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"Não há transparência na gestão da CBDA", diz procuradoria do MPF

Divulgação
Coaracy Nunes Imagem: Divulgação

Guilherme Costa

Do UOL, em São Paulo

23/09/2016 16h50

Dois dias depois de o Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo ter entrado com ação pedindo bloqueio de bens e afastamento de Coaracy Nunes, presidente da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) desde 1988, a repercussão ainda impressiona Thaméa Danelon Valiengo, procuradora responsável pelo caso. Segundo ela, houve denúncias de outras irregularidades envolvendo a entidade esportiva. E isso só corroborou a análise sobre falta de transparência na gestão.

“Não há transparência na gestão da CBDA”, avaliou a procuradora em entrevista ao UOL Esporte. “Uma instituição que recebe verba pública federal tem de ter transparência. O Ministério Público viu que houve irregularidades”, completou.

A investigação sobre a CBDA é parte de uma operação chamada “Águas Claras”. Thaméa e mais uma pessoa passaram mais de oito meses analisando a gestão da entidade e ouviram pelo menos dez atletas.

“Conversamos com atletas que estiveram na Rio-2016 e outros que não foram. Constatamos que a cúpula está há muitos anos à frente da entidade e que a classe dos atletas está muito insatisfeita”, explicou Thaméa.

A ação de quarta-feira (21) fala em pelo menos R$ 1,5 milhão de danos ao erário por fraudes em licitações da CBDA. Cinco empresas e seus sócios também são réus, assim como outros integrantes da cúpula da entidade.

Além do afastamento de Coaracy, a procuradora pediu bloqueio de R$ 4,53 milhões em bens de dirigentes envolvidos. A ação está atualmente em distribuição no MPF.

“Quando entramos com uma ação por improbidade é normal pedir afastamento dos dirigentes envolvidos. É uma medida cautelar para que o processo possa caminhar com mais facilidade. Agora o judiciário vai analisar”, disse Thaméa.

Em nota oficial, Coaracy disse que a ação do MPF tem razões eleitoreiras. O atual mandatário já avisou que não será concorrente no próximo pleito presidencial da entidade, previsto para o primeiro semestre do ano que vem. Ricardo de Moura, diretor-executivo e candidato da situação, é um dos nomes citados na investigação.

“Temos evidências de participação direta de um colegiado nas decisões da entidade. O diretor financeiro e os diretores de outros esportes também participaram. Os equipamentos que eram para treinamentos voltados às Olimpíadas. Pelos depoimentos, também temos indício de envolvimento de outros dirigentes”, ponderou a procuradora.

Segundo Thaméa, novas denúncias chegaram ao escritório dela depois de a ação ter se tornado pública. O MPF investiga irregularidades em outras licitações e já tem indícios de que houve ilícitos em mais processos do que os citados na peça original. Ainda não há uma previsão de quando essas repercussões do processo sejam divulgadas.

A partir das denúncias, também existe a possibilidade de a ação civil pública relacionada ao caso se desdobrar na esfera criminal. A polícia deve ser chamada a colaborar com a investigação.

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