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  14/07/2005 - 09h30
Esportes "estranhos" são o mote dos Jogos Mundiais na Alemanha

Ricardo Zanei
Em São Paulo

Esqueçam os campeões olímpicos Michael Phelps, Yelena Isinbayeva, Manu Ginobili, Justin Gatlin, Robert Scheidt. Deixem de lado aqueles jogos e torneios que estão na televisão a qualquer momento. Agora, imagine uma competição que reúna esportes totalmente "estranhos" ("outsiders"), que reúna de pétanca a dança latina, frisbee a parede de escalada, orientação a cabo-de-guerra. Chega a ser surreal, mas todas essas modalidades, e muitas outras, estarão juntas nos Jogos Mundiais ("World Games"), que começam nesta quinta-feira e serão disputados até o dia 24 na cidade alemã de Duisburg.

EFE 
"Allwin" é o mascote dos Jogos Mundiais, que chegam à sua 7ª edição em Duisburg
Serão 38 esportes (sendo seis convidados) entre os mais esquisitos e desconhecidos, com a participação de cerca de 3.500 atletas, que receberão 963 medalhas. Foram gastos exatos 14.838 milhões de euros para a organização da competição, que terá como patrono o chanceler alemão Gerhard Schroeder.

Esta será a sétima edição dos Jogos Mundiais. Praticamente desconhecida, a competição tornou-se realidade em 1981, em Santa Clara, nos Estados Unidos. Desde então, vem sendo realizada de quatro em quatro anos, e passou por Londres (Inglaterra/1985), Karlsruhe (Alemanha/1989), The Hague (Holanda/1993), Lahti (Finlândia/1997) e Akita (Japão/2001).

De acordo com os organizadores, 62 brasileiros estarão presentes na disputa de competições individuais ou por equipes. Procurado pela reportagem do UOL Esporte, o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), por meio da assessoria de imprensa, disse que não se manifestaria sobre os Jogos Mundiais pois o torneio não conta com esportes olímpicos. Mas, na cerimônia de abertura, o belga Jacques Rogges, presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), estará presente.

JOGOS MUNDIAIS 2005
Esportes de competição
Boliche
Boules
Cabo-de-guerra
Caratê
Dança (padrão/latina/rock)
Frisbee
Ginástica acrobática
Ginástica aeróbica
Ginástica rítmica
Ginástica em trampolim
Ginástica em tumbling
Hóquei inline
Jiu-Jitsu
Korfball
Levantamentos de peso
Musculação
Natação submersa
Orientação
Paraquedismo
Parede de escalada
Patinação artística
Patinação de velocidade
"Pescaria"
Pólo de canoagem
Punhobol
Rúgbi
Salva-vidas
Sinuca
Squash
Sumô
Tiro com arco em campo aberto
Wakeboard
Esportes de exibição
Aikidô
"Dragon Boat Race"
Futebol Americano
Handebol de areia
Hóquei indoor
Motociclismo indoor
Curiosamente, o esporte que contará com mais brasileiros está longe de ser difundido no país. Cinco representantes estarão na arena (dohyô, em japonês) para a disputa do sumô, que soma pouco mais de 500 praticantes no Brasil.

E é dessa modalidade que pinta uma das maiores chances de medalha, com Fernanda Pereira da Costa, no peso-pesado feminino. Vice-campeão mundial em 2002 na Polônia, a sumotori negra de 23 anos está longe do estereótipo "asiático" do esporte, pratica sumô há cinco anos e já é uma referência nacional.

Além dela, o sumô brasileiro conta com mais duas mulheres em Duisburg, Luciana Watanabe, no peso leve, e Vanessa Ramos Rocha, no médio. No masculino, serão dois os representantes do país, Márcio Tadashi Takakura, no leve, e Carlos Rauch, no médio. O programa conta com outras artes marciais e, no caratê, quem "briga" é Alessandra Caribé, no "kata".

Bilhar, sinuca, carambola. O nome muda, dependendo do local onde é praticado, mas será nas mesas de Bottrop que Miguel Bernardino Costa, o goiano Miguelzinho, 39, campeão brasileiro individual em 1987 e 1997, vai tentar conquistar um bom resultado.

Se sumô e bilhar estarão nos Jogos Mundiais, por que não musculação ("body building")? São dois brasileiros na Alemanha, José Carlos Santos, que já foi "Mister Universo", na categoria até 70 kg, e Luiz Carlos Sarmento (BRA), campeão mundial master de fisiculturismo no ano passado, até 80 kg. Da musculação para o levantamento de peso ("powerlifting"), quem luta por medalhas é Eric Oishi (BRA), um dos melhores da América do Sul.

O Brasil estará presente também no "boules" (literalmente "bolas", em francês"). Sendo extremamente simplista na explicação, o esporte é uma espécie de "bolinha de gude de gente grande", com três bolas, todas maiores que as das brincadeiras de crianças. Na categoria "Lyonnaise" de precisão, quem compete é Simona de Oliveira Ferreira.

Se brasileiro joga "boules", também joga boliche. Sueli Huebes tenta "strikes" e "spares" no feminino, e ainda disputa as duplas mistas ao lado de Rogério Arkie, que foi campeão mundial individual de bolão 16.

Das pistas de boliche para a ginástica rítmica, que conta com Elizabeth Bueno Laffranchi. Entre os esportes individuais, outro brasileiro presente em Duisburg é Diego Costa Arraes Alencar Dores, na patinação artística.

Nos coletivos, a presença das seleções brasileiras aparece em esportes que pouco são difundidos no país. Um deles é o punhobol ("fistball"), um misto de tênis e vôlei, disputado com equipes de cinco integrantes cada.

O outro também é praticado com as mãos, o handebol, mas de areia, que contará com as equipes masculina e feminina. Folhas e China, que defenderam a seleção na conquista dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, em 2003, estão entre os convocados no time dos homens, enquanto Dali, presente nos Jogos Olímpicos de Sydney-2000 e Atenas-2004, é um dos destaques entre as mulheres.

Em meio a "esquisitice" e a curiosidade, os Jogos Mundiais unem esportes pouco conhecidos, principalmente do público brasileiro, mas que sonham em, um dia, fazerem parte do programa olímpico. Sem desmerecimento, o sonho é distante, muito distante de ser concretizado.


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