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"Por dois centímetros eu poderia ter morrido", conta nadadora brasileira

Fábio Aleixo/UOL
Imagem: Fábio Aleixo/UOL

Fábio Aleixo

Do UOL, em São Paulo

07/04/2017 04h00

A nadadora Larissa Oliveira, de 24 anos, considera o dia 9 de março de 2017 como o de seu renascimento. Nesta data, a atleta que participou dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, viu o galho de uma árvore cair sobre seu carro, destruí-lo e ferir gravemente a sua coxa direita. Precisou passar por uma cirurgia de emergência e receber 250 pontos no local.

"Eu estava saindo do treino e indo para a faculdade e perto da Ponte Estaiada (na Marginal Pinheiros, em São Paulo), o tronco de um eucalipto soltou, perfurou o vidro do meu carro e caiu entre eu o volante. Esmagou a minha perna direita e provocou algumas escoriações. No momento, tinha uma ambulância passando e prestaram o primeiro socorro. Quando cortaram a minha calça, eu fiquei assustada, foi muito mais sério do que eu pensava", contou em entrevista ao UOL Esporte.

"Na hora, saiu sangue, mas não muito, pois não teve ruptura da artéria. Dei sorte de isso acontecer e não começar a esguichar sangue. Fiquei duas horas esperando que o resgate definitivo chegasse. O médico me disse que, dois centímetros acima, teria atingido a artéria femural e como ia sangrar muito, eu poderia morrer", afirmou Larissa.

"Eu digo que nasci de novo. Dizem que tem aquela coisa de gato que tem sete vidas. Eu já perdi uma", disse Larissa, que revela não ter sentido muita dor no momento.

"Nós atletas, temos um limiar de dor maior. mas era tanta coisa para resolver, ligar para a minha mãe, para meu técnico. Minha adrenalina foi tanta que não senti dor", contou.

Recuperação tem sido boa, mas ainda distante dos volantes

Hoje, um mês após o acidente e a operação, Larissa já está muito melhor. Deixou uma das duas muletas de lado e aos poucos vai conseguindo caminhar. Tem feito fisioterapia e pouco sai de casa para se resguardar e evitar esbarrões que possam abrir os pontos ou causar algum tipo de ferimento e machucar a musculatura. Não pode dirigir. Está fazendo todos seus deslocamentos com táxis ou Uber.

"A evolução está sendo rápida, tenho feito fisioterapia, mas não posso antecipar as coisas. Não adianta colocar a carroça na frente dos bois. Toda a semana tenho ido ao médico e ele tem feito planejamento. A previsão inicial é que em dois meses eu pudesse voltar a nadar, já se passou um. Vamos ver como as coisas evoluem. Vou voltar à água antes de dirigir, isso é certo. Para dirigir é necessário muito controle, estar 100%", disse.

A única coisa que Larissa não tem certeza que terá de volta é a sensibilidade da parte interna da coxa. Os nervos sensitivos foram muito danificados e no momento ela não sente nada no local.

"Perdi a safena, dois terços do músculo adutor e tive muita perda de nervo sensitivo. O médico disse que a sensibilidade não deve voltar, mas isso não deve prejudicar em nada a minha performance. Por meu estilo de nado ser o livre, não usa tanto este músculo. Há outros músculos que conseguem desempenhar esta função", disse Larissa.

Na parte esportiva, já é certo que Larissa, atleta do Pinheiros, perderá o Mundial de Budapeste (HUN), em julho. Isso porque ela não terá como participar do Troféu Maria Lenk, que será realizado em maio e classificará oito atletas do país para a competição.

"Isso me deixa triste, pois estávamos fazendo de tudo, treinando bem. Mas acontece. Vai ser uma pausa. Depois recupero o que perdi", finalizou.

Larissa Oliveira participou de cinco provas na Olímpiada de 2016, no Rio, mas não conseguiu chegar a uma final: nas individuais, ela terminou emi 21º lugar nos 100m livre e em 35º nos 200m livre - ainda ficou em 13º no revezamento 4x100 m medley e em 11º nos revezamentos 4x100 m e 4x200 m livre.

No Mundial de Piscina Curta, em Windsor (CAN), ela ajudou o time brasileiro do revezamento medely 4x50 m misto a conquistar a medalha de prata.

 

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