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Diferença entre patrocinadores de Cielo e confederação de natação provoca saia justa em Brasília

Satiro Sodré/AGIF
Nadador teve que tirar camisa que vestia, de seu patrocinador particular, em evento em Brasília Imagem: Satiro Sodré/AGIF

José Cruz

Do UOL, em Brasília

2013-02-19T06:00:00

19/02/2013 06h00

César Cielo, o maior nadador brasileiro de todos os tempos, destoou do restante da equipe na instalação da Clínica de Natação CBDA-Correios, na última segunda-feira, em Brasília. Cielo foi o único que se apresentou com o uniforme da Embratel, seu principal patrocinador. A cor azul forte da camiseta e boné do campeão olímpico dos 50 m livre (Pequim 2008) contrastava com o amarelo dos Correios, predominante na sala do Hotel San Marco, local do evento.

Atento ao detalhe, o presidente da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), Coaracy Nunes, mandou um recado ao supervisor técnico, Ricardo de Moura, que solicitou ao atleta para exibir a marcar do patrocinador oficial. Cielo tirou a camisa da Embratel e mostrou que estava preparado, pois por baixo vestia o uniforme oficial

Cielo, porém, seguiu a usar o boné da Embratel durante toda a solenidade. Na entrevista coletiva, quando atendia aos repórteres de televisão, o nadador voltou a vestir a camisa azul de seu principal patrocinador.

Até sábado, os 50 melhores índices técnicos e outros 20 nadadores com potencial olímpico treinarão em Brasília. Os atletas farão também avaliações médicas e assistirão a palestras da comissão técnica da CBDA sobre temas como doping, biomecânica e, principalmente, o projeto do governo brasileiro de colocar o Brasil entre os dez primeiros países olímpicos nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016.

Sem clube desde dezembro do ano passado, quando o Flamengo anunciou que encerrava suas atividades na natação, Cesar Cielo afirmou que até março anunciará sua nova equipe.

“Estou negociando com alguns clubes. Mas até março, se os patrocinadores suprirem as minas necessidades, poderei até nada por um clube menor, sem muita expressão”, afirmou. À pergunta de qual o custo anual da preparação de um atleta de seu nível, Cielo disse não saber exatamente, mas calculava que com viagens, treinos, técnicos, academias etc, chegaria em torno “meio milhão de reais por ano”.

Protesto

O coordenador de natação da CBDA, Rômulo Noronha também destoou do discurso de otimismo rumo aos Jogos 2016 na solenidade de instalação da Clínica de Natação. Em rápido pronunciamento, ele protestou contra os riscos de demolição do Conjunto Aquático Júlio Delamare, que darão lugar ao estacionamento do novo estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

Rômulo disse que é um absurdo o Brasil, sede dos Jogos Rio 2016, ter duas piscinas ameaçadas de serem fechadas. Além do Júlio Delamare,  a piscina do Parque Maria Lenk, que sediou as provas do Pan 2007, poderá ser desativada por longos meses para manutenção. 

“Há poucos dias fui ao Flamengo e fiquei triste com o que vi. Aquele local, sempre repleto de atletas treinando estava vazio, com a piscina abandonada, ninguém treinando”, lamentou o dirigente. E fez um apelo aos atletas: “Escrevam para a presidente Dilma, para o ministro do Esporte, para os Correios, para quem desejarem protestando contra isso”. Na plateia estava Ricardo Avelar, representando o ministro Aldo Rebelo, e representantes dos Correios.


Verba

O presidente da CBDA, Coaracy Nunes, que está há 24 anos no comando da entidade e disputará mais um mandato em março próximo, disse que este ano contará com um orçamento de R$ 31 milhões. Os recursos públicos têm a seguinte origem: R$ 22 milhões de patrocínio dos Correios, R$ 5,5 milhões do Bradesco, via Lei de Incentivo ao Esporte, e R$ 3,5 milhões da Lei Agnelo Piva, repassados pelo Comitê Olímpico. 

Dos R$ 22 milhões dos Correios, R$ 10 milhões são “carimbados”, isto é, tem aplicação específica no Projeto Medalhas Rio 2016. Nesse projeto, o governo federal investirá mais recursos na preparação dos atletas com potencial de chegarem às finais olímpicas. Já o apoio do Bradesco está garantido até 2016, segundo o dirigente.

“Na CBDA, vamos concentrar esforços na natação e na maratona aquática.  É aí que temos chances de conquistar medalhas”, afirmou Coaracy Nunes. 

Sobre a eleição de março, Coaracy disse que a chapa de oposição liderada por Julian Romero não foi registrada porque não tinha o apoio mínimo de cinco federações.

“Eu tenho o apoio por escrito de 26 federações para a eleição de março. Apenas São Paulo não me apoiou”, disse ele, antecipando que será um candidato vitorioso para fechar em 2016 um ciclo de 27 anos no poder.  “Será meu último mandato. Depois me retiro”, afirmou. Em 2000, Coaracy Nunes havia declaro, nos Jogos de Sydney, que aquela seria sua última Olimpíada. Há 13 anos.

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