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  21/11/2005 - 10h00
Ginástica vê queda do Leste Europeu e pulverização de medalhas

Murilo Garavello
Enviado especial do UOL
Em Melbourne (Austrália)

Maior símbolo do fim do comunismo na Europa, a queda do muro de Berlim, que separava a Alemanha Ocidental capitalista da Oriental comunista, é um divisor de águas também na ginástica. Antes dominada completamente pela URSS e pelos países do Leste Europeu, a modalidade assiste, desde então, a uma pulverização das medalhas em seus campeonatos mundiais.

MUNDIAIS E MEDALHAS
País ou regiãoAnos 1970Anos 1980Anos 1990Anos 2000
URSS40,4% (70)39,7% (83)38,9% (118)26,3% (30)
Leste Europeu29,7% (51)34,4% (72)21,2% (64)22,8% (26)
Ásia21,3% (37)22% (46)21,4% (65)18,4% (21)
Outros8,6% (15)3,9% (8)18,5% (56)32,5% (37)
*a partir da década de 90, considera-se a soma de medalhas das antigas repúblicas soviéticas
**entre parênteses, o número total de medalhas na década
***fonte: FIG
Na década de 80, a URSS conquistou 83 das 209 medalhas em disputa nos cinco Mundiais realizados (39,7% do total). No mesmo período, os países do Leste Europeu somados conquistaram 72 (34,4%). Nos três mundiais realizados nos anos 2000, as antigas repúblicas soviéticas somadas conquistaram 30 das 114 medalhas em jogo, ou 26,3%. Já os outros países ex-comunistas europeus somaram 26 pódios, ou 22,8% do total.

Ou seja, donos de 74,1% das medalhas na década de 80, no decênio atual os europeus do Leste conquistaram "apenas" 49,1% do total.

O número de países que sobe ao pódio também se multiplicou: na década de 80, a cada Mundial, uma média de 7,6 nações conquistaram medalhas. Na década de 90 -mantendo as antigas repúblicas soviéticas como um único país apenas para efeito de comparação-, 11 países, em média, subiram ao pódio em cada Mundial. E, na década atual, o índice subiu para 13 no pódio por competição.

No último Mundial realizado, em Anaheim-2003, 15 países receberam medalhas (dois deles ex-repúblicas soviéticas).

Duas razões principais explicam a pulverização de medalhas. Em primeiro lugar, a "exportação" de técnicos dos países do Leste Europeu para o Ocidente, onde em geral recebem melhores salários.

O Brasil é um grande exemplo: subiu ao pódio duas vezes nesta década (com Daniele Hypólito e Daiane dos Santos) justamente depois que passou a contar com uma comissão técnica povoada por ucranianos. Entre outros casos, a britânica Elizabeth Tweddle, prata nas barras paralelas na Olimpíada de Atenas-2004, é treinada pelo búlgaro Zultan Jordanov.

Há um caso ainda mais emblemático: o da ginasta Nastia Liukin. Nascida em 1989 na URSS, a filha dos russos Valery Liukin - ex-ginasta ganhador de duas medalhas em Seul-1988- e de Anna Kochneva, campeã mundial de ginástica rítmica- migrou com os pais aos EUA quando tinha apenas dois anos. Hoje, aos 16, é o grande nome da seleção norte-americana, e é treinada por seu pai.

O outro fator que provavelmente contribui para o fenômeno é a diminuição dos investimentos dos países ex-comunistas na modalidade. Antigas prioridades à época da Guerra Fria, em que o esporte era uma das principais peças da propaganda comunista, e a ginástica uma modalidade-chave por distribuir muitas medalhas, muitos países enfrentam uma queda nos investimentos.

Em entrevista concedida a uma revista especializada em ginástica no início deste ano, o ex-técnico da seleção romena, Octavian Belu, queixava-se do problema. "Desde a mudança de regime, não temos mais dinheiro suficiente para fazer nosso trabalho. O governo não nos proporciona isso e a ginástica não é um esporte tão atraente aos olhos das principais empresas".

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