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Como Dos Anjos retomou alegria de lutar e agora pode fazer história no UFC

Brunno Carvalho

Do UOL, em São Paulo

13/03/2018 04h00

Rafael dos Anjos mal assinava o contrato de uma nova luta e já começava a sofrer com o que viria pela frente. O doloroso processo de corte de peso não tirava apenas os quilos necessários para lutar nos leves. Arrancava também a vontade em fazer isso por mais tempo. O drama resultou na perda do cinturão para Eddie Alvarez e a derrota seguinte para Tony Ferguson. Algo precisava ser feito.

“Depois da luta com o Ferguson decidi que precisava recuperar o prazer de lutar. Durante os treinamentos, eu não tinha vida, não conseguia sair com a minha família, sempre estava de mau-humor. Foi a melhor decisão que tomei”, afirmou.

Dos Anjos decidiu atuar na divisão dos meio-médios. Lá teria sete quilos a mais para se preparar. Podendo lutar com 77kg, os resultados voltaram a aparecer: vitórias sobre Tarec Saffiedine, Neil Magny e Robbie Lawler. “A semana da luta é muito melhor agora. Preciso perder no máximo quatro quilos, é uma moleza”.

A sequência de vitórias colocou Dos Anjos na fila para disputar o cinturão. Mesmo com o campeão Tyron Woodley pouco convencido a fazer esse combate, Dana White, chefão do UFC, já afirmou mais de uma vez que o brasileiro será o próximo desafiante ao título.

“Tem o ditado que eu sempre uso: manda quem pode, obedece quem tem juízo. O Woodley não quer – não porque ele esteja com medo de mim -, mas ele sabe que sou um cara motivado nesse momento”, afirmou Dos Anjos. “Acho que ele está querendo uma forma de não lutar contra um cara mais duro no momento. Até entendo, mas tem uma hora que chega na boca do funil e não tem jeito. Eu sou o cara número 1 dessa categoria para lutar pelo cinturão”.

Um triunfo sobre Tyron Woodley faria com que Dos Anjos entrasse para a história do MMA brasileiro. Ele se tornaria o primeiro lutador do país a conquistar o cinturão em mais de uma divisão no UFC. Quem chegou mais próximo foi Vitor Belfort, campeão nos meio-pesados e vencedor do torneio dos pesados, que não valia como cinturão.

As provocações com Tyron Woodley

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

A novela envolvendo Woodley e Dos Anjos começou de maneira tranquila. Assim que venceu Robbie Lawler, o brasileiro entrou ao vivo no “FOX Sports” dos Estados Unidos junto com o atual campeão e pediu a chance de lutar pelo título. Woodley, por sua vez, disse respeitar as “pessoas que trabalham duro” e que havia chegado ao cinturão do "modo antigo", uma referência ao excesso de falastrões no UFC.

Mas as palavras gentis ficaram por aí. Woodley passou a buscar lutas que trouxessem mais retorno financeiro. Nas provocações surgiram desafios a Michael Bisping, então campeão dos médios, Conor McGregor, então dono do cinturão dos leves, e o falastrão Nate Diaz. A atitude fez com que Dos Anjos sugerisse que o estadunidense deveria enfrentar o cantor Justin Bieber.

“Falei para ele: ‘luta com o Justin Bieber, acho que vai ser bom para sua carreira. Ele tem bastante seguidores’. Acho que é isso que ele estava procurando: números, fama. Então, luta com um cara que não faz sentido nenhum”, disse Dos Anjos.

Nate Diaz é conhecido por seu jeito rebelde e por atrair muitos espectadores para suas lutas. Seu retrospecto recente no meio-médio, contudo, são as duas lutas feitas com Conor McGregor, lutador que nem desta categoria é.

“Ele querer lutar com o Nate Diaz é um insulto para todo mundo da categoria. É um absurdo ele lutar pelo cinturão contra o Woodley”.

A relação com o "trash talk"

A pressão para fazer com que a luta contra Woodley acontecesse colocou Rafael Dos Anjos em uma situação nova. Conhecido pelo jeito calmo e pouco midiático, o brasileiro se viu rodeado por falastrões e “trash talks”.

Primeiro Woodley disse não ter ficado impressionado com o desempenho de Dos Anjos contra Lawler. Depois, Nate Diaz disse não se empolgar “com essas lutas de m...”. Para terminar, Colby Covington tentou se meter no assunto e afirmar que o justo seria que ele lutasse pelo cinturão.

“Esse cara está destruindo a carreira dele. A única coisa que ele precisa agora para destruir a carreira é uma derrota”, disse Dos Anjos sobre Covington, a quem se refere como “palhaço”. “Estou no UFC há 10 anos e não vou mudar meu jeito de promover minhas lutas”.

As provocações também são algo constante nas redes sociais dos lutadores do UFC. Tem sempre um hater para destilar ódio a cada foto postada. Aos 33 anos, Dos Anjos diz não ligar mais para esse tipo de seguidor e admite não gostar de redes sociais.

“Sei que é um mal necessário. Os haters eu bloqueio. Se me xingou é porque não gosta de mim. Tenho uma equipe que faz isso para mim, porque antigamente eu queria responder, ficava chateado. Comecei a me ligar que aquilo tomava muito meu tempo. Então tenho uma equipe que faz isso para mim e tenho mais tempo livre para lidar com as coisas que realmente importam”, completou.

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