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24/05/2004 - 16h16
"Este é o melhor momento da minha carreira", afirma Scheidt

Pedro Junior
Em São Paulo

O velejador Robert Scheidt afirmou que este é o melhor momento da sua carreira. Após a conquista do heptacampeonato mundial da classe Laser, na semana passada, o medalhista em duas Olimpíadas, ouro em Atlanta-96 e prata em Sydney-00, não quis prometer a primeira colocação em Atenas, mas reconheceu que é um dos favoritos ao lugar mais alto do pódio.

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Após conquista do hepta Mundial, Scheidt afirma estar no melhor momento da carreira
"Se não é o melhor momento, é um dos melhores. Estou com vigor físico dos meus 23 anos, mas com mais experiência", explica o atleta de 31 anos, em entrevista coletiva num restaurante da cidade de São Paulo, nesta segunda-feira. "Eu me sinto mais rápido, não preciso mais arriscar nas largadas", completa.

Cláudio Biekarck, técnico do velejador, confirma a boa forma do pupilo. "Ele evoluiu muito desde as Olimpíadas de Sydney, quando ficou com a prata. Agora, ele sabe como defender-se e como atacar os adversários", conta. Nos Jogos de 2000, Scheidt perdeu o ouro para Ben Ainslie, porque não conseguiu se desvencilhar da marcação do inglês na última regata.

"Hoje, posso dizer que aprendi a conviver com a pressão por bons resultados", decreta Scheidt.

Demonstrando o 'aprendizado' de lidar com a pressão, Scheidt se esquiva quando perguntado se a medalha de ouro nas Olimpíadas de Atenas está garantida. "Não existe medalha garantida. Tenho chances de estar no pódio. Para isso tenho que desempenhar bem o meu papel", afirma. "Eu não me cobro pelo ouro. Meu objetivo é estar no pódio", conclui.

"No Brasil existe uma cultura do ouro. Para quem chega às Olimpíadas, o pódio já uma vitória. E essa é a minha meta. Não importa o que os outros pensem", diz Scheidt, que tem 107 títulos e, neste ano, ganhou todos os campeonatos que disputou.

O brasileiro será o velejador mais experiente nas regatas da classe Laser, nos Jogos Olímpicos da Grécia. Os sete títulos mundiais, os dois vice-campeonatos do mundo, as duas medalhas olímpicas fazem de Scheidt o 'homem a ser batido'. Isso não o assusta. "O fato de ser favorito tem um lado positivo e outro negativo. O bom é que os adversários ficam mais acuados, mas ao mesmo tempo, todo mundo quer te vencer. Mas estou tranqüilo. Aprendi a lidar com isso".

Scheidt também revelou que não existe um rival mais forte, com quem vai brigar pelo ouro olímpico. "Hoje, muitos velejadores têm condições de ganhar em Atenas. Os barcos da Austrália, Estados Unidos, Portugal, Suécia, Nova Zelândia e África do Sul são fortes concorrentes".

Por causa dessa competitividade na modalidade, o brasileiro decidiu mudar seu plano de treinamentos para as Olimpíadas. Scheidt, que disputaria a Semana de Kiel, na Alemanha, decidiu competir no Campeonato Grego de vela, que acontece de 25 a 29 de junho.

"Todos os meus adversários nas Olimpíadas vão disputar esta competição. Então, decidi desistir do torneio alemão, que é mais tradicional, para disputar as regatas na Grécia", explica. "O Campeonato Grego vai ser como um mundial, os principais velejadores estarão lá".

Scheidt embarca para Atenas no próximo dia 12 e faz duas semanas de treinos na raia olímpica junto com atletas espanhóis e gregos, antes de disputar o campeonato.

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Scheidt desiste de torneio da Alemanha e disputa Campeonato Grego, em junho
Na entrevista coletiva, o velejador mostrou o troféu que trouxe do Mundial conquistado na Turquia, o terceiro que vai tentar conquistar em definitivo.

"São necessários três títulos para ficar definitivamente com a taça, e agora estou na briga por mais essa conquista", contou Scheidt, que garantiu a posse definitiva do primeiro troféu com os títulos mundiais de Tenerife/95, Cidade do Cabo/96 e Algarrobo/97 e do segundo em Cancún/2000, Cork/2001 e Cape Cod/2002.

Futuro incerto
Sem muitos títulos a conquistar na classe Laser, os pensamentos de mudar de categoria já rondam a cabeça de Scheidt. Porém, ele prefere não adiantar qual será seu destino. "Não estou pensando nisso agora. Estou completamente focado para os Jogos Olímpicos. Mas, depois, vou sentar, pensar e conversar com algumas pessoas para decidir o que fazer".

Scheidt deve migrar para a classe Star, a mesma na qual compete Torben Grael. O velejador, inclusive, já comprou um barco da categoria. Porém, para aumentar as especulações de onde será seu destino, Scheidt desconversa. "Quem sabe eu não duele com o Ainslie - britânico rival do brasileiro nas Olimpíadas de Sydney-00 - na classe Finn", explica com um sorriso no rosto.

O técnico acredita que o brasileiro abandone a categoria no ano que vem, após a disputa do Mundial de Laser, em Fortaleza, no Ceará. "Acredito que ele dispute o Mundial no Brasil e feche com chave de ouro a sua história na Laser".

Já em qual categoria o pupilo deve ir, Biekarck prefere não arriscar um palpite. "O caminho natural seria a classe Finn, mas para competir nela teria que ganhar uns 15 quilos. Na Star, ele teria que se confrontar com o Torben. Mas ele pode preferir algo mais rentável e competir numa classe oceânica".

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