquim. Assim como o pai, ela conquistou tudo que podia na arte suave: campeã mundial por duas vezes e dona do título do ADCC, o maior torneio de grappling do mundo.

Menos de dois anos após estrear no MMA, ela se prepara para entrar na maior organização do mundo. No sábado (28), Mackenzie enfrentará a americana Ashley Yoder na última luta do card preliminar do UFC 222.

A transição vem sendo acompanhada de perto pelo mundo das lutas. Desde os tempos de jiu-jitsu, a jovem de cabelos castanhos longos e olho claro é destaque constante de notícias que especulavam o momento em que ela ingressaria no Ultimate.

“Já estava me sentindo preparada para entrar e seguir evoluindo com as atletas do UFC. Achava que isso me ajudaria a evoluir como lutadora. O melhor era me arriscar”, explicou Mackenzie, dona de um português quase impecável e um sotaque que se assemelha ao carioca.

Antes de chegar ao UFC, Mackenzie disputou cinco lutas em eventos menores. Nesse período, conviveu com a dificuldade para bater peso e chegou a se arriscar nos moscas (56,7kg). Por fim, fará sua estreia no Ultimate na categoria dos palhas (52,2kg).

“Logo que entrei no UFC, tentei essa dieta que eles fazem, que desidrata muito. Na minha vida inteira fiz uma dieta diferente, não tinha essas 24 horas para se recuperar. Na última luta, decidi voltar para a dieta do jiu-jitsu e nunca me senti melhor. Não será fácil no palha, mas acho que vou melhorar a cada vez”.

O importante é sempre estar com o olho aberto

Mackenzie experimentou no MMA algo que não conhecia no jiu-jitsu: levar um soco na cara. O medo de sair machucada ficou para trás, mas a lutadora aprendeu uma válida lição para os treinos e lutas: jamais fechar o olho.

“O que me dá mais medo é tomar aquele soco que você não sabe de onde veio. Já tomei um desse na academia. Foi isso que me fez começar a deixar o olho aberto o tempo inteiro. Posso até levar o soco, mas quero saber de onde veio”.

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

Os treinos na academia têm preocupado Mackenzie mais do que as lutas. Mas não que seu local de treinamento não seja bom. O problema é que um soco tomado sem adrenalina dói muito mais do que um no calor da luta.

“Fico muito mais nervosa na academia do que na luta. Não tem a adrenalina para tirar a dor. A minha parceira de treino sabe todos meus pontos fracos, sabe tudo. Fico com mais medo de tomar nocaute no treino do que na luta mesmo”.

A passagem de Mackenzie pelo MMA promete ser curta. A lutadora tem planos ambiciosos, mas rápidos: ser campeã do UFC e defender seu cinturão poucas vezes.

“Não estou com pressa, mas não quero ficar aqui por 10 anos. Quero ganhar o cinturão e defender algumas vezes. Mas não quero tomar muito soco na cara, não. Ficar anos fazendo isso não é para mim”, completou.

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