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27/08/2004 - 17h58
Com luva negra, Diogo protesta contra descaso ao taekwondo

Por Marisa Amaral
Reuters

ATENAS - O brasileiro Diogo Silva, que conquistou um inédito quarto lugar na Olimpíada de Atenas nesta sexta-feira, aproveitou a luta final para fazer um protesto contra a falta de apoio ao taekwondo no país.

AFP 
Diogo Silva realiza o pequeno protesto após perder a medalha de bronze
Diogo perdeu para o sul-coreano Song Myeong Seob por 12 a 7 na decisão da medalha de bronze da categoria até 68kg. Ele entrou na luta com uma luva preta dos Black Panthers (Panteras Negras, movimento de militantes negros norte-americanos no final da década de 60), que o juiz o fez tirar.

"É uma luva dos Black Panthers, um sinal de protesto, da indignação. Por mais que a gente batalhe, nosso sacrifício não é recompensado. Foi meu protesto para que o Brasil veja a dificuldade que o esporte amador enfrenta. A gente merecia mais apoio do governo e dos empresários", desabafou o lutador.

Nos Jogos Olímpicos do México, em 1968, os norte-americanos Tommie Smith e John Carlos ouro e bronze nos 200m, após o hino de seu país, com as mãos cobertas pelas luvas negras, ergueram os punhos, numa saudação simbólica do grupo Panteras Negras.

O taekwondo foi reconhecido como esporte olímpico nos Jogos de Sydney-2000, e o Brasil teve como único representante a atleta Carmen Carolina, que foi eliminada a perder a primeira luta.

Por não ter tradição, o taekwondo enfrenta muitas dificuldades ao buscar apoio. E Diogo não espera que o fato de ficar entre os quatro melhores do mundo vai reverter este quadro.

"Infelizmente, o Brasil é movido a medalhas. Acho que tudo vai continuar igual", disse Diogo, que esperava vencer a luta. "Eu realmente esperava que ia conquistar uma medalha. Mas estou muito orgulhoso, porque chegar à semifinal olímpica é um prestígio para poucos. É um sonho realizado", afirmou o lutador à Reuters.

Diogo ressaltou que o Brasil perde muitos atletas competitivos por falta de patrocínio. "Quando cheguei à semifinal, pensei nos atletas de nível que abandonam por falta de apoio, por não ter condição financeira para competir", disse o medalhista de ouro no sul-americano de 2002 e bronze no Pan de 2003.

O lutador campineiro tem como patrocinadores um supermercado e um amigo e, somente para viajar à Grécia, contou com o apoio de uma escola de línguas. "O taekwondo é um esporte amador. Quem briga por resultado é por amor ao esporte, por ter orgulho. Quem busca retorno financeiro, fica frustrado."

O próximo desafio de Diogo é o Pan-Americano da modalidade, que acontece em dezembro, em Los Angeles. "Vamos ver se consigo o patrocínio, alguém para pagar a passagem."

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