UOL Esporte Natação
 
28/10/2009 - 06h53

Na nova natação, metas de Cielo regridem 2 anos e alvo volta a ser Popov

Bruno Doro
Em São Paulo
César Cielo é recordista mundial dos 100m livre e o segundo mais rápido da história dos 50m. Mas, na nova natação, vai esquecer todas essas marcas para pensar em tempos que já tinha deixado para trás há alguns anos.

"NÃO TEM CONTRATO COM O BRETT"

  • Folha Imagem

    Na semana passada, ao anunciar um novo patrocinador, César Cielo fez um apelo para que seu treinador, Brett Hawke, seguisse trabalhando com a seleção brasileira. O australiano conseguiu, no mês passado, a nacionalidade norte-americana e, com isso, passa a ser candidato para treinar a seleção dos EUA. Um dia depois, o presidente da CBDA, Coaracy Nunes, anunciou que Hawke já tinha contrato com o Brasil. A informação foi desmentida em seguida.

    "Não tem nada de contrato. Os 20% que o Brett está recebendo é um repasse que todos os treinadores de atletas patrocinados pelos Correios recebem. Ele recebe, o Albertinho (Alberto Silva, técnico do Pinheiros, base da seleção) recebe, o (técnico do Minas, Fernando) Vanzella recebe. Mas acho que é possível dar um jeitinho de segurá-lo", pediu o nadador.

    Com o técnico nas competições ou não, Cielo ainda não tem data marcada para o reencontro com o mentor. Já treinando para a temporada 2010, ele vai se preparar no Pinheiros, com Albertinho, até janeiro. Depois, volta aos EUA.

    "Eu volto em janeiro, mas ainda não sei se no meio do mês ou no final. O Brett vai estar no meio da temporada universitária, não poderá me dar toda a atenção que eu quero. Então, estamos definindo isso ainda".


Tudo graças ao adeus dos supermaiôs, que saem de cena em 1º de janeiro de 2010. "Sem os maiôs, volto a pensar no que fiz em 2007. Meus parâmetros voltam a ser os tempos do Pan".

A mudança pode parecer insignificante, mas não é. Na final do Mundial de Melbourne, em 2007, ele nadou os 100m livre em 48s51, antes da chegada dos trajes de poliuretano. Na final do Mundial de Roma, em agosto, ele fez 46s91, usando um supermaiô. Mais de 1,5 segundo de evolução.

Na prova dos 50m livre, também melhorou muito. Nadar 21s84 valeu o ouro no Rio-2007. Para subir ao lugar mais alto do pódio em Roma, precisou fazer 21s08. "Eu acho que, com a evolução de treinos que eu tive em dois anos, posso nadar, de bermuda, para 21s3. Talvez 21s2", explica.

O que ele mais quer, porém, não é ser tão rápido. Por orgulho, ele quer bater os 21s64 que o russo Alexander Popov fez em 2000. A marca foi recorde mundial até o ano passado, quando os supermaiôs impulsionaram uma chuva de recordes mundiais. "Tenho que ser mais rápido que o Popov, para ninguém ficar falando que eram os maiôs que batiam os recordes".

Para isso, ele usará um uniforme bem diferente para cair na água. Cielo recebeu nesta terça-feira seus primeiros modelos dos trajes aprovados para 2010. No lugar dos maiôs que iam dos tornozelos até o ombro, que exigiam ao menos 30 minutos para serem vestidos, entraram as bermudas - para as mulheres, macaquinhos.

"Recebi três modelos da Arena (sua patrocinadora). Eles são bem parecidos com os que usei nas Olimpíadas de Pequim, mas com material que não é permeável. É como uma lycra, mas mais grossa", conta o campeão olímpico e mundial.

Os supermaiôs, porém, terão uma última chance com o astro brasileiro. O Torneio Open, que fecha o calendário da natação brasileira entre 17 e 20 de dezembro, será o último de Cielo com os modelos R-Evolution (de 2008) e X-Glide (de 2009). A contragosto.

"Pessoalmente, eu gostaria de nadar agora de bermuda. Hoje, estamos em outra vibe, em outro momento da natação. Mas não quero ser o herói de ninguém. Se tiver um pacto, eu nado o Open de bermuda. Mas se não tiver, vou nadar com o que eu nadei esse ano", avisa.

E, com o equipamento que usou na temporada, ele garante que seus tempos podem cair uma última vez. "Estou treinando principalmente para os 50m livre. Fazendo mais trabalho de musculação, muitos tiros. É possível, sim, fazer 21s07", diz. "Hoje, já voltei a treinar forte. Estou mais rápido do que imaginava. O Albertinho (Alberto Silva, seu técnico no Pinheiros) já está me matando".

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