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Execução de atleta de saltos ornamentais intriga família e amigos em Belém

Arquivo pessoal
Carlos Ney Batista era atleta de salto ornamental e foi assassinado em Belém Imagem: Arquivo pessoal

Luiza Oliveira

Do UOL, em São Paulo

23/03/2018 04h00

O assassinato de um atleta de salto ornamental chocou a comunidade do esporte e a cidade de Belém. Carlos Ney Batista, que chegou a defender o Brasil em competições internacionais, morreu após levar cinco tiros na comunidade Terra Firme, em Belém, conhecida por ter altos índices de violência.

O crime aconteceu na madrugada do dia 27 de fevereiro. Segundo relatos dos familiares, ele havia saído da igreja onde fazia um trabalho social por volta de 21h e estava a poucos metros de casa. O atleta de 30 anos foi abordado e levou cinco tiros, sendo que quatro atingiram a região do abdômen. Ele foi levado ainda com vida ao hospital, mas não resistiu.

As causas da execução intrigam e causam estranheza a familiares e amigos. A possibilidade de assalto já foi descartada pela polícia e pelos familiares. Carlos carregava itens de valor como um laptop e um telefone celular, além de uma bíblia, mas nada foi levado.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

A morte do atleta também foi pouco divulgada. Na ocasião, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) chegou a emitir um comunicado que passou praticamente despercebido. Em contato com o UOL Esporte, familiares disseram que não estão orientados a dar informações e chegaram a desconfiar da reportagem ao serem abordados com medo de que fosse algo forjado. Mas deixaram claro que Carlos não tinha qualquer envolvimento com traficantes da região e desconhecem a existência de inimigos.

"Não posso afirmar nada. Eles (polícia) sabem trabalhar, eles estão investigando. Só posso dizer que ele não devia nada para ninguém. Nunca teve envolvimento com nada. Trabalha desde cedo. Ele vivia para Deus. É difícil demais, vamos levando, seguindo a vida", disse o pai do atleta, Carlos Perdigão.

A Polícia Civil de Belém também se nega a dar detalhes do caso para não prejudicar as investigações. O inquérito está sendo presidido pelo delegado Renato Barata, da Unidade Integrada Propaz do bairro Terra-Firme em Belém.  Em nota oficial, a Secretaria de Segurança Pública de Belém informou apenas que a possibilidade de latrocínio está descartada e que já há um suspeito pelo crime.

"Já existe uma linha de investigação sobre a motivação do crime e também uma pessoa suspeita de participação na morte. O delegado ressaltou que o crime não se caracterizou como latrocínio - roubo seguido de morte - posto que nada foi roubado da vítima. O criminoso chegou disparando contra Carlos Ney, que era desportista e desempenhava atividades sociais com jovens no bairro. Para o delegado, as investigações estão bem avançadas no sentido de juntar mais provas nos autos do inquérito policial", dizia o comunicado.

Carlos ajudava crianças da comunidade onde cresceu

Amigos de Carlos contam que ele era uma pessoa muito alegre e de bom coração. Ele foi atleta dos saltos ornamentais e se dedicou ao high diving. Chegou a disputar a Copa do Mundo em 2015 no México defendendo as cores do Brasil. Também fez exibições circenses usando suas habilidades. Mas recentemente havia deixado o esporte para se dedicar à faculdade de Educação Física e à Igreja Assembleia de Deus que ele frequentava. Carlos participava dos cultos e tinha projetos sociais com jovens da comunidade carente de Terra Firme, onde ele cresceu e morou durante toda a vida.

Os amigos ainda estão sem entender o que ocorreu e ficaram muito assustados. "Ele era uma pessoa muito querida dentro da comunidade. Não tem nenhum tipo de histórico com drogas, nada. Nenhum tipo de trafico, envolvimento com álcool. Não temos notícia do que exatamente ocorreu. Ficamos sabendo que abordaram ele, atiraram nele. Foi uma surpresa, um choque para todos nós, uma perda muito grande. Está sendo um pouco chocante, não conseguimos acreditar porque ele seguiu caminhos bons. Não conseguimos ver porque aconteceu. Até então não sabemos de nada", relatou o amigo e também atleta de high diving, Jucelino Júnior.

Ainda que estivesse distante do esporte, a CBDA emitiu uma nota de pesar pela morte de Carlos na época da morte. "A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos lamenta a morte do atleta de saltos ornamentais e high diving Carlos Ney Batista. O competidor faleceu na madrugada de terça-feira (27), em Belém, no Pará. Ele chegou a defender o Brasil em etapa da Copa do Mundo de High Diving. De acordo com familiares e técnicos, Ney, como era chamado e conhecido na modalidade, foi assassinado em um dos bairros mais perigosos de Belém. O motivo do crime ainda não foi informado às pessoas próximas do atleta".

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