UOL Esporte Natação
 
31/07/2009 - 06h42

Vida longa ao recorde? Técnico de Cielo diz que marca durará pelo menos 2 anos

Bruno Doro
Em Roma (Itália)
Se o recorde mundial de Felipe França nos 50m peito durou pouco mais de dois meses, o de César Cielo nos 100m livre deve ter vida muito mais longa. O Mundial de Roma marca o fim da era dos supermaiôs da natação. A partir de 2010, os trajes high tech serão banidos. Com eles, opinião geral, os tempos irão regredir.

"CIELO TEM A LARGADA MAIS RÁPIDA DO MUNDO", DIZ TÉCNICO
Andrew Medichini/AP
Com 46s91, César Cielo bateu o recorde mundial nos 100 m livre e levou o ouro
Qual a diferença entre o Cielo que ganhou o bronze em Pequim, no ano passado, e do Cielo campeão mundial em Roma?
O César que ganhou o bronze era um garoto. O que ganhou o ouro, um homem. Ele ganhou muita confiança com a medalha de bronze. Em Pequim, ele não acreditava de verdade que poderia ser campeão olímpico nos 100m. Agora, ele tem 100% de certeza que é o melhor do mundo.

Qual o segredo de Cielo?
Ele tem a melhor saída do mundo. Os primeiros 15 metros são essenciais e o César é, facilmente, o homem mais rápido a deixar o bloco. É sempre um desafio para um velocista se recuperar quando larga pior do que seus adversários. Tentamos explorar nossas forças. Hoje, ele é o mais rápido do mundo e acho que Alain (Bernard, medalhista de prata) e Fred admitem isso.

Ele volta a treinar com você?
Ele esta livre para sempre voltar e treinar comigo. Sabe onde estou, sabe que se sente bem com o meu programa de treinos, mas ele é brasileiro. Adora viver em seu país. Ele sente falta da família e faz um sacrifício muito grande para estar em Auburn. Nunca sabemos se ele vai voltar ou não.*

* Pouco depois de Hawke colocar em dúvida a volta de Cielo, o brasileiro afirmou que em nenhum momento vai descartar Auburn como sua base de treinamento.
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"Todos sabem que vão voltar um passo (em termos de tempo). É claro que os trajes ajudam. Mas é possível voltar a bater essa marca", afirma o australiano Brett Hawke, o australiano que transformou Cielo em campeão olímpico e no homem mais rápido do mundo.

Segundo o treinador, que foi quinto colocado nas Olimpíadas de Atenas, em 2004, a chave para que os nadadores voltem a nadar na casa dos 46 é justamente alguém já ter nadado dentro desse tempo, mesmo com trajes que ajudam na performance.

"Eles já sabem o que é preciso. O quanto é preciso treinar, qual a posição do corpo. Sem o traje, é claro que isso muda, mas a grande questão é que eles sabem o que procurar para chegar. E para um atleta, já ter feito uma marca diz que é possível", analisa.

A quebra, porém, não será imediata. "Nos dois primeiros anos, as marcas vão ser piores. Mas a partir daí, os tempos devem voltar a se igualar", espera. "Até lá, os nadadores terão de parar de se focar em recordes. Mas no final das contas, a pessoa não nada para bater recordes, nada para ser campeão olímpico, para ser campeão mundial", completa.

O próprio Cielo, porém, evita afirmar, com certeza, se sua marca poderá ser quebrada. "Eu nem pensei muito nisso, no que vai acontecer no próximo ano. Nós sabemos o que é preciso fazer (para obter a marca), agora, se vamos conseguir ou não, só saberemos no ano que vem".

A opinião de Hawke, porém, não deve ser descartada. Técnico de Cielo há três anos, ele transformou a piscina da Universidade de Auburn, no Alabama, em um dos maiores celeiros de velocistas do mundo. No Mundial, seus atletas conquistaram um ouro, com Cielo, duas pratas e um bronze.

Treinam com ele o francês Fred Bousquet, medalhista de bronze nos 100m e no revezamento 4x100m livre e recordista mundial dos 50m e o australiano Mathew Targett, prata nos 50m borboleta - além do dinamarquês Jakob Andkjaer, quarto na mesma prova.

O brasileiro e o francês, porém, são as jóias entre seus nadadores. "Eles são os mais rápidos do mundo e vão provar isso nos 50m. Vão se destacar do resto do mundo", prevê.

O segredo, segundo Hawke, é misturar sua experiência como nadador com técnicas novas e antigas de treinamento. "Acho que a experiência de meus anos de nadador ajudam. Eu uso o que eu vivi no passado, como treinei, e coloco o meu toque. E ter atletas talentosos ajuda muito. Eles (Cielo e Bousquet) são muito mais talentosos do que eu".

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