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Sonho de ouro vira pesadelo para o Brasil
Murilo Garavello
Enviado especial do UOL
Em Atenas (Grécia)

A seleção feminina de vôlei do Brasil nunca chegou a uma Olimpíada com tanta chance de ganhar a medalha de ouro como em Atenas. Mas o time vai voltar para casa com o pior desempenho dos últimos Jogos: o quarto lugar.

Comandada pelo técnico José Roberto Guimarães, campeão do masculino na Olimpíada de Barcelona-1992, a seleção brasileira mais uma vez sucumbiu nas semifinais. Na disputa contra a Rússia, o Brasil desperdiçou sete match points e perdeu a chance de fazer uma final inédita. (leia mais)

E o país não teve o consolo nem da medalha de bronze. Na disputa do terceiro lugar, de uma maneira bastante apática, a seleção perdeu para a arqui-rival Cuba, responsável pela eliminação brasileira nas semifinais dos Jogos de Atlanta-1996 e Sydney-2000. (leia mais)

Atenas pode ter assistido à despedida de duas das principais jogadoras do Brasil. As balzaquianas Virna e Fernanda Venturini dificilmente disputarão os Jogos de Pequim-2008. Em compensação, uma nova geração de atletas despontou na Grécia. O destaque foi a atacante Mari, de apenas 21 anos, maior aposta para um resultado melhor na China.

Entretanto, no momento decisivo, tanto as veteranas quanto as novatas foram incapazes de colocar uma bola no chão. Na semifinal contra a Rússia, o Brasil chegou a abrir 24-19 no quarto set. Bastava um único ponto para garantir a presença na final. Mas a bola não caiu, e o time acabou sendo derrotado depois no tie-break.

"É difícil explicar o inexplicável. Nós tivemos todas as chances, o passe na mão, três atacantes na rede... A gente não conseguiu fazer o ponto que mais precisou no jogo. Mas vamos lá, a vida segue", disse o técnico José Roberto Guimarães depois da partida.

A vida seguiu, mas o bronze não veio. Em dois dias, o treinador não conseguiu dar um novo ânimo para as jogadoras, e a seleção caiu de novo diante de Cuba, ficando em quarto lugar.

A falta medalha ofuscou um trabalho fantástico de recuperação no último ano. José Roberto Guimarães assumiu a equipe em julho de 2003, substituindo Marco Aurélio Motta. Na época, a seleção vivia uma de suas maiores crises, com jogadoras deixando o time por discordar dos métodos de trabalho do treinador.

Em pouco tempo, Zé Roberto colocou ordem na casa. Primeiro ele chamou de volta as jogadoras rebeldes, como Érika, Elisângela e Virna. Depois, convenceu Fernanda Venturini a abandonar a aposentadoria para lutar por outra medalha. Assim, a seleção ganhou um padrão de jogo, que se traduziu em resultados.

Depois do sétimo lugar no Mundial de 2002 e da eliminação na primeira fase do Grand Prix de 2003 (pela primeira vez o Brasil ficou fora das finais), a seleção demonstrou que poderia lutar por medalha na Copa do Mundo do ano passado, quando ficou em segundo lugar. Em 2004, os resultados foram ainda melhores, e o Brasil ganhou o título do Grand Prix pela quarta vez. Na Olimpíada, seguia invicto até a fatídica partida contra a Rússia nas semifinais. Leia mais.



A China chegou a Atenas apontada como a favorita ao ouro graças ao seu desempenho em 2003, quando o time asiático arrebatou os dois títulos internacionais do ano, do Grand Prix e da Copa do Mundo. Conquistou o título graças a dois elementos: superação e regularidade.

A exemplo do que ocorreu com Nalbert, no Brasil, a China correu contra o tempo para levar Zhao Rui Rui, 22, sua principal, às Olimpíadas. Ela quebrou a perna em março deste ano e em quatro meses passou intenso tratamento de recuperação para se confirmar em Atenas. O esforço, porém, acabou se mostrando vão. Depois de fazer dois pontos no início da partida de estréia, contra os EUA, Zhao teve a contusão agravada e saiu de quadra para não mais atuar nas Olimpíadas.

Sem ela, a China havia feito uma campanha decepcionante no Grand Prix, um mês antes dos Jogos. Buscando o bicampeonato, terminou apenas em quinto. Naquele jogo contra os EUA, porém, o time foi buscar a vitória, dando o primeiro passo para a grande conquista.

As chinesas terminaram a primeira fase do torneio com uma única derrota, para Cuba, por 3 a 2. Nas quartas-de-final, passaram fácil pelo Japão. A Rússia derrotou a Coréia do Sul para ir à semifinal. O Brasil passou pelos EUA -então líder do ranking mundial. E Cuba despachou a Itália, vice-campeã do Grand Prix.

Com um dos lugares na final garantido pela Rússia, após a vitória de virada sobre o Brasil, China e Cuba se reencontraram para brigar pela outra vaga. Em outra partida épica, as chinesas venceram os dois primeiros sets, mas viram as cubanas forçarem o tie-break. A equipe asiática, no entanto, soube reencontrar seu equilíbrio no quinto set e atropelou as adversárias, confirmando seu lugar na decisão.

Pela decisão do ouro contra a Rússia, fez um jogo digno de final olímpica. Os dois lados capricharam no saque e nas defesas, proporcionando pontos muito disputados durante praticamente toda a partida. Nos três primeiros sets, em raros momentos uma das equipes conseguiu abrir uma vantagem superior a dois pontos. Mas, nos detalhes, as russas conseguiram a vantagem de 2 a 0.

As chinesas então tiveram sangue frio para virar o jogo. Com aparente facilidade, venceram o terceiro set. Na disputadíssima quarta parcial, o saque das asiáticas fez a diferença e elas forçaram o quinto set.

No tie-break, apesar de ser a equipe que mais cedeu pontos em erros ao adversário (23 contra 14 da Rússia), a China foi impecável e não deu chances das russas repetirem o que fizeram contra o Brasil na semifinal. Abriram três pontos de vantagem na reta final e souberam administrá-los até o fim do jogo.

Este foi segundo título olímpico da China. O primeiro ouro foi conquistado há dez anos, em Los Angeles. Depois disso, bateu na trave, ficando a prata em Atlanta-1996. Em Seul-1988 também subiu ao pódio, pelo bronze. Leia mais.


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geração perdida


Veja as imagens seleção em Atenas
  AS BRASILEIRAS

Mari, a revelação

Nome completo: Marianne Steinbrecher

Data de nascimento: 23/08/1983

Local de nascimento: São Paulo (SP)

Altura: 1,88 m

Peso: 70 kg

Residência: São Paulo (SP)