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25/08/2004 - 15h43
Ricardo e Emanuel confirmam favoritismo e ganham 2º ouro do Brasil

Murilo Garavello
Enviado especial do UOL
Em Atenas (Grécia)

Não houve sequer um momento de tensão ou nervosismo para a torcida. Todos sabiam quem eram os favoritos e eles não decepcionaram: ficaram à frente do placar o tempo inteiro -só houve empate no 0 a 0 de início dos sets. Isolada a disputa na quadra, à parte a arena lotada e os uniformes dos jogadores, um desavisado poderia imaginar que assistia a uma partida de primeira fase dos Jogos Abertos do Interior. Entre um time quase perfeito e outro bastante inferior.

Reuters 
Ricardo e Emanuel beijam a medalha de ouro; veja fotos da conquista brasileira
Passeando em quadra e exibindo um jogo consistente que beirou a perfeição, Emanuel e Ricardo tornaram a decisão da medalha de ouro do vôlei de praia uma mera formalidade antes da coroação final. Em 42 minutos, os brasileiros despacharam os espanhóis Javier Bosma e Pablo Herrera por 2 sets a 0, com parciais de 21-16 e 21-15, e fizeram o hino nacional brasileiro tocar pela segunda vez nas Olimpíadas de Atenas.

A decisão foi bem parecida com a feminina, quando as norte-americanas Misty May e Kerri Walsh, favoritas ao título, não deram chance para as brasileiras Adriana Behar e Shelda. O bronze ficou com os suíços Patrick Heusher e Stefan Kobel, que venceram os australianos Julien Prosser e Mark Williams.

Atuais bicampeões do Circuito Mundial, Ricardo e Emanuel entraram na Olimpíada na condição de favoritos. Não era para menos: neste ano, venceram seis das 11 etapas de que participaram no Circuito e foram a degrais inferiores do pódio outras três vezes. De adversidade, apenas a série de fracassos brasileiros na disputa masculina do vôlei de praia nos Jogos. Nas duas edições anteriores, os homens haviam conquistado apenas uma prata, com Zé Marco e Ricardo, em Sydney-2000.

Emanuel, considerado um dos melhores jogadores de todos os tempos, havia sido eliminado nas oitavas-de-final nas outras Olimpíadas. Em Sydney, o algoz foi o adversário derrotado nesta quarta-feira, Bosma, que na época jogava com Fabio Díez.

Para superar esse tabu, Ricardo e Emanuel fizeram um trabalho sério, tanto na parte psicológica quanto na física. O resultado pôde ser visto na areia.

Mas apesar do título de Ricardo e Emanuel, e do vice de Adriana Behar e Shelda, o Brasil continua atrás dos Estados Unidos no quadro geral de medalhas do vôlei de praia nas Olimpíadas. Os inventores do esporte têm três medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze, contra duas de ouro, quatro de prata e uma de bronze dos brasileiros.

"Não somos nós os melhores do mundo. Eu prefiro falar que é o vôlei do Brasil o melhor do mundo. Nós temos os melhores jogadores, o melhor circuito, e é por isso que ganhamos tudo lá fora", disse o campeão Ricardo.

Em Atenas, o Brasil já tem cinco medalhas. Além das duas de vôlei de praia, o país conquistou o ouro da classe Laser da vela com Robert Scheidt, e duas de bronze no judô, com Flávio Canto e Leandro Guilheiro.

O jogo
O bom saque de Emanuel colocou o Brasil em vantagem logo no começo da partida, abrindo 2 a 0. Os espanhóis apostavam em sacar em Ricardo, para fazer o brasileiro -que atuou o torneio inteiro com uma proteção no tornozelo recém-recuperado de uma forte torção- atacar. Deu errado: decidido, Ricardo alternava potência e colocação, deixando a defesa rival sem chances.

Depois de abrir três pontos de diferença com um ataque de Ricardo (5-2), os brasileiros permitiram uma certa reação dos espanhóis. Herrera, em bloqueio sobre Ricardo, diminuiu a vantagem para apenas um ponto (6-5). Mas logo em seguida ele errou, e a diferença voltou a ser de três pontos (10-7).

Assim, os brasileiros apenas administraram o placar. O saque de Emanuel continuou entrando bem, complicando o passe espanhol. Bosma e Herrera mantinham-se no jogo, mas não conseguiam parar o ataque brasileiro. Com pouquíssimos erros, Ricardo e Emanuel venceram a primeira parcial por 21-16.

No segundo set, o domínio foi ainda maior. Se já não bastasse jogar melhor, os brasileiros passaram também a contar com a sorte. Dos seis primeiros pontos, dois foram marcados após saques de Emanuel que bateram na fita e tiraram a chance de defesa dos espanhóis. No bloqueio, Ricardo obteve dois pontos seguidos.

O nível altíssimo de jogo dos brasileiros desestabilizou a dupla Bosma/Herrera, que passou a errar bastante. Um ace de Emanuel colocou os brasileiros seis pontos na frente (8-2). Vantagem que depois aumentou para oito (14-6), com um "dois toques" de Herrera.

Ricardo e Emanuel, então, deram uma relaxada. E os espanhós diminuíram a diferença para quatro pontos (17-13). Mas a reação parou por aí. E os brasileiros fecharam o set e puderam, enfim, comemorar a medalha de ouro.

No pódio, os brasileiros fizeram questão de ajoelhar. "Nós nos ajoelhamos no pódio porque foi a consagração da nossa carreira. Eu me senti como um cavaleiro recebendo a espada no ombro, como se me tornasse um lorde na Inglaterra. Entramos para as lendas do esporte", explicou Emanuel, emocionado.

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