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Designer começou a lutar para emagrecer e, agora, tem contrato com o UFC

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Marina Rodriguez, recém-contratada pelo UFC, fará sua estreia em São Paulo no dia 22 de setembro Imagem: divulgação/UFC

Ana Carolina Silva

Do UOL, em São Paulo

14/09/2018 04h00

Quando Marina Rodriguez entrar no octógono do UFC São Paulo, no ginásio do Ibirapuera, na noite de 22 de setembro, realizará um sonho que não é muito antigo. Afinal, a gaúcha de 31 anos só começou a lutar muay thai há cerca de seis anos. Antes disso, pensava que seu caminho seria o design gráfico.

"Admito que estava um pouquinho acima do peso e pensei que estava na hora de mudar, vamos fazer alguma coisa! Realmente, comecei a lutar para ter um condicionamento físico melhor, mas fiz um mês e comecei a gostar demais, mais alguns meses e emagreci... O meu mestre [Marcio Maiko] já viu que eu tinha jeito", disse ao UOL Esporte.

O mestre da equipe Thai Brasil costuma dizer algo que a atleta não esquece: "O muay thai salva vidas". É verdade que a vida dela não estaria em risco na luta contra Maria Oliveira, mas o sonho, sim. E foi graças ao muay thai que Marina venceu por nocaute técnico aos 3m03s do primeiro round, em Las Vegas, no segundo episódio do Contender Series Brasil.

O triunfo impressionou Dana White. No momento do anúncio do contrato, Rodrigo Minotauro, embaixador do Ultimate no Brasil, aconselhou o "chefão" do UFC a ficar de olho em Marina. "E o Dana disse que me queria!", disse ela, ainda em tom exultante pela conquista. Toda essa alegria é o único traço que destoa de sua evidente maturidade.

Apesar de ter menos tempo de MMA que a adversária que derrotou, Marina é uma década mais velha que Maria, de 21. Diferença que pode não ter pesado no octógono, mas que talvez tenha sido essencial para o resultado. "A diferença é de vida, porque de luta nem tanto, estou só no meu terceiro ano como profissional. Talvez diferença de concentração, de foco", avaliou.

"A gente assinou para lutar o Contender com um objetivo, que era conseguir o contrato com o UFC. Não teve descanso, não fiquei saindo, não tirei férias. Foram três meses de dieta e treino intenso... Estava tudo bem planejado, não tinha nada que tirasse o nosso foco. Talvez essa maior experiência de vida tenha sido um diferencial", completou.

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Imagem: divulgação/UFC

Foi assim que a luta, que começou como hobby, virou profissão e fez com que o que o design, que era profissão, virasse hobby. Na verdade, a lutadora não hesitou quando a reportagem perguntou se é mais difícil ganhar a aprovação do "chefão" do UFC ou de um cliente exigente em um "job" de design.

"Com certeza, o cliente!", respondeu, aos risos. Em seguida, disse que a ideia de ficar muito tempo na frente do computador a incomoda um pouco, mas não mais do que o ócio. É por isso que Rodriguez costuma ocupar o tempo livre com trabalhos de design para a academia em que treina. "Quando o pessoal percebeu, começou a me passar trabalho", contou.

Na intenção de vestir camisetas de torcida organizada, os amigos chegaram a pedir para que ela criasse uma "marca", ou seja, uma imagem que represente sua identidade visual. Marina não consegue parar para pensar nisso agora. Afinal, o dia 22 de setembro terá sua luta de peso-palha (52kg) contra a canadense Randa Markos, 33, no ginásio do Ibirapuera.

"O nosso único objetivo é fazer tudo o que foi treinado. Tem o diferencial da nossa escola, o nosso muay thai [Randa Markos veio do jiu-jitsu]. A gente tem condição de fazer lá em cima tudo o que treinou antes. Na hora certa, a gente toma as decisões", ponderou Marina, que é irmã de Roberto Rodriguez, um dos destaques da natação paralímpica do Vasco.

Marina ama lutar; Minotauro a aponta como um dos nomes para o futuro do MMA. Mas a formação em design estará sempre ali... "Dependendo do valor a gente faz, e do trabalho também! Não, não, eu até nem deixo ninguém me indicar, senão vai tomar meu tempo de treinamento", afirmou, antes de concluir: "Não pode consumir minha dedicação".

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Imagem: divulgação/UFC

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