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11/08/2004 - 19h09
Com delegação feminina recorde, Brasil pode sofrer com a TPM

Lello Lopes*
Em São Paulo

Élora Pattaro sente cansaço, falta de concentração e nervosismo. O autocontrole vai embora mais facilmente e ela se deixa levar pelas emoções, prejudicando a estratégia de jogo. O causador das adversidades, embora não seja desconhecido, é perigoso. E deve atrapalhar, de uma forma ou de outra, em maior ou menor intensidade, quase todas as 122 mulheres da delegação brasileira -e quase todas as mulheres de todas as delegações- nos Jogos Olímpicos de Atenas. O adversário interno da esgrimista e das outras atletas é a TPM.

Folha Imagem 
Élora Pattaro sofre com a TPM, mas não recorre à medicina para se sentir melhor
"Não me sinto confortável em competir na TPM", admite a esgrimista de 19 anos, uma das mais novas atletas da delegação. A participação recorde das mulheres brasileiras em Atenas, no entanto, não significa um cuidado maior com o assunto. Poucas atletas controlam os efeitos da tensão pré-menstrual antes de competições de grande porte, como as Olimpíadas.

A TPM é o efeito da alteração no nível de três hormônios (estrógeno, progesterona e testosterona) no corpo feminino nos dias que antecedem a menstruação. Manifesta-se de maneira diferente em cada pessoa. Segundo Wagner Castropil, médico da seleção de judô e especialista na área de saúde da mulher, as atletas deveriam ter acompanhamento médico dos efeitos da menstruação no esporte, mas poucas o têm. "A mulher se sente mal, se sente inchada, retém líquido, toda uma operação que limita a performance", diz.

Divulgação/COB 
Fabiana Beltrame não tem dúvida: se for acontecer durante os Jogos, vai de pílula
Mais do que os efeitos da TPM, a falta de acompanhamento do ciclo menstrual pode causar problemas para as atletas, até mesmo o aparecimento de certas doenças, como a oligo-amenorréia (leia mais sobre o assunto), que é um quadro crônico de atraso de menstruação e que atinge de 10% a 20% das atletas. Uma das alternativas propostas pelo médico é controlar o ciclo com a ingestão de pílulas. "A pílula é o hormônio. Aí não tem problema", diz Castropil.

Algumas atletas preferem não recorrer a remédios, mesmo sofrendo as conseqüências. "Tenho medo de mexer no ciclo natural. Mas, quando fico menstruada, eu caio mesmo, fico de cama", conta a judoca Vânia Ishii. Mesmo assim, ela acredita que luta bem até quando está "naqueles dias".

Geisa Coutinho, representante do país nos 400 m rasos, é outra atleta que não gosta de alterar o ciclo menstrual, apesar dos contratempos. "Tenho muitas cólicas e não me sinto legal, (mas) procuro não mexer no organismo, é muito importante que tudo fique equilibrado para ter um bom desempenho."

Divulgação/COB 
Para Érika, o segredo é entrar no clima da competição; aí, nada mais atrapalha
Entretanto, aos poucos, a prática começa a ser revista. "Na TPM, fico bem irritada, mas, para competir, não me atrapalha. Acho até que fico mais decidida, e não compromete a concentração. Já quando estou menstruada, não me sinto muito bem. No período dos Jogos, se sentir que vou ficar menstruada, vou tomar pílulas para controlar", diz Fabiana Beltrame, primeira brasileira a competir no remo em Olimpíadas.

Mas a melhor receita para controlar os efeitos da TPM vem de Érika, do vôlei. Veterana nos Jogos, a jogadora vê na própria Olimpíada a solução para os problemas. "Na Olimpíada está todo mundo com um astral tão alto que ninguém sente nada", atesta a jogadora.

Colaboraram Murilo Garavello, Leopoldo Godoy e Nicolás Morell

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