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  21/11/2005 - 10h00
Mundial de ginástica tem confronto entre nova e velha ordem

Murilo Garavello
Enviado especial do UOL
Em Melbourne (Austrália)

De um lado, as duas maiores potências esportivas da atualidade. Do outro, países com enorme tradição na modalidade. China e EUA devem brigar pela liderança do quadro geral de medalhas em Pequim-2008. Romênia e Rússia aproveitam o legado comunista de prioridade a esportes individuais -que proporcionavam muitas medalhas e boa propaganda-, como é o caso da ginástica artística.

MUNDIAIS - ANOS 2000
  PaísTotal
 1) China84315
 2) EUA83415
 3) Romênia77216
 4) Rússia56516
Nos anos 2000, a disputa entre os quatro países tem sido acirrada. Em três Mundiais realizados, a liderança no quadro de medalhas é da China: oito de ouro, quatro de prata e três de bronze. Os EUA vêm logo atrás, com oito de ouro, três de prata e quatro de bronze. A Romênia tem sete de ouro, sete de prata e duas de bronze, e a Rússia, cinco de ouro, seis de prata e cinco de bronze.

A julgar pelos últimos resultados em competições internacionais, Romênia, China e EUA são os maiores candidatos a deixar Melbourne, sede do Mundial-2005, como vencedores no quadro geral. Já a Rússia, maior herdeira das medalhas da URSS, que teve supremacia impressionante na modalidade nas décadas de 70 e 80, perdeu terreno tanto no masculino quanto no feminino.

No masculino, não há nenhum russo entre os três primeiros colocados do ranking da Federação Internacional de Ginástica (FIG) em nenhum dos seis aparelhos. No feminino, Anna Pavlova, 18, é terceira no salto e segunda nas barras paralelas, e Elena Zamolodchikova, 23, é segunda no salto.

"Antigamente, íamos para o Mundial sabendo que os russos iriam ganhar quase tudo. Hoje, é uma beleza ver a ginástica da China", diz Vicélia Florenzano, presidente da CBG (Confederação Brasileira de Ginástica).

Já os romenos, outros com passado comunista e enorme tradição na modalidade, lideram o ranking da Federação Internacional de Ginástica (FIG) em quatro dos dez aparelhos da modalidade, e ganharam o maior número de medalhas de ouro e no total nas Olimpíadas de Artenas-2004.

Entretanto, disputas judiciais, crises entre atletas e técnicos e a queda, após 24 anos no cargo, do técnico da seleção feminina, Octavian Belu, conturbaram a preparação romena para o Mundial. "Os romenos estão em uma fase terrível, desestruturados, sem renovação", diz Vicélia.

Potências emergentes
Se russos e romenos enfrentam problemas, os EUA tentam manter a impressionante tendência de crescimento registrada em sua ginástica na década de 90 e, principalmente, nos três mundiais dos anos 2000 (veja quadro). Após ganharem apenas duas medalhas em quatro mundiais na década de 80, nesta década os americanos já amealharam 15 -oito de ouro.

EUA - EVOLUÇÃO EM MUNDIAIS
  Década% do total
 19800110,9%
 19908736%
 200083413%
No último Mundial, em que receberam o evento na cidade de Anaheim, em 2003, os EUA amealharam cinco medalhas de ouro e duas de prata -desempenho inferior apenas ao da China, que com cinco de ouro, duas de prata e uma de bronze liderou o quadro de medalhas pela segunda vez em sua história em Mundiais de ginástica.

Em Atenas-2004, os EUA fizeram o campeão no individual geral tanto no masculino quanto no feminino. Entretanto, Carly Patterson -que se aposentou e agora aproveita a fama participando de programas de TV- e Paul Hamm -que tirou 2005 para se dedicar aos estudos na universidade, mas promete voltar em 2006- não estarão em Melbourne.

Apesar da ausência dos dois atletas, os EUA têm no feminino dois fortes nomes para conquistar medalhas: as novatas Alicia Sacramone e Nastia Liukin, que têm impressionado os especialistas em suas últimas exibições. Liukin, filha de Valery Liukin, que ganhou duas medalhas de ouro em Seul-1988 pela URSS, e de Anna Kochneva, campeã mundial de ginástica rítmica em 1989, é apontada como o maior nome da ginástica americana em anos.

Já a China, que se prepara para receber as Olimpíadas em 2008, também envia a Melbourne uma equipe renovada. Quatro dos dez ginastas chineses fazem sua estréia em Mundiais, e outros três disputam sua segunda competição de grande porte.

Buscando dar experiência à nova geração, a China abriu mão de um de seus grandes nomes: Feng Jing, campeão do individual geral no Mundial de Ghent-2001. Entretanto, a delegação do país tem dois ginastas experientes: Li Xiaopeng, dono de 11 medalhas em Mundiais, e Nan Zhan, medalha de bronze no individual geral em Anaheim-2003 e também na Olimpíada de Atenas-2004.

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