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13/08/2004 - 18h07
Cerimônia sem falhas abre Jogos de Atenas

Da Redação
Em São Paulo

Se depender da cerimônia de abertura realizada nesta sexta-feira, 13, os Jogos de Atenas vão calar os críticos, que passaram os últimos quatro anos duvidando da capacidade dos gregos de organizar uma nova Olimpíada.

Reuters 
Arcos olímpicos, que foram acesos por um "cometa" vindo do topo do estádio
Num espetáculo de quase três horas e meia, sem falhas aparentes, os idealizadores surpreenderam o público com o uso de efeitos pirotécnicos, alta tecnologia, coreografias simples mas com bastante significado e a apresentação da cantora islandesa Björk, com uma música especialmente composta para o evento.

A cerimônia, remetendo à Antigüidade, explorou ao máximo o fato de os gregos terem criado a Olimpíada, com a primeira edição em 776 a.C., e terem sido a sede dos primeiros Jogos da era moderna, em 1896. A maioria das coreografias representou mitos da Grécia Antiga e elementos do folclore grego.

Mas também houve referências atuais: a entrada dos atletas foi embalada por música eletrônica, e dois astronautas falaram, ao vivo, direto do espaço.

Algumas cenas marcaram o evento. Nos primeiros minutos, logo após o pôr-do-sol, um raio de fogo, como se fosse um cometa, desceu do topo do estádio olímpico até seu centro e acendeu por alguns minutos os cinco aros olímpicos, que estavam dentro de um espelho d´água montado para representar o mar -elemento fundamental da cultura helênica.

AFP 
Bandeira grega com as delegações alinhadas no estádio olímpico
Uma hora e meia depois, quando todas as delegações já haviam entrado e se posicionado no centro do estádio olímpico (já seco), os esportistas gregos entraram com folhas de oliveira e se posicionaram em torno de todas as delegações _de modo a representar uma coroa de louros sobre todos os competidores.

Das dificuldades previstas em 2000 -quando a Grécia recebeu uma advertência do Comitê Olímpico Internacional de que poderia não sediar os Jogos devido a atrasos no cronograma-, nenhuma se concretizou.

Mas os gregos iniciam os Jogos sob a suspeita de uso de doping de dois de seus principais atletas, os corredores Costas Kenteris e Ekaterina Thanou. Kenteris, que ganhou ouro em Sydney-2000 e estava cotado para acender a pira olímpica, sofreu um acidente suspeito ontem, um dia depois de faltar a um teste de sangue.

A pira foi acesa às 18h05 pelo velejador Nikolaus Kaklamanakis, medalha de ouro na classe Mistral em Atlanta-1996.


Veja, a seguir, destaques da cerimônia:

AFP 
Réplica de barco de papel com menino que conduziu bandeira da Grécia
O INÍCIO - Às 20h44 (14h44 em Brasília), um telão no estádio exibiu cenas de todas as Olimpíadas realizadas desde 1896 e iniciou uma contagem regressiva. Às 14h45, exatamente no horário previsto, a cerimônia começou, com o estouro de uma bateria de fogos de artifício em torno da cobertura do Estádio Olimpico, que ficou pronto há apenas um mês.

Na seqüência, 400 percussionistas começaram a tocar um ritmo grego que imita as batidas do coração. Às 14h48, o "cometa" pirotécnico acendeu os aros olímpicos (com argolas de 17,5 m de diâmetro e 58 m de circunferência), que se incendiaram sobre um espelho d´água com 2,16 milhões de litros.

O fogo foi se apagando aos poucos e, às 14h51, um pequeno "barco de papel" apareceu na água. Dentro dele, um menino com uma bandeira grega na mão saiu e acenou para a platéia.

O hino da Grécia foi tocado às 14h56 por um coro exclusivamente masculino, e a bandeira grega foi então hasteada.

Do centro do "mar", surgiu uma máscara, onde foram projetadas imagens de fórmulas matemáticas e desenhos geométricos estudados pelos gregos na Antigüidade. A máscara se abriu em oito partes, formando a réplica da escultura de um homem. Essa "estátua" se desmembrou em 18 novas partes, que pousaram sobre o "mar", representando as ilhas gregas. Ao centro, surgiu a figura de um cubo, considerado por Pitágoras como a "figura perfeita".

A partir daí, começou uma parada com atores representando períodos-chave da cultura helênica, da Grécia Antiga até os tempos atuais. No final, raios de luz formaram a imagem representativa do DNA (as duas hélices), e o "mar" começou a sumir, com a água sendo sugada para reservatórios construídos no subsolo do estádio.

Do "mar", agora esvaziado, surgiu uma oliveira, árvore sagrada para os gregos, terminando a primeira parte da cerimônia.

AS DELEGAÇÕES - A Grécia costuma abrir o desfile das delegações nas cerimônias. Mas, desta vez, por sediar os Jogos, foi a última a entrar. Por simbologia, às 15h27, um atleta entrou sozinho carregando a bandeira grega.

Na seqüência, entraram os atletas estrangeiros, de acordo com a ordem do alfabeto grego. A primeira delegação foi a de Santa Lúcia, e o Brasil, a 31ª, depois, por exemplo, da Venezuela.

BRASIL - Às 15h44, o Brasil foi anunciado e teve sua delegação aplaudida moderadamente. O velejador Torben Grael carregou a bandeira brasileira, seguido pelos demais atletas, com as mulheres à frente.

Vários atletas que competirão no fim de semana, como o tenista Gustavo Kuerten e a ginasta Daiane dos Santos, foram poupados do desfile. As principais estrelas foram os atletas do vôlei e do vôlei de praia, candidatos a medalha de ouro nos Jogos.

O vestuário dos brasileiros fez referência ao calçadão de Copacabana, com as listas onduladas nas saias das mulheres e nas gravatas dos homens.

A judoca Vânia Ishii desfilou com uma coroa de louros.

IRAQUE X EUA - A pequena delegação iraquiana, que entrou às 16h02, foi bastante aplaudida. O país tera 25 atletas nos Jogos. Já os Estados Unidos, que haviam acabado de desfilar, tiveram uma recepção fria, sem aplausos nem vaias efusivas.

CORÉIAS - Coréia do Sul e do Norte entraram juntas, num gesto de "trégua olímpica" em relação ás diferenças políticas entre os dois países. Por isso, as delegações totalizaram 201, uma a menos que o total de países inscritos nos Jogos.

O FINAL -Após a entrada de todas as delegações estrangeiras, um atleta foi ao centro do estádio, onde havia uma oliveira (representando a Grécia) em meio às bandeiras dos países. Às 17h19, a delegação grega completou a volta na pista e "abraçou" os demais atletas, que estavam no centro do estádio.

A cantora Björk iniciou então sua apresentação, encerrada com um show de fogos e sucedida por uma imagem, no telão, de dois astronautas (um russo e um norte-americano), que passaram direto da estação espacial Mir uma mensagem de apoio aos atletas.

Às 17h33, em outro momento marcante, um grego fez uma "corrida através dos tempos", com cada fita rompida representando uma Olimpíada realizada.

Em seguida, o presidente do Comitê Olímpico Internacional, Jacques Rogge, discursou e agradeceu a voluntários. Também pediu paz e disse aos atletas para disputarem os Jogos de maneira limpa, sem doping.

Às 17h46, O presidente da Grécia, Costis Stéphanopoulos, abriu oficialmente os Jogos. Os sinos, presentes em cerimônias importantes da Grécia, foram tocados, e a bandeira olímpica, com os cinco anéis, entrou no estádio. Depois de hasteada, atletas prestaram o juramento olímpico.

Às 18h, com as luzes do estádio apagadas, atletas gregos iniciaram peregrinação pelo estádio com a tocha olímpica, que terminou nas mãos do responsável por acender a pira, o velejador Nikolaus Kaklamanakis.

Com a pira acesa, começou novo show de fogos de artício -desta vez, no estádio e em seu redor.

O ESTÁDIO - Com 72 mil lugares, o Estádio Olímpico de Atenas foi construído em 1982, mas completamente remodelado de 2000 a 2004.

AUDIÊNCIA - A previsão dos organizadores é que 4 bilhões de pessoas assistiram à cerimônia de abertura pela TV, ou seja, quase 2/3 da população do planeta.

BUSH E BLAIR - No estádio olímpico, estavam presentes o ex-presidente norte-americano George Bush (pai do atual presidente), o primeiro-minitro britânico, Tony Blair, e a rainha Sofia, da Espanha.

SEGURANÇA - As Olimpíadas de Atenas são as primeiras pós-atentados de 11 de setembro de 2001. Por isso, o orçamento de segurança foi recorde: US$ 1,2 bilhão. Além dos 70 mil seguranças dedicados exclusivamente aos Jogos, há 200 mil soldados, marinheiros e policiais de prontidão. Enquanto a cerimônia era realizada, um dirigível com uma câmera superpotente patrulhava a cidade do alto, e uma zona de proibição de vôo foi estabelecida.

IRÃ - A participação do grande astro olímpico iraniano em Atenas se limitou a carregar a bandeira de seu país. Arash Miresmaeili, bicampeão mundial na categoria até 66 kg, desistiu dos Jogos ao se negar a enfrentar o israelense Ahud Vaks, por motivos políticos -em apoio à causa palestina.

CHINA - Um aspecto que destoa na delegação chinesa é a quantidade de mulheres, 269, quase o dobro dos 138 homens. O país também teve o porta-bandeira mais alto, o jogador de basquete Yao Ming, de 2,26 m.

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