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18/08/2004 - 08h06
Honorato "queima língua", perde de rivais inexpressivos e é eliminado

Murilo Garavello
Enviado especial do UOL
Em Atenas (Grécia)

Carlos Eduardo Honorato chegou aos tatames de Atenas temido por todos os adversários, apontado pela FIJ (Federação Internacional de Judô) como o mais completo e perigoso da categoria médio (até 90 kg) e declarando não se contentar com algo menos nobre do que o ouro. "A medalha de ouro em Atenas é minha", declarou, durante todo o ano, o vice de Sydney-2000.

Queimou a língua, mostrou apatia e decepcionou a todos ao cair diante de dois rivais inexpressivos internacionalmente, de países sem tradição nenhuma no judô -nas quartas-de-final, o britânico Winston Gordon o mandou para a repescagem, em que o australiano Daniel Kelly o alijou até da disputa do bronze.

Os membros da delegação brasileira de judô -e até o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Artur Nuzman- presente apenas a eventos de grande porte em Atenas-2004, apostavam em medalha do mais vitorioso judoca brasileiro em atividade. Mas o que viram foi um judoca passivo, que em nada lembrou a performance na Austrália -em uma delas, quebrou o braço do então campeão mundial.

AFP 
Winston Gordon festeja a vitória sobre Carlos Honorato; clique e veja mais fotos
Nem a chave Honorato pôde culpar. O único adversário que poderia rivalizar com o peso de seu favoritismo apareceria apenas nas semifinais: o geórgio Zurab Zviadauri (vice nos dois últimos Mundiais), que derrotou o francês Frederic Demontfaucon (bronze em Sydney e campeão mundial de 2001).

Já na parte de baixo da chave estavam nada menos do que o atual campeão mundial (o sul-coreano Hee Tae Hwang), o medalhista de ouro de Sydney-2000 (o holandês Mark Huizinga), o ucraniano Valentyn Grekov (bronze no Europeu-04) e Hiroshi Izumi, da tradicional escola japonesa.

Sem ver a pegada, que sempre foi sua característica, ninguém ficou com dó ou procurando desculpas para o vice-campeão olímpico e bronze no Mundial de Osaka-03. "Foi muito aquém da expectativa e muito abaixo do que poderia fazer, até porque foi favorecido pelo sorteio. Lutou muito mal contra o mongol (Tsend-Ayush Ochirbat, nas oitavas-de-final) e pior ainda contra o inglês", afirmou Ney Wilson, chefe da equipe brasileira. "Precisaria conversar com ele para ver o que realmente aconteceu."

"A altura e a envergadura (de Winston Gordon) atrapalharam, mas não dá para usar como desculpa, porque ele está acostumado a enfrentar lutadores assim", afirmou Rogério Sampaio, campeão olímpico em Barcelona-92 que estava nas arquibancadas do ginásio Ano Liossia. "A arbitragem foi subjetiva, pesando contra, mas não dá para dizer que foi tendenciosa", completou.

Para Ivo Nascimento, técnico do medalha de bronze Leandro Guilheiro, Honorato não estava em um dia bom. "Tem dia em que você não consegue desenvolver sua luta, encaixar sua pegada. Ele estava apático".

Apenas na primeira luta o brasileiro conseguiu um golpe matador. Com um uchi-mata, venceu por ippon o argelino Khaled Meddah, vice-campeão africano -o que não significa muita coisa, dada a falta de tradição do continente na modalidade. Na segunda luta, contra o mongol Tsend-Ayush Ochirbat, Honorato não conseguiu encaixar nenhum grande golpe -venceu pelas punições por falta de combaitividade que seu adversário sofreu. Em vantagem, o brasileiro apenas administrou a vantagem e ainda foi punido duas vezes por falta de iniciativa.

Nas quartas-de-final, Honorato enfrentou o britânico Winston Gordon. E, mais uma vez, nada pôde fazer. Teve dificuldades para lidar com a envergadura do britânico e pouco arriscou. Eliminado da disputa do ouro, Honorato ainda teria a chance do bronze. Mas a perdeu diante de um judoca limitado, Daniel Kelly.

Honorato e Kelly evitaram contato mais forte no primeiro minuto, o que gerou um shido (punição por falta de combatividade, que vale um koka) para ambos. O paulistano começou a mostrar iniciativa, ao contrário do australiano, que foi novamente punido. Mesmo com uma vantagem mínima, Honorato se acomodou e, tentando administrar a vantagem, acabou sofrendo um golpe leve, um yuko (pontuação logo acima do koka), que definiu o resultado.

No feminino, o país não tinha representante na categoria médio, disputada nesta quarta. As quatro que entraram no tatame grego caíram logo na estréia (Daniela Polzin, Fabiane Hukuda e Vânia Ishii) ou na segunda rodada (Danielle Zangrando).

No masculino, o leve Leandro Guilheiro e o meio-médio Flávio Canto conquistaram o bronze por meio da repescagem -ambos caíram nas quartas-de-final.

Nesta quinta, lutam os meio-pesados Mário Sabino e Edinanci Silva. E Daniel Hernandes fecha a participação brasileira na sexta-feira.

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