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25/08/2004 - 15h45
Grécia destoa da tradição de "papa-medalhas" das sedes olímpicas

Murilo Garavello
Enviado especial do UOL
Em Atenas (Grécia)

Torcida -e arbitragem- a favor, participação em todas as modalidades, mais dinheiro para investir e a determinação de não dar vexame em casa. Essa receita criou uma espécie de tradição olímpica nos últimos anos: os países que recebem a Olimpíada vêem aumento no número de medalhas conquistadas.

Arte UOL 
A Grécia, apesar de todos os esforços e de algumas supreendentes medalhas, dificilmente chegará a uma melhora tão significativa quanto as mostradas por Coréia do Sul (Seul-1988), Espanha (Barcelona-1992) e Austrália (Sydney-2000) quando receberam Olimpíadas.

Os EUA, que, em Atlanta-1996, tiveram uma queda em seu desempenho, são uma exceção -perderam medalhas em casa. Mas há uma explicação bastante razoável para isso: desde o início dos anos 90, há uma tendência clara de pulverização das medalhas. Os EUA, potência olímpica, são os principais atingidos pelo fenômeno.

Até aqui, os gregos somam cinco ouros, três pratas e dois bronzes -desempenho semelhante aos quatro ouros, seis pratas e três bronzes de Sydney-2000. Têm mais uma medalha certa, no pólo aquático feminino, em que surpreendentemente chegaram à final. Devem ganhar mais alguma no atletismo e na luta, cujas competições estão em andamento. Entretanto, números como os de Austrália, Espanha e Coréia parecem improváveis a quatro dias do fim das competições olímpicas.

Um dos combustíveis para uma certa frustração foi o desempenho abaixo da expectativa numa modalidade em que a Grécia é potência, como o levantamento de peso. Em Sydney-2000, a Grécia obteve dois ouros, duas pratas e um bronze. Em casa, em Atenas-2004, até aqui, apenas um bronze -e a competição se encerra hoje. Um dos pesistas gregos, Leonidas Sampanis, foi pego no antidoping e perdeu sua medalha de bronze.

E o doping também devastou a esperança depositada em Kostantinos Kenteris e Ekaterina Thanou, ouro e prata no atletismo em Sydney-2000. Os atletas protagonizaram o maior vexame dos Jogos até aqui: fugiram de quatro exames antidoping. Pior, forjaram um acidente automobilístico com internação em um hospital como justificativa. A farsa foi descoberta, e os dois renunciaram à Olimpíada.

Estratégias, surpresas
Os gregos estão seguindo pelo menos uma tradição de países-sede: a de quebrar tradições. Até agora, chegaram ao pódio inusitadamente nos saltos ornamentais, judô e pólo aquático.

Reuters 
Seleção feminina de pólo aquático da Grécia comemora classificação à final
Nos saltos ornamentais, Nikolas Sirandis e Thomas Bimis haviam obtido o 14º lugar no Mundial do ano passado no trampolim sincronizado. Eram os nonos colocados no ranking da Federação Internacional antes do início da Olimpíada. Como melhor resultado, tinham um terceiro lugar no GP de Madri, em 2003. Nunca tinham feito mais de 300 pontos na prova. Em Atenas, com uma participação elogiada pelos rivais, obtiveram 353,34 pontos para chegar à medalha de ouro.

"O apoio do público ajudou muito. Esse foi nosso doping", disse Bimis, após a vitória. "Estamos vivendo um conto de fadas. Mal consigo falar".

No judô, para chegar ao ouro, a estratégia foi diferente. Ilias Iliadis, campeão dos médios em Atenas-2004, nasceu na Geórgia -país do Leste Europeu que ganhou na modalidade duas de suas três medalhas nesta Olimpíada-, mas é descendente de gregos. "Me sinto grego", disse Iliadis, falando na língua de seu país natal e contando com a tradução de seu pai e técnico, Nikos, para que os jornalistas gregos o entendessem.

No levantamento de peso, o medalhista de bronze Pyrros Dimas nasceu na Albânia. No beisebol, a estratégia de montar uma seleção com jogadores de ascendência grega provenientes dos EUA -que provocou até a demissão do técnico, que chorou de indignação pela manobra- não deu certo. O time foi eliminado antes das finais.

Já no pólo aquático, a seleção feminina que havia sido nona colocada no último Campeonato Mundial surpreendeu as favoritas Rússia -bronze em Barcelona-2003- e Austrália, atual campeã olímpica. As derrotadas russas deixaram a piscina reclamando muito da arbitragem. A suspeita de favorecimento pode ser legítima: o pólo aquático é uma modalidade em que as marcações de faltas podem mudar completamente o panorama das partidas, e a vitória grega foi apertada, por dois gols.



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