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29/09/2004 - 06h59
Ádria Santos termina os Jogos como a maior medalhista do Brasil

Lello Lopes*
Enviado especial do UOL
Em Atenas (Grécia)

A cena em Sydney foi emocionante: Ádria Rocha Santos abraçada à filha Bárbara, com as três medalhas (duas de ouro e uma de prata) conquistadas nas Paraolimpíadas de 2000. Em Atenas, a imagem só não se repetiu porque a menina ficou em Joinville. Mas a mãe, na Grécia, ganhou novamente três medalhas e se tornou a maior vencedora da história brasileira nos Jogos.

Reginaldo Castro/CPB Divulgação 
Ádria se torna a maior medalhista do Brasil, com quarto ouros e seis pratas
A coroação aconteceu no local mais nobre da Paraolimpíada, o Estádio Olímpico, que comporta 55 mil pessoas, cerca de 10 mil a mais do que toda a cidade de Nanuque (na divisa de Minas Gerais com a Bahia e o Espírito Santo), onde Ádria nasceu há 30 anos.

Na final dos 100 m rasos da classe T11 (para deficientes visuais totais), Ádria superou as rivais e uma incômoda contratura na coxa para ganhar sua décima medalha nas Paraolimpíadas, superando Luiz Cláudio Pereira, que nos Jogos de 1984, 1988 e 1992, acumulou seis ouros e três pratas, nas provas de pentatlo e de arremessos de dardo, peso e disco.

Depois do ouro nos 100 m, Ádria ainda consolidou sua liderança ao ganhar outras duas medalhas de prata, nos 200 m e nos 400 m rasos. Tudo isso ao lado do guia e amigo Chocolate, que a acompanha desde o final de 2000.

"Fico muito feliz com isso. É fruto de muita dedicação. Tenho paixão pelo que faço, pelo esporte. Fico feliz quando entro na pista", disse a campeã, bastante assediada após a conquista do ouro.

Ádria ficou cega na infância, em decorrência de uma retinose pigmentar (uma doença degenerativa),. A deficiência, entretanto, não foi empecilho para a menina, que desde sempre gostou de correr. Em 1987, Ádria deu os seus primeiros passos esportivos, numa escola para deficientes visuais em Belo Horizonte. Um ano depois, aos 14 anos, disputou a sua primeira Paraolimpíada, conquistado duas medalhas de prata: nos 100 m e nos 400 m.

Em Barcelona-1992, mais experiente, Ádria conquistou sua primeira medalha de ouro, nos 100 m. Em Atlanta-1996, foram três de prata (100 m, 200 m e 400 m), até chegar aos dois ouros (100 m e 200 m) e a uma prata (400 m) em Sydney-2000.

Aos 30 anos, Ádria ainda está longe da aposentadoria. Ela planeja seguir os passos da espanhola Purificación Santamarta, que em Atenas ganhou uma medalha aos 44 anos. Entretanto, a longevidade só será conseguida se a brasileira trocar as provas de velocidade pelas de meio-fundo, como os 800 m.

EFE 
Aos 30 anos, Ádria planeja trocar as provas de velocidade pelas de meio-fundo
"Eu tiro o chapéu para a espanhola pelos resultados que ela tem. Mas com essa idade a pessoa não agüenta, não tem mais velocidade", diz a brasileira.

Maior rival de Ádria nas últimas Paraolimpíadas, Purificación perdeu o posto em Atenas para a chinesa Chun Miao Wu, que levou o ouro nos 200 m e nos 400 m rasos. E a derrota mais dolorida aconteceu justamente na prova que a brasileira detém o recorde mundial, os 200 m.

A vitória de Wu foi contestada tanto pela delegação brasileira quanto pela espanhola, que teve Purificación como bronze. A alegação era de que o guia havia ajudado a atleta. Mas os juízes analisaram a prova e decidiram manter o resultado na pista.

Nos 400 m, a medalha de prata teve outro sabor. Já recuperada da contratura muscular, Ádria travou um duelo particular com Terezinha Guilhermina. Enquanto Wu garantia a vitória com tranqüilidade, Ádria ultrapassou a compatriota para cruzar a linha de chegada em segundo lugar, mostrando que ainda vai levar um tempo para perder o posto de rainha brasileira no atletismo de pista paraolímpico.

* O jornalista Lello Lopes viaja a Atenas a convite do Comitê Paraolímpico Brasileiro

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