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'Phelps espanhol' é cego, terminou Ironman e agora vai à África nadando

Clive Rose/Getty Images
Enhamed tem 5 medalhas de ouro nos Jogos Paralímpicos Imagem: Clive Rose/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

09/02/2017 04h00

Enhamed Enhamed tinha oito anos quando ficou cego repentinamente, culpa de um descolamento de retina. A agonia que sentiu, segundo ele, parecia interminável. Mas um ano depois ele começou a nadar. Não parou nunca mais. Esse é o início da história do espanhol que já ganhou cinco medalhas de ouro em Paraolimpíada, terminou um Ironman e agora se prepara para um desafio tão difícil quanto: uma travessia aquática de 14,4 km.

Enhamed é totalmente cego. E isso não impede seu plano de sair da Espanha e chegar ao Marrocos atravessando o Estreito de Gibraltar a nado. Na verdade, ele diz que só tem tantos feitos na carreira esportiva “graças” ao problema que enfrentou ainda na infância.

“Sem dúvida, nada do que consegui teria acontecido se eu não tivesse perdido a visão. Hoje me considero um cara normal, mas talvez o que me diferencie dos demais é minha vontade e a forma positiva como encaro a vida”, resume ele ao "El Mundo".

Para atingir seu novo objetivo na travessia aquática, Enhamed tem um treino duro. Diariamente, ele nada 3.500 metros e faz uma hora de musculação. Aos sábados, treina com bicicleta. E uma vez por semana ainda faz remo.

A rotina é puxada, mas ele está acostumado. Em 2014, o espanhol se tornou o primeiro cego de seu país a terminar um Ironman, a tradicional e difícil prova de triatlo que consiste em 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e os 42.195 metros de corrida. Desde então, ele tem dividido suas experiências com outras pessoas que têm alguma deficiência.

Foi o esporte que ajudou Enhamed a encarar a perda da visão. Ele começou aos 9, mas foi aos 13 anos que decidiu levar a sério a natação. Aos 17, ganhou duas medalhas de bronze na Paralimpíada de Atenas-2004. Depois, em Pequim-2008, conquistou os quatro ouros que lhe renderam o apelido de “Michael Phelps espanhol”.

Enhamed ainda faturou mais um ouro e duas pratas em Londres, aumentando uma vasta coleção de medalhas de campeonatos mundiais, europeus e nacionais. Mas ele avisa que sua maior conquista foi aprender a dar valor às coisas. “A sociedade se queixa de problemas que não têm importância. As pessoas geralmente não dão valor às coisas enquanto não as perdem. No meu caso, isso aconteceu com minha visão”.

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