! Romenos tentam superar "extraginásio" na Austrália - 21/11/2005 - UOL Esporte - Ginástica
UOL EsporteUOL Esporte
UOL BUSCA


  21/11/2005 - 10h00
Romenos tentam superar "extraginásio" na Austrália

Murilo Garavello
Enviado especial do UOL
Em Melbourne (Austrália)

ROMENOS LÍDERES DO RANKING
Solo
Marian Dragulescu
Salto sobre o cavalo
Marian Dragulescu
Cavalo com alças
Marius Urzica
Trave
Catalina Ponor
Nenhum país tem tantos atletas na liderança dos rankings das provas da Federação Internacional de Ginástica e ganhou tantas medalhas na modalidade na Olimpíada de Atenas-2004. Poucos têm tanta tradição no esporte. Apesar das enormes credenciais, a Romênia, compete no Mundial, que tem início nesta terça-feira, colocando a prova a capacidade de superação de problemas.

Em 2005, eles se proliferaram. Processo judicial contra a comissão técnica, ginastas fora de peso, "escapadas" noturnas e troca de farpas entre dirigentes e atletas pela imprensa provocaram uma crise que culminou na saída do técnico Octavian Belu do comando da seleção após 24 anos -ele havia assumido a equipe em 1981, em substituição ao lendário Bela Karolyi, técnico de Nadia Comaneci. Pior, a equipe feminina do país foi dissolvida.

"Foi um ano terrível para os romenos", resume Vicélia Florenzano, presidente da CBG (Confederação Brasileira de Ginástica).

As dificuldades tiveram início logo em janeiro. Belu desligou-se do cargo para responder a processo movido pela ex-ginasta Oana Petrovischi, que acusava o ex-técnico de obrigá-la a competir mesmo machucada e de "confiscar" 30% de todos seus rendimentos. No processo, Oana afirmava ter ficado com lesões permanentes nas costas devido aos métodos de trabalho do técnico, que levou a equipe romena à medalha de ouro por equipes nas duas últimas Olimpíadas.

Em fevereiro, Catalina Ponor, dona de três ouros olímpicos, foi suspensa da seleção por estar acima do peso, assim como Oana Ban -da equipe romena em Atenas-2004- que não competirá em Melbourne.

Em março, um patrocinador da Federação Romena decidiu pagar os US$ 50 mil requisitados por Oana Petrovischi, livrando Belu do processo. Após o acordo extra-judicial, Belu voltou a comandar a seleção.

Em junho, Marian Dragulescu, campeão mundial de solo em 2002 e atual líder do ranking da prova e também do salto sobre o cavalo, anunciou sua aposentadoria. Após desentendimentos com dirigentes da Federação, Dragulescu se disse "desmotivado" e "sem objetivos" na ginástica. A resolução não se mostrou firme. Em agosto, voltou a treinar e, em outubro, ganhou a etapa de Maribor (Eslovênia), da Copa do Mundo, com nota 9,587. O ginasta vai competir em Melbourne.

No fim de agosto, Ponor voltou a ser pivô de uma crise, desta vez mais grave. Ela e outra companheira de equipe, Floarea Leonida, "escaparam" da concentração sem permissão de Belu e sua assistente, Mariana Bitang. Ao chegar ao hotel, às 4h, encontraram Bitang esperando-as. O episódio culminou na saída de Belu e Bitang e na dissolução da seleção -cada ginasta voltou a treinar com seu técnico, e a seleção passou a se reunir apenas em períodos de treinamento pré-competição.

Para Vicélia Florenzano, a Federação Romena não deu respaldo a Belu. "Quando falam muitas coisas do teu técnico e você não se posiciona a favor dele, a situação fica difícil".

Para Georgette Vidor, técnica que formou Daniele Hypólito e está na Austrália para acompanhar o Mundial, as ginastas romenas passaram a criar mais problemas após o fim do comunismo. "As meninas perderam o medo de se rebelar, não se submetem mais a tudo o que o técnico manda".

Em outubro, Monica Rosu, campeã olímpica do salto sobre o cavalo, disputou o Campeonato Romeno mesmo após declarar que estava com o tornozelo machucado. A diretora-técnica da seleção feminina, Anca Grigoras, disse à imprensa não acreditar na contusão. A polêmica estampou as páginas da imprensa romena. Rosu também competirá na Austrália.

Leia mais


ÚLTIMAS NOTÍCIAS
03/09/2007
Mais Notícias