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Cyborg foi ironizada por anos, mas virou sinônimo de volta por cima no UFC

Buda Mendes/Getty Images
A lutadora de MMA brasileira Cris Cyborg passou por momentos delicados no UFC Imagem: Buda Mendes/Getty Images

Vinicius Castro

Do UOL, em Los Angeles (EUA)

28/12/2018 04h00

Uma das protagonistas do UFC 232, sábado (29), em Los Angeles, a campeã peso-pena Cris Cyborg tem o maior desafio da carreira contra Amanda Nunes, dona do cinturão peso-galo. Fora do octógono, no entanto, ela passou por uma batalha considerável até alcançar o status atual na organização. A curitibana virou um exemplo de volta por cima após anos de ironias recebidas, inclusive de integrantes influentes da franquia e do presidente Dana White.

Se a principal edição do ano está tão badalada, Cyborg também tem papel importante no processo. E isso se tornou uma tônica desde 14 de maio de 2016, quando estreou no UFC com um nocaute avassalador sobre a norte-americana Leslie Smith logo no primeiro round.

De lá para cá, a brasileira conquistou fãs e representatividade. São cinco triunfos consecutivos no principal evento de MMA do mundo e duas defesas bem-sucedidas do cinturão peso-pena. 

É quase impossível atualmente imaginar um grande evento envolvendo um combate entre mulheres sem a presença de Cyborg, que já foi chamada de "Wanderlei Silva de saia e salto" por Dana White, quando a brasileira ainda nem sequer era atleta da franquia e existia um clamor para que isso acontecesse.

Foram inúmeras piadas durante anos com a lutadora de 33 anos e um cartel de 20 vitórias, uma derrota e uma luta sem resultado. Nada mais do que 17 triunfos foram por nocaute. Números de uma autêntica personalidade do MMA e que acarretaram até em desculpas de um quase sempre fechado Dana White.

"Realmente, nós cometemos alguns erros com a Cris Cyborg. Não foi fácil para ela aqui no UFC. Não ficou feliz com algumas das coisas que foram ditas e feitas. E, para ser honesto, ela está certa. O mínimo que podemos fazer é consertar essa m... toda", disse Dana.

Questionada sobre o fato, a brasileira sustentou que o trabalho no octógono foi o responsável pela mudança de panorama, ainda que muitas pessoas a enxerguem com desconfiança.

"A primeira coisa é que não dei valor ao que falaram para mim. Todas as vezes em que entrava para lutar mostrava o contrário, não respondendo da forma como eles deveriam escutar. Isso fez a diferença. Muitas pessoas me julgaram apenas pelo que estava escrito na mídia. Quando conheceram verdadeiramente, passaram a dar valor ao trabalho", afirmou a campeã.

A diferença de cenário se dá nas declarações atuais de Dana, que virou um entusiasta de Cyborg e vibrou com a luta contra Amanda Nunes.

"Já disse há muito tempo que era a luta que precisava acontecer. Essas são as duas lutadoras mais más do mundo, sem dúvida. As melhores em suas divisões", encerrou.

UFC 232
29 de dezembro de 2018, em Los Angeles (EUA)

Card principal
Meio-pesado: Jon Jones x Alexander Gustafsson
Pena: Cris Cyborg x Amanda Nunes
Meio-médio: Carlos Condit x Michael Chiesa
Meio-pesado: Ilir Latifi x Corey Anderson
Pena: Chad Mendes x Alex Volkanovski

Card preliminar
Pesado: Andrei Arlovski x Walt Harris
Pena: Cat Zingano x Megan Anderson
Galo: Douglas D'Silva x Petr Yan
Leve: B.J. Penn x Ryan Hall
Galo: Nathaniel Wood x Andre Ewell
Médio: Uriah Hall x Bevon Lewis
Médio: Curtis Millender x Siyar Bahadurzada
Galo: Montel Jackson x Brian Kelleher