Topo

Esporte


Rebeca Gusmão usa política para expor "verdades" e vai recorrer de banimento

Orlando Kissner/AFP
Rebeca diz que intenção não é voltar a competir, mas irá ao Supremo Tribunal Suíço Imagem: Orlando Kissner/AFP

Roberta Nomura

Em São Paulo

22/08/2010 07h07

Candidata ao cargo de deputada distrital pelo PC do B, Rebeca Gusmão quer aproveitar a exposição na vida política para expor “verdades” sobre os episódios que provocaram seu banimento do esporte. A promessa de apresentar uma nova versão sobre o caso está no site oficial da ex-nadadora, que a partir desta segunda-feira deve apresentar novo layout com documentos do processo. A ex-atleta vai além e diz que recorrerá da decisão que a excluiu das piscinas.

  • Site oficial da candidata Rebeca Gusmão, promete revelar "verdades" na natação a partir desegunda

Rebeca Gusmão foi banida em todas as instâncias esportivas. “Vou recorrer. Na justiça esportiva não tem mais como, então vou para a esfera comum. Pedi a documentação há muito tempo e agora organizei tudo. Vou ao Supremo Tribunal Suíço. Se achar que a CAS [Corte Arbitral do Esporte] não foi sensata, o tribunal tem o poder de anular a decisão e eu poderei voltar a competir”, disse a ex-nadadora ao UOL Esporte.

Rebeca testou positivo em exames antidopings realizados em 2006 e 2007. O resultado do segundo teste fez com que a então nadadora perdesse as medalhas de ouro nos 50 m e 100 m livre nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. A reincidência resultou no banimento imposto pela Fina (Federação Internacional de Natação). A brasileira, então, recorreu a CAS.

Em novembro de 2009, a corte arbitral ratificou a punição que impede que a ex-nadadora participe de qualquer competição com chancelas oficiais. “O meu intuito não é voltar a competir. Isso é uma consequência. Quero recorrer porque não tem como você ficar tranquila. As pessoas têm que saber o que aconteceu. Eu tenho como provar. Tenho toda a documentação”, afirmou.

Em meio às investigações sobre o doping, Rebeca foi acusada de trocar sua amostra de urina e ainda respondeu a processo de falsidade ideológica – acabou absolvida. “O que eu passo para as pessoas é que não fui banida, fui injustiçada. Na justiça brasileira, que foi a única que investigou de verdade, eu fui absolvida. Lá fora, leram o que convinha nos documentos e através disso tomaram as decisões. Existem documentos divergentes e eu posso provar”, insistiu. “Ficou provado e comprovado que eu não troquei a minha urina. Falaram que eu fiz aquilo, mas há documentos do laboratório que mostram que não fui eu”.

O banimento de Rebeca Gusmão foi confirmado pela CAS no ano passado, mas a exclusão do esporte está em vigor desde 18 de julho de 2007. No período em que tinha o recurso analisado, a ex-nadadora se aventurou como jogadora de futebol. Agora, ela iniciou a carreira política ao concorrer ao cargo de deputada distrital. Entre seus projetos de candidata, Rebeca inclui a ampliação do programa Bolsa-Atleta, criação do Bolsa-Treinador e projeto de caça-talentos para os Jogos Olímpicos de 2016.

Embora tenha sua imagem associada ao doping e ao banimento do esporte, Rebeca Gusmão assegura que não tem sofrido rejeições na vida política. “Graças a Deus, todas as pessoas me perguntam o que aconteceu. Ninguém me acusa de ser banida. Tem gente que fala: ‘você deve estar cansada de falar sobre isso’. Mas não. Na verdade, eu prefiro que perguntem para eu poder contar o que realmente aconteceu antes de me julgarem”.

Nesta última semana, Rebeca Gusmão teve a candidatura ameaçada por interpretação da Lei Ficha Limpa. No entanto, o TRE-DF (Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal) acatou o argumento de defesa e confirmou o registro de candidatura da ex-nadadora.

“Quando entrei na política fui alertada que muitas pessoas iam ser contra. Mas a gente já se prepara, porque é uma batalha. Não existe essa de todo mundo ser bonzinho. Todo mundo quer entrar. E pegam na fraqueza das pessoas. Não tenho medo. Estou preparada para o que der e vier”, finalizou Rebeca Gusmão.

Mais Esporte