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a cerimônia
de abertura

"Efeito Athina Onassis" expõe um Doda bem além da hípica

Namoro com a herdeira da fortuna Onassis fez o ginete brasileiro, no ano do Pan de Santo Domingo, conhecer muito mais que as raras manchetes esportivas dedicadas ao hipismo

Daniel Tozzi
Em São Paulo


AFP


Athina Onassis e Doda

O ginete Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, tem duas medalhas olímpicas (bronze por equipes em Atlanta-96 e Sydney-00) e não sabe o que é correr atrás de patrocínio. Ainda assim, há poucos meses não atendia repórteres depois de treino, sequer falava sobre seus hobbies e tampouco "abria sua casa". Os "fãs" não vigiavam suas baladas. Mas, como não é jogador de futebol, era "quente" somente em época de Pan, como agora, ou de Olimpíada. Um "furacão", no entanto, mudou tudo. Não apenas sua vida, como ele frisa, mas também seu trabalho, como admite.

Na vida, entrou a amazona francesa Athina, 18, que veio com ele para o Brasil em fevereiro. Eles se conheceram na Bélgica, onde Doda mora, e treinavam juntos no haras de Nelson e Rodrigo Pessoa. No trabalho, no entanto, entrou um sobrenome pomposo: Onassis-Roussel. O primeiro já basta. Acompanhada dele, a namorada de Doda, por mais que insista, não consegue ser vista como uma "pessoa comum".

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Em Porto Alegre, cochichos
Se no Brasil o sobrenome já causa frisson, na Europa o efeito é ainda maior. Já causou mais, é verdade, mas Athina é a única Onassis viva. Celebrizada pelo avô da moça, o bilionário armador grego Aristóteles, a família é marcada por tragédias, como a que vitimou a própria mãe de Athina, Christina, morta em 1988, na Argentina, de overdose de barbitúricos.

Apesar do rosto virado para o passado, Athina, involuntariamente, fez com que a curiosidade alheia que a persegue apresentasse Doda não apenas ao Velho Mundo, mas também a muitos brasileiros.

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Athina em 1988, aos três anos
Com a relação, Doda se popularizou. É verdade que despertou interesse nem tanto pelos seus resultados, mas sim por sua "pessoa" e sobre como "tinha rolado" com a herdeira do pé-de-meia de US$ 3 bilhões. Acusações de golpe do baú não faltaram. "Maldade", afirma o ginete, cujo pai, Ricardo Miranda, é um dos empresários mais bem-sucedidos do país, além de já ter sido homenageado ao lado do ministro dos Esportes, Agnelo Queiróz, pelo seu apoio ao hipismo por meio da captação de patrocínios. Doda é defendido até mesmo pela ex-mulher, Sibele Dorsa, com quem ainda estava legalmente casado quando conheceu Athina. "O Doda é uma pessoa muito pura", declarou a atriz, 27, à revista "Época" de outubro de 2002.

"Puro" ou não, o fato é que Doda ganhou na mídia brasileira um espaço inédito para os padrões do hipismo, quase sempre relegado às notinhas de rodapé nos cadernos esportivos. Virou (Doda, e não o esporte) assunto de longas reportagens não apenas de publicações sobre "celebridades", como "Caras", "Quem" ou "Istoé Gente", mas também de semanais "cabeças", como "Veja" e "Época", e estrangeiras, como a fofoqueira "Hello", o sério "The Guardian" ou o tablóide "The Sun".

Querem saber de tudo, menos sobre cavalos, uma das paixões em comum com Athina. "Tem acontecido (ser menos procurado por jornalistas esportivos do que por aqueles que cobrem "celebridades"). Ligam de várias revistas que não tem nada a ver (com hipismo), mas que acabam tem mostrando o esporte", conta Doda, apesar de o "efeito Athina" já ter diminuído.
Divulgação


Doda em ação em concurso

E esse "mostrar o esporte" é que fez o ginete tolerar a "invasão de privacidade". Hoje, Doda se vê como uma pessoa pública. "Tem um lado bom e um ruim", diz. "Sou uma pessoa reservada, não gosto de aparecer, a não ser pelo meu trabalho", aponta. O lado bom? "Hoje em dia a imprensa vai muito mais nas hípicas, cobre mais campeonatos. Isso ajuda as pessoas a conhecer mais o esporte", argumenta. Efeito Athina.

Mas, se hoje "é lido", Doda lembra que também "já leu" muito sobre a vida dos outros. "Tento entender a imprensa. Sempre estive do outro lado, mas as pessoas não respeitam. Ao menos mostram minha vida com a Athina como ela é, simples e legal", aponta.

E claro que capas de "Caras" e afins não desagradam a nenhum patrocinador. A montadora Audi, parceira de Doda desde 1998, "aprova" o novo tipo de exposição do ginete. "Claro, você acaba dando mais retorno", admite o cavaleiro, que recentemente assinou contrato de patrocínio também com a operadora Visa. E o "efeito Athina" também dá seu empurrão nessa área. "Ajuda, até porque sou muito profissional com isso, sempre uso a marca (os nomes dos cavalos de Doda começam com "Audi", como Audi San Diego e Audi Oliver Metodo) .

"Mas nunca vou mostrar casa, carro, estou me lixando para o que as pessoas têm, e não quero mostrar nada do que tenho. É ridículo isso", ataca, ele que nem de longe se vê como um "David Beckham" tupiniquim.

"Treino pensando no meu país, em levar uma imagem do meu país que seja positiva. É isso que quero passar para a imprensa", avisa Doda, que, com a ausência de Rodrigo Pessoa em Santo Domingo, se tornou a principal esperança brasileira para, além do ouro, garantir vaga em Atenas-04. Um bi pode dar primeira página.

Publicado em 7 de agosto de 2003


Não quero mostrar nada do que tenho. É ridículo isso

Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda


1
medalha de ouro. É o saldo de Doda, campeão por equipes em Winnipeg-99, em Pan-Americanos


Na cabeça
Mesmo sem Rodrigo Pessoa, Doda mira o ouro para o Brasil no Pan
Tá na hora
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as competições de hipismo em Santo Domingo