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15/08/2004 - 08h31
Borges encerra carreira gloriosa com final melancólico

Murilo Garavello
Enviado especial do UOL
Em Atenas (Grécia)

Um dos atletas mais vitoriosos de nossa história finalizou neste domingo sua carreira com um último capítulo melancólico. Gustavo Borges, maior medalhista do Brasil na história das Olimpíadas (quatro) e dos Jogos Pan-Americanos (19), se despediu das piscinas fazendo parte do revezamento 4x100 m livre, que não conseguiu passar para a final da prova.

O atleta que virou modelo de conduta dentro e fora do esporte, alçado a símbolo da geração-saúde, foi o segundo a cair na piscina na manhã deste domingo, em Atenas. Borges, que várias vezes declarou que "detesta" perder, viu o Brasil obter apenas o 12º lugar nas semifinais, com o tempo de 3min20s20 -quase três segundos pior do que a marca que havia levado a equipe à medalha de bronze na mesma prova em Sydney-2000.

"Queria ter encerrado minha carreira com uma final olímpica, mas já estava preparado para parar com uma derrota. Venho pensando nisso e me preparando há muito tempo. Sei que parei na hora certa", disse o nadador, que, em Barcelona-1992, foi medalha de prata nos 100 m livre. Em Atlanta-1996, ficou com a medalha de bronze na mesma prova e obteve a prata nos 200 m livre.

A equipe brasileira utilizou hoje a mesma estratégia de Sydney-2000: colocou seus principais velocistas para abrirem o revezamento. Coube então a Jáder Souza a responsabilidade. Porém, o nadador não conseguiu se impor: foi apenas o sétimo. Borges, então, caiu na água e ganhou apenas uma posição. Carlos Jayme e Rodrigo Castro, terceiro e quarto, respectivamente, que fecharam a prova, mantiveram o ritmo.

"Nadei muito bem, fiz uma prova consistente, mas não deu", disse Borges, que se emocionou durante entrevista à imprensa. "Tenho tanta gente a agradecer. Quando começo a lembrar... Principalmente meu avô...", disse, com a voz embargada, enxugando as lágrimas. "Mas passei por muitas coisas boas e ainda vou ter a honra de carregar a bandeira do Brasil no encerramento, que talvez seja a medalha que faltava à minha carreira".

Borges (considerado o 13º melhor nadador do mundo na década de 90, segundo estatística feita pela revista The World of Swimming, da Federação Internacional), em seguida, disse que quer aproveitar os dias que restam até a cerimônia de encerramento para aproveitar sua última experiência olímpica. "Até hoje só vi o Brasil ganhar uma medalha olímpica, a do Xuxa em 96. Quero assistir a muitos esportes, me emocionar com as medalhas e curtir essa Olimpíada em cada detalhe. Ter a experiência olímpica que eu nunca tive porque sempre estava concentrado demais, voltar a ser criança um pouquinho".

O ultimo dia
Em seu último dia como competidor olímpico, Gustavo Borges disse não ter ficado ansioso. E relembrou a Olimpíada de 1992. "Em Barcelona, no primeiro dia antes de competir, fiquei das 22h às 4h indo no banheiro a todo momento. Estava muito ansioso. Acabei dormindo superpouco e, no dia seguinte, nadei mal -fiquei em 22º quando era para ter pegado uma final dos 200 m. Ontem à noite, fui dormir às 22h. Acordei para ir ao banheiro às 22h30. Pensei que fosse acontecer de novo. Mas não, só acordei de novo às 4h porque tava com frio".

De acordo com o nadador, hoje não houve nervosismo. Ele se aqueceu, deu algumas braçadas para soltar os músculos. Foi abordado pelo norte-americano Gary Hall Jr, multicampeão olímpico, que se aproximou e disse: "enjoy it" (aproveite).

"Eu estava concentrado na prova de hoje, foi normal. Mas, a partir do momento em que saí da piscina, o dia passou a ser longo. Fui à salinha de concentração, lembrei de vários momentos me deu uma sensação estranha. Tou tendo de lidar com muitas emoções diferentes".

Borges e o futuro
Formado em economia na Universidade de Michigan (EUA), toca um projeto social, dá palestras para executivos e clínicas para professores e nadadores. Se não bastasse, é sócio de uma escola de inglês, possui um centro em Curitiba e outro em São Paulo que proporcionam aulas de natação, hidroginástica e condicionamento físico para pessoas de todas as faixas etárias.

Agora, Borges seguirá na carreira de empresário, que já vinha conciliando com o esporte nos últimos anos. "A primeira coisa que quero fazer é ficar até o final do ano sem nenhuma rotina. Quero fazer tudo o que der vontade", afirmou hoje, rindo.

"Não vou sentir falta dos treinos tão cedo, apesar de que vou continuar dando uma nadadinha para não engordar. Tenho de vestir a sunga para dar aulas na escolinha, não quero que me vejam gordo. Até já apostei com muitas pessoas que não vou passar dos 100 quilos", afirmou o nadador -que hoje pesa 96- demonstrando que até depois de aposentado pretende seguir dando exemplos.

"Se alguém for me tomar como exemplo, queria que soubesse que nada na vida vem por acaso, tudo tem uma razão. É essa minha mensagem: trabalhe forte e com consciência, estabeleça prioridades e seja determinado", ensina o nadador.

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