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Redescobrimento olímpico
Nos primeiros Jogos Olímpicos disputados na América Latina, foi feita uma homenagem ao descobrimento da América. Para chegar até a Cidade do México, a tocha seguiu a mesma rota feita por Cristóvão Colombo, o descobridor da América.
Refúgio no Brasil
Ion Drimba, medalha de ouro na esgrima, no florete, fugiu do comunismo e veio para o Brasil. Vive no país há mais de 15 anos e já trabalhou com a seleção masculina. Hoje, mora no sul de Minas Gerais.
Santa altitude
Alguns comentaristas atribuem a chuva de recordes a irregularidades cometidas pelos juizes mexicanos na leitura dos instrumentos que medem a velocidade do vento. O maior argumento é que o vento era de exatamente dois metros por segundo no momento do salto recorde de Bob Beamon, assim como na prova feminina dos 200 metros, vencida pela polonesa Irena Swezzinska (recorde mundial, com 22s58), ou no salto triplo, onde o brasileiro Nelson Prudêncio e Viktor Saneiev quebraram sucessivamente o recorde mundial até a vitória do soviético, com um salto de 17,29 metros. O limite máximo do vento aprovado para homologar um recorde é de 2 metros/segundo.
Maldita altitude
O lado negativo da altitude manifestou-se nos péssimos tempos conseguidos pelos atletas de fundo e resistência. Ganhador dos 5 mil metros, o tunisiano Mohamed Gammoudi foi mais lento do que o vencedor da mesma prova nas quatro Olimpíadas anteriores. Nos 10 mil, o tempo foi o pior dos últimos 20 anos. Nesta prova, o recordista mundial, o australiano Ronald Clarke, chegou na sexta colocação e desmaiou ao cruzar a linha de chegada, ficando inconsciente durante dez minutos. O vencedor foi Naftali Temu, que conseguiu a primeira medalha de ouro da história do Quênia. Os 10 mil metros de 1968 foram também um marco na história olímpica: pela primeira vez, o pódio foi ocupado por três atletas africanos.
Novo estilo
No salto em altura, o norte-americano Richard Fosbury conseguiu a medalha de ouro com uma nova técnica, o estilo Flop, que consiste em saltar de costas, passando primeiro a cabeça e os ombros antes de passar as pernas. Este novo estilo passou a ser usado por todos os saltadores. Outro norte-americano, Al Oerter, conquistou sua quarta medalha de ouro no arremesso do disco, tornando-se o único a ganhar uma prova quatro vezes consecutivas no atletismo.
Ginasta politizada
A ginasta tcheco-eslovaca Vera Caslavska, ganhadora da medalha de ouro na prova individual em Roma-1960, assinou no mês de abril "O manifesto de 2.000 palavras", em apoio ao governo de Alexander Dubcek, que tentava sair da esfera de influência soviética. Quando os tanques soviéticos entraram em Praga, Caslavska se escondeu em uma pequena aldeia nas montanhas, treinando em galhos de árvores e nos campos de grama. Autorizada a ir para o México, acabou ganhando quatro medalhas de ouro e duas de prata. Na trave de equilibro, conseguiu uma pontuação de 9,6, mas a insistência do público, que gritou seu nome durante dez minutos, obrigou os juízes a mudar a nota para 9,8. Nos exercícios de solo, empatou em primeiro lugar com a soviética Larissa Petrik, o que implicava subir ao pódio juntas e escutar os dois hinos. Enquanto o hino soviético era executado, Caslavska abaixava a cabeça e mostrava sinais de desconforto.
Família unida
A medalha de prata de ciclismo na prova contra relógio foi conquistada pela equipe da Suécia. O curioso é que o time escandinavo era composto por quatro irmãos: Erik, Gosta, Sture e Thomas Pettersson.
Tinha algo na água...
Nas provas da natação, a maior protagonista foi uma infecção estomacal que derrubou grande parte dos nadadores, entre eles o norte-americano Mark Spitz, que, apesar dos problemas, conseguiu as medalhas de ouro no revezamento 4 x 100 e 4 x 200 nado livre, a medalha de prata nos 100 metros borboleta e a de bronze nos 100 metros livre. Uma excelente atuação, que anunciava a explosão de quatro anos mais tarde, nos Jogos de Munique.
Várias provas a mais
Na natação, foram incluídas quatro novas provas masculinas (200 livres, 100 nado de peito, 100 borboleta e 200 medley) e seis femininas (200 e 800 livres, 100 nado de peito, 200 borboleta, 200 nado de costas e 200 individual medley).
Quatro quilos e uma medalha a menos
A infecção fez com que a norte-americana Catie Ball perdesse quatro quilos em poucos dias, ficando relegada a uma obscura quinta colocação nos 100 metros nado de peito, prova em que era a favorita. Venceu a iugoslava Djurjica Bjedov, que deu a seu país a primeira medalha individual na Natação.
O atleta soviético Mamo Wolde conquistou a última das três medalhas de ouro seguidas dos etíopes na maratona. Wolde tinha um longo e pouco comum histórico em Olimpíadas. Sua primeira aparição foi em Melbourne, em 1956, onde competiu nos 800 e nos 1.500 metros, chegando em último na sua série em ambas provas. Correu como terceiro no revezamento 4 x 400m, que também acabou na última colocação. Em Roma, em 1960, não participou. Voltou em Tóquio, já como corredor de fundo, disputando a maratona (mas sem completar o percurso) e os 10 mil metros, na qual acabou em quarto. Em 1992, Wolde foi preso, acusado de fazer parte da oposição ao governo. Ele teria matado um adolescente de 15 anos quando era tenente da guarda imperial de Haile Selassie. Em janeiro de 2002, foi sentenciado a seis anos de prisão. Saiu da cadeia surdo, com bronquite e problemas de visão. Morreu em abril daquele mesmo ano.
Outras olimpíadas